O diretor José Padilha aponta como um dos cineastas mais badalados no Brasil, especialmente em função dos seus filmes Tropa de Elite I e II; antes já se fizera conhecido com o documentário Ônibus 174 (2002) e foi inclusive a partir desse filme que surgiu a ideia de Tropa de Elite. Sobre o diretor diria que está em fase de descoberta e de crescimento, muito mais pelo apelo mercadológico do seu trabalho do que pelas sua postura, muitas vezes contraditórias e antiéticas. Quando falo antiética me refiro muito mais a sua direção em filmes como Garapa (2009).
Quanto a sua postura política, diria que é um sujeito "em cima do muro", com o discurso de neutraliadade, mas que, ao mesmo tempo afirma que faz um cinema político; se assim o faz, então não é neutro, pois a neutralidade, se for considerar a rigor, já é uma postura politica.
O seu trabalho com o Ônibus 174 me motivou a fazer um projeto de tese sobre a construção do personagem Sandro. Minha escolha é muito mais do ponto de vista cinematografico, do que pela direção ou postura política do diretor.
Mas, voltando ainda ao tema Padilha e Tropa de Elite I e II, diria que o cineasta aposta numa linha tipicamente comercial e utiliza de argumentos para dizer que faz filme político; em parte pode ser verdade e, por outro lado, é pura estratégia comercial e de marketing, o que não deixa de ser política.
Sobre os comentários de Padilha, especialmente com base na reportagem da UOL, de Alessandro Giannini, diria que a sua postura de neutralidade não convém, pois em geral todo aquele que se diz neutro geralmente pende à direita; além do mais é uma postura de quem se coloca em cima do muro; ainda a julgar por outra fala do diretor, se "faltou coragem ao candidato Serra", como ele afirma, sua postura de cima do muro já está explicada, pois é mesmo o lugar daquelas aves do bico grande.
Quanto aos dois filmes Tropa de Elite, o primeiro apresenta um viés fascista, quando faz apologia à policia e a seus atos de crueldade para enfrentar os criminosos pobres; Tropa de Elite II denuncia a policia corrupta, os politicos e o Estado; nesse caso já não faz apologia a policia e tenta passar uma ideia de neutralidade perante os fatos, de modo a se colocar acima do bem e do mal, além de construir o personagem representante dos direitos humanos como um ingênuo e ao mesmo tempo oportunista.
Para finalizar, uma pergunta: independente de estratégias comerciais, de produção e de marketing, por que será que a Veja tem grande simpatia pelos filmes Tropa de Elite e pelo seu diretor? Será que isso tem a ver com o próximo filme de Padilha que, por acaso, será contra Lula e o PT?

Exibições: 65

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2019   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço