paciente inglês, o deserto e pequenas luzes

Dizem que onde há amor em excesso falta visão política, entendendo-se por política o sentido relativamente à cidade, àquilo compartilhado socialmente. esse troço de dizem é muito vago, mas na dimensão do ordinary world, o dito até que cai bem, conquanto seja lembrado com um graozinho de sal. lembrar e esquecer que há cidades invisíveis aos gregos, iniciados ou cultivados.

nada melhor que o cinema para falar às multidões, ao coletivo ou a um grupo, sem obstruir o diálogo também reflexivo das conversas da alma consigo mesma.

no escurinho da varanda, vem a lembrança das cenas de um filme, algumas não tão óbvias; outras, de histórias previsíveis e longas demais.

se o filme às vezes chateia, às vezes co-move. a guerra é sempre o cenário terrível, como todas as guerras, para as figuras do amor, de múltiplas matérias, assimétrico, fragmentado. lá ressoa a música de Bach, inventada por Yared, tornando “romântica” aquela que nem barroca é (aos meus ouvidos). mas guerra é guerra, e grande parte das cenas de amor no cinema são próximas das cartas pessoanas.

eis a imagem radiosa do amor de Kip e Hana, provisório, mas feito luz pequena e possível num mundo desesperado. amor que pode dizer thank you, destacado, e em contraponto, da figura trágica do paciente sem rosto e sem voz, desmontando-se em agonia por entre as tramas da memória particular.

lembrando que sem Binoche, não haveria afrescos, talvez nem caracóis, que dessem conta do recado.



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Comentário de MariaDirce Cordeiro em 5 junho 2010 às 4:55
maravilhoso essa cena.esse filme eu tenho e adoro.tem tb aquela cena do paciente saindo com a mulher morta da rocha.tem várias.lindooooooo filme.
Comentário de Simone-Rosa Tupinambá em 5 junho 2010 às 6:23
a cena é especial, Maria Dirce.

gosto das tomadas do deserto, na outra cena.
Comentário de Hermê em 5 junho 2010 às 9:35
Ô sintonia!
Ontem eu estava na locadora, justamente atrás desta maravilha.
Lástima: as três cópias estavam alugadas, que os japas não são bestas.
beijo
Comentário de Simone-Rosa Tupinambá em 5 junho 2010 às 20:16
oi, meu amigão. aqui na minha página? quanta honra.

no filme gosto muito da interpretação do W. Dafoe (Caravaggio).

um beijão. merci.
Comentário de Liu Sai Yam em 6 agosto 2010 às 0:54
Os extremos e as proximidades não fazem regra, mas são contingências de situações desregradas, acho eu.

Num outro registro, totalmente diferente, me lembrei de outro filme que nem gosto muito, mas tem uma parte superbacana. É do Spielberg. O Pianista (?).

O oficial alemão que descobre o judeu escondido numa casa em ruínas e em vez de prender o fugitivo começa a lhe trazer comida e bebida, só pra ouvir o cara tocar piano. Recitais clandestinos. Vale o filme todo.

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