Pádua e sua Fantástica Coleção de Discos

 

 

 

O piripiriense Antônio de Pádua Andrade (58 anos), residente em Teresina (PI) há 35 anos, começou a comprar discos e nunca mais parou. O resultado é uma bela coleção de 15 mil discos englobando os raros 78 rotações por minuto (rpm), LPs e CDs.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para curtir todo este tesouro ele conta com 22 toca discos antigos (todos em funcionamento), a exemplo da grafanola, que só pega a manivela; vitrolas de vários tipos e tamanhos, inclusive uma que se assemelha a um móvel de sala e até uma radiola de bolso (16 cm) a menor que existe (fabricada no Japão).

 

 

 

 

 

Comprei o aparelho [grafonola] em São Paulo, para conseguir ouvir as músicas [78 rpm]. Quando cheguei no aeroporto precisei desembalar  a grafanola, porque ela não foi identificada pelo raio X”.

 

 

 

 

O som desses toca discos antigos é muito diferente. Veja a qualidade. Não é bem melhor?”, argumenta. Em tom de afirmação. “Eu gosto de sentir a música, de conhecer a história do disco. Gosto até desse chiado da vitrola. E digo pra vocês: Vou permanecer por muito tempo ouvindo vinil”.

 

 

 

 

Nosso colecionador tem preferências pelos vinis que guardam histórias interessantes. “Meu preferido é o disco do Taiguara, que foi um dos artistas mais censurado da ditadura. Mais de 100 músicas do cantor foram proibidas de tocar

 

 

 

 

 

 

Ouça o disco na íntegra.

 

 

 

 

 

 

 

Pádua cita outro exemplo de censura. “Vou mostrar um disco que tem duas faixas riscadas. Foi a censura. Trata-se do LP ‘As aventuras da Blitz’.

 

 

 

 

 

 

 

 

Na contra capa do disco, os nomes das músicas 'Ela quer morar comigo na lua' e 'Cruel, cruel esquizofrenético blues' aparecem pintados de vermelho e a indicação que as faixas foram censuradas".

 

 

 

 

 

Ela quer morar comigo na lua” (Evandro Mesquita) # Blitz.

 

 

 

 

 

 

 

Cruel, cruel esquizofrenético blues” (Ricardo Barreto/Evandro Mesquita) # Blitz.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pádua, mesmo tendo suas preferências musicais por “Renato e seus Blue Caps”, “Elvis Presley” e “Beatles”, na escolha do seu acervo, nem sempre escolhe só pelo gosto pessoal. Mesmo assim os critérios contemplam a beleza das capas e curiosidades acerca do processo de gravação, período histórico, bastidores da composição... E por aí vai.

 

 

 

 

 

 

 

Outro disco citado por Pádua à revista de “Literatura, Arte, Cultura e algo mais” (foto acima) é “Domingo”, com Gal Costa e Caetano Veloso.

 

 

 

 

 

Ouça o citado LP na íntegra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E mais uma raridade. Trata-se de uma composição pouco conhecida - “Sem endereço” (Chuck Berry/Rossini Pinto [versão]) -, inserida no disco de Wanderléa, onde ela conta com o auxílio luxuoso de “Renato de seus Blue Caps”.

 

 

 

A música citada acima relata uma paixão por rapaz de Teresina – Piauí. “Quem é ele, nós continuamos sem saber”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No universo dos 15 mil discos do colecionador há um espaço especial reservado aos artistas piauienses a exemplo das bandas “Os milionários” e “Vênus" até a versão romântica de Frank Aguiar. O compositor/cantor João Só também marca presença entre os 15 mil.

 

 

 

 

 

 

 

Menina da ladeira” um dos grandes sucessos de João Só.

 

 

 

 

 

 

 

 

Abaixo a opção de ouvir o disco completo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pádua opinando sobre o piauiense Torquato Neto: “Em minha opinião ele é o maior letrista que já existiu”.

 

 

 

 

 

 

Finalizo destacando uma das minhas raridades preferidas - a coleção “100 Anos de Música Popular Brasileira” -, composta de 8 LPs, extraída da Série MPB ao Vivo, produzida por Ricardo Cravo Albin para o Projeto Minerva. À cada LP um encarte citando/comentando sobre os autores, intérpretes e as músicas selecionadas. A referida coleção foi recentemente relançada em CD, pelo selo “Discobertas”. Uma maravilha.

 

 

 

 

 

Capa do Volume 1 – Deste volume selecionei “Lua branca”, de Chiquinha Gonzaga/Domínio público, interpretada por Paulo Tapajós.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nossa relação com o colecionador vem de longos carnavais. Ele é nosso amigo, compadre (somos, com muito orgulho, padrinhos da sua filha Nayana) e cunhado (casado com Leila, irmã de Gregório).

 

 

Há quinze anos o maridão Gregório foi transferido para atuar no Banco do Brasil, em Campina Grande (PB). Não tínhamos como levar nossa biblioteca/discoteca completa, já que iríamos morar em apartamento. Deixamos os livros, devidamente empacotados, no sítio Tinhorão (propriedade do meu sogro). Já os nossos bolachões ficaram sob a guarda do nosso compadre Pádua. E, com ele, permaneceu até nosso retorno à capital do Piauí. Temos esta eterna dívida de gratidão.

 

 

Compadre Pádua como um grande amante da música foi, gradativamente, construindo sua fantástica coleção de discos. A tendência é que ela cresça a cada dia e, com a chegada próxima de sua aposentadoria, ele possa dedicar-se totalmente ao ofício prazeroso de colecionador e, também, encontrar a melhor estratégia de socializar o seu riquíssimo acervo com a sociedade piauiense e com mundo inteiro, inclusive via internet.

 

 

 

 

 

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Fontes:

- FELIZARDO, Nayara. “Histórias de colecionador”. In Revista Revestrés - Literatura, Arte, Cultura e Algo Mais. Teresina, nº 8, junho, 2013.

- 100 Anos de Música Popular Brasileira, nº 1.

- Site #radinha.

 

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Exibições: 1580

Comentário de Gregório Macedo em 23 julho 2013 às 2:34

O compadre Pádua é perdidamente apaixonado por seu ofício, e tem mais: coleciona outras coisas: tem estantes abarrotadas de miudezas as mais preciosas, de automóveis a o-que-se-puder-imaginar.

Dia desses, ao ouvir da Marisa, mãe de meu (outro) compadre Albert Piauí, que ela estava interessada em encadernar sua (dela, não do Albert) coleção de O Amigo da Onça, logo logo se adiantou: "Deixe comigo, que eu conheço o encadernador ideal!" É que ele está habituado a recorrer a artesãos diversos para realizar os mais variados serviços. Restauração de capas de elepês, por exemplo. Ele, com certeza, se inteirará dos detalhes da coleção, se encantará e tratará de fazer pesquisas em sebos Brasil afora em busca de um O Amigo... pro acervo dele. Se alguém merece ser chamado de garimpeiro cultural, esse cara é o compadre Pádua.

Quanto à Wanderlea, recordo-me de ter ouvido no rádio, na década de sessenta, canção que falava em certo "rapaz do Piauí": um fã da Ternurinha, autor de carta a ela endereçada. Desconheço o autor (da carta e da canção). Quanto a Renato e seus Blue Caps, que acompanhava Vandeca: o conjunto, então contratado pela CBS, fazia a base de muitos astros da Jovem Guarda, como Jerry Adriani, Wanderley Cardoso...  O Roberto, no começo, teve várias canções acompanhadas pelos Blue Caps, depois é que o Rei lançou o RC7. O Renato Barros, 'nome' do grupo, era/é guitarrista, cantor e ótimo compositor (a exemplo de Ed Wilson, seu irmão, que saiu do conjunto ali pelo terceiro LP para seguir carreira solo. Outro integrante do grupo foi o excelente baixista Paulo César Barros, que é também marcante vocalista e até hoje segue carreira solo. Os três irmãos Barros botaram pra jambrar durante a Jovem Guarda e depois dela! O lendário Ed Wilson faleceu há cerca de dois anos...).

Voltando ao compadre Pádua: dá gosto navegar no mar de músicas que ele, incansavelmente, amplia dia a dia.

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Nota: Fiz o comentário acima para o post (com o texto de sua matéria acima) publicado no blog Luis Nassif Online, e só agora vi o trabalho completo, onde consta inclusive a música do rapaz do Piauí (Chuck Berry, versão de Rossini Pinto). Fica sem efeito, em decorrência, o item em que afirmo desconhecer o autor da canção.

Beijos.

 

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