Minhas funções cerebrais nunca foram biativas. Nunca consegui atentar-me à duas ou mais coisas ao mesmo tempo. Se estou lendo, estou lendo. Se estou ouvindo, estou ouvindo. Vejo meus filhos e meus netos, estudando com fones no ouvido e fico pasmo. Não consigo concatenar a ideia de que alguém aprende matemática ou física ao som de bandas de roque ou violas sertanejas. Se estou lendo e alguém conversa comigo, simplesmente não escuto. Já fui chamado de deseducado por isso.

        Ontem, resolvi fazer uma experiência. Dirigi-me à minha sala de leitura, a qual eufemisticamente chamo de biblioteca e usando o meu costumeiro "uni-dune-tê-salamê-mim-guê-escolhi-você", das quatro estantes, aleatoriamente, peguei um livro. Justamente uma antiga edição, herdada de meu avô, em um exemplar só, enorme e pesado, "Les Provinciales" e "Pensées" de Blaise Pascal. Como era francês resolvi então ouvir Carmem de Bizet, cantada por Maria Callas, também em francês. Liguei os foninhos ao CD player, refestelei-me na poltrona e garrei a ler e ouvir. A Habanera, na voz de Callas, simplesmente divina.

        Até que deu certo. Só que agora, assim meio desparafusado, estou aqui a pensar: "L'homme n'est pas un oiseau rebelle ou c'est l'amour que n'est pas un roseau plus faible dans la nature, parce que l'homme est un oiseau qui pense etre un roseau pensant?"

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