Era junho e entrei em férias do entendiante trabalho de terceirizado dos Correios .Ufa,que alívio ! E teria 30 dias livres para viver ,para amar e sofrer.

  No meu primeiro dia sem amarras do trabalho imbecilizante peguei na minha estante,sem querer,a auto-biografia da escritora russa Lou Andreas-Salomé(1861-1937 ) e comecei a devorá-la com os meus olhos aflitos .Em uma passagem da obra ,Salomé me despertou : "Ouse,ouse...ouse tudo.Não tenha necessidade de  nada ! Não tente se adequar a modelos,nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.Acredite : a vida lhe dará poucos presentes.Se você quer uma vida...aprenda a roubá-la ! Ouse,ouse tudo ! Seja na vida o que você é,aconteça o que acontecer. Não defenda nenhum princípio,mas alho de bem mais maravilhoso :algo que está em nós e que nos queima como o fogo da vida ! "

 Esfuziante,delirante e eletrizante liguei meu computador e comecei a escrever um romance intitulado Memórias Desconexas ! 

 Eu precisava ser eu mesmo,voltar a escrever,regressar a minha existência plena.Viva Lou Salomé !

 Foram dez dias sem sair do meu apê de 27 metros quadrados de área útil,não atendia telefonemas,não respondia os zaps; as pausa era apenas para pequenas refeições ,ampolas  de cervejas e  o meu remedinho para deseletrizar-me.

  Foram 135 páginas escritas em dez dias ! Eu era um gênio ! Ao terminar a obra desci e fui até o Boteco do Juca encher a cara e fumar meus cigarros.Neste dia encontrei Tuneca,meu velho amigo de vagabundagens e  de conversas desconexas quando o clímax da doideira chegava atingia  o seu êxtase.

 -Porra,véio,você sumiu ! Não responde mais a ninguém,o porteiro do seu bloco me disse que você nunca estava em casa.Tá maluco ? - Falou Tuneca.

  -Cara,eu estava feito um ermitão,resolvi voltar a escrever ,escrevi um novo romance ! Vamos brindar pela paz mundial,levante o copo  !

 Tuneca levantou seu copo de cerveja e brindamos pela paz mundial ! Eu emendei :- Áh,sim,viva Lou Salomé !

 -Quem é esta mulher ? Tá comendo ?

 -Deixa prá lá,meu caro,deixa para lá.

 Tuneca começou a desandar a falar sobre o movimento dos entorpecentes,que agora a fonte boa era o professor,o professor que era fonte quente e coisa e tal.Logo depois começou a falar dos portugueses ,Tuneca detestava portugueses ( este sentimento só era exposto quando estava bem doido ,quando estava careta negava que não gostava dos portugas ).

 Eu ponderei : -Porra,Tuneca,Brasília,tem poucos portugueses,eu nunca conheci um.

 -Caralho,então vá na embaixada de Portugal,vá lá,são sempre os colonizadores de sempre ,são uns porcos,nós tínhamos que ter sido colônia holandesa.imagina a canabis e o pó liberados,hen.

  A conversa se estendeu até 2 da manhã,cheguei no apê chapado e dormi abraçado com o meu novo romance,sonhando com minha redenção,com o sucesso que ele faria nas melhores livrarias do Brasil e aplicativos e quiça traduzido para vários idiomas.

 No dia seguinte,com uma remenda ressaca,todavia animado pensei em quem financiaria o meu romance independente,pois a crise era fodida e as editoras só publicavam os chamados filés.

 Logo veio à minha cabeça o meu amigo Toloza,o cara que me arrumara este apê por um preço bem em conta e uqe convencera a locadora,uma de suas várias namoradas,a não aumentar o preço da renovação do contrato pelos índices que todos nós conhecemos.

 Tomei um banho renovador ,fiz u bom café da manhã,me vesti e rumei diretamente para imobiliária do Tolozza- ele seria o financiador da minha grande obra.

 Gente,boa irei parar por aqui,o segundo capítulo deste conto será publicado em breve.Até e viva Salomé !

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