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Panorama e Perspectivas para as Bibliotecas no Brasil

Esse post, um dos raros desse blog, é dedicado ao "Bloguinaço em Defesa da Rede de Bibliotecas Comunitárias da Região Metropolitana do Recife". Veja o vídeo abaixo para maiores detalhes sobre tal 'movimento digital'.

http://www.youtube.com/watch?v=hrLwgzu6eu0&feature=player_embed...!

A ajuda à Rede pode ser em forma de doação de equipamentos, trabalho voluntário ou apoio financeiro. Para depósitos: Caixa Econômica Federal / Conta corrente número: 544-5 / Agência: 2193 / OP: 003. Mais informações pelos telefones (81) 3244-3325 / 8850-5507.

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Creio que, no Brasil, seja perceptível um crescente fortalecimento de iniciativas da sociedade civil no plano literário. Projetos como a Cooperifa, em São Paulo, a Rede de Bibliotecas Comunitárias do Recife, conseguiram aos poucos se firmar, tendo assim uma continuidade que, espero, possa vir a auxiliar também na criação de uma verdadeira 'política de leitura do mundo', construída em conjunto entre os diferentes envolvidos nessa teia artística.

Em São Paulo aconeteceu, na semana passada, o III Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias e o III Fórum do PNLL. O simples fato de se agregar esferas governamentais distintas (estadual & federal ; educação & cultura) já seria algo a ser valorizado; a inserção de algumas iniciativas na área de Bibliotecas Comunitárias, ainda que por ora seja de baixa incidência, é um esforço a ser considerado; sinal de reconhecimento para com esses verdadeiros Transformadores Sociais da peri phereia.

Ainda no plano dos eventos, pode-se destacar o começo de aproximação que o Sistema Municipal de Bibliotecas Públicas de São Paulo fez no primeiro semestre desse ano. Com o tema "Ações de leitura, bibliotecas e comunidades", o cotidiano de aproximação entre as bibliotecas paulistanas e o seu entorno nos foi apresentado - se quiserem, podem conferir por aqui parte do que lá foi mostrado. Foi importante verificar que o Sistema tem a preocupação de, ao menos, tentar se aliar as "Bibliotecas Agregadas", como são descritas no decreto que possibilita atividades conjuntas, nessa área, entre o Estado e os seus governados. Na ocasião, o Secretário de Cultura, Carlos Augusto Calil, chegou a mencionar que a criação de algo na linha do VAI (programa cultural específico para pessoas físicas, visando facilitar o fomento de atividades culturais pelo público de baixa renda), que atendesse especialmente as Bibliotecas Comunitárias, não seria uma má idéia. Esta aí uma boa sugestão sobre o assunto.

Na semana que vem, no Recife ocorre o 8º Festival Recifense de Literatura - a Letra e a Voz, que irá abordar o tema de Redes de Leitura e Políticas Públicas, contando com experiências de 'culturas periféricas' em meio a sua programação: Ferréz vai representar a experiência paulistana, e o pessoal da Rede de Bibliotecas Comunitárias do Recife também é parte integrante dessa empreitada. A cidade do Recife, aliás, tem no 'Programa Manuel Bandeira de Formação de Leitores' um exemplo estimulante para políticas públicas na área de leitura; vale a pena conhecer mais sobre ele.

A academia não está fora desse contexto. A crescente produção sobre o tema 'Bibliotecas Comunitárias' pode ser uma continuação do temário 'Bibliotecas & Sociedade', anteriormente iniciado em várias escolas de Biblioteconomia, Brasil afora. Tivemos a chance de criar uma rede social de apoio a essas iniciativas, a Rede Brasil de Bibliotecas Comunitárias (RBBC), e, por ora, além de contarmos com diversas discussões e articulações entre os seus membros, além de fotos e vídeos desses espaços culturais, conseguimos começar a delinear uma linha de pesquisa sobre o assunto, tendo bolsistas para atualização e acompanhamento da RBBC, na USP e na UNIRIO. Oxalá tudo isso seja só o começo.

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Pra acabar, vou deixar alguns 'pitacos', tendo em vista ações e políticas recentes na áea de leitura & bibliotecas.

O Governo, mais uma vez, acenou para a possibilidade da criação de um novo órgão semelhante ao extinto Instituto Nacional da Leitura - o INL - que, lembremos, foi trucidado na breve era Collor. Acredito que deva ser pensada para tal agência uma nova estrutura, articulada diretamente às exigências da sociedade civil, e que perspasse as perspectivas de produção, acesso, distribuição e, pq não, também a 'apropriação' da leitura (impressa ou digital) por parte do público. Temas emergentes como a literacia (letramento, para alguns) podem nos mostrar trilhas ainda não devidamente exploradas por nossas políticas; há muito aqui a se discutir.

Para não perdermos a chama que urge hoje no 'imaginário popular', deve ser eleborada uma política de fomento específico para iniciativas de pessoas físicas na área de leitura, e também a devida preparação técnica para proposição de projetos por parte desse público, bem como a criação de uma estrutura de acompanhamento das iniciativas contempladas. Hoje vemos um pouco disso, como já disse acima, em projetos como o VAI, em São Paulo, ou nas oficinas de capacitação que o MinC vem desenvolvendo no país, ao mesmo tempo em que vários editais para Bibliotecas Comunitárias e Pontos de Leitura tem sido abertos.

Por fim, é urgente que criemos uma estrutura significativa para o planejamento e realização de políticas em relação aos sistemas de bibliotecas no Brasil. A elevação administrativa do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas é necessidade premente; e um plano de articulação entre os diferentes sistemas de bibliotecas é uma idéia que também poderia ser discutida numa eventual Conferência de Políticas Públicas para Bibliotecas no Brasil - recentemente houve uma 'Pré-conferência Setorial de Leitura', na qual a Fundação Biblioteca Nacional participou, ressaltemos.

Acima de tudo, acredito que são boas as perspectivas para as bibliotecas no país. O censo do Minc e da FGV sobre as Bibliotecas Públicas Municipais, se devidamente continuado e aperfeiçoado (para ficar nos moldes de estudos semelhantes realizados nos Estados Unidos, por exemplo) é um bom guia para o acompanhamento dessa área no Brasil. Poderia haver, por exemplo, a criação de um canal governamental, mesmo que virtual, para uma ampla divulgação e discussão sobre experiências na área de leitura - com a participação dos bons exemplos nacionais ainda não devidamente divulgados e discutidos - casos do Sistema de Bibliotecas Públicas de São Paulo, a Rede Escolar de Bibliotecas Interativas de São Bernardo do Campo, o já mencionado Programa Manuel Bandeira de Formação de Leitores, no Recife, ou mesmo no plano internacional, o programa BiblioRedes do Chile.

A área de Bibliotecas Universitárias, que conta hoje com o evento melhor estruturado na área de Biblioteconomia no país (o SNBU), poderia agregar muito às políticas a serem pensadas nessa área. Das Bibliotecas Comunitárias, devemos assimilar a energia criativa, muitas vezes voluntária, de seus organizadores e articuladores. Nesses espaços é a 'ação cultural' que age como norteador, e isso é o que devemos ter em mente na elaboração de nossas políticas para leitura e bibliotecas no Brasil.

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Esse post acabou ficando maior do que eu planejava... Agradeço a você que chegou ao fim dessa 'aguda elucubração'; em breve, tentarei nesse espaço tratar algumas das questões citadas acima.

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Publicado Originalmente em: http://abrapira.posterous.com/panoramas-e-perspectivas-para-as-bibl...

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