Paquita é mais um balé que se perdeu no tempo. Sua estréia em 1846, com coreografia original de Joseph Mazelier, foi feita para mostrar as habilidades da grande bailarina, Carlota Grisi. Dizem que ela dançou Giselle como ninguém, mas essa eu nunca vi ao vivo .Os franceses (sempre eles), com o passar dos anos, o esqueceram e os russos o encenaram, no decorrer do século XIX, com alterações sugeridas por Marius Petipa.

Em 2001, Pierre Lacote ressucita o balé para a Opera National de Paris (sempre ele, já tirou do esquecimento A Filha do Faraó) , refazendo a coreografia em sua pantomima original. Busca o estilo dos balés românticos, com sua dança característica e figurinos de época. Abusa do virtuosismo, mantém as valsas, mazurcas e principalmente o Gran Pas (passagem mais conhecida do balé).

O romantismo tinha uma queda pelo exótico, lugares longínquos e culturas distantes. A escolha é a ensolarada Espanha no tempo das invasões napoleônicas. Desfilam ciganos , generais e pessoas comuns. O libreto é simples, Paquita é raptada quando criança por ciganos, seus pais são assassinados. Na juventude, apaixona-se por Lucien ,filho de um general. Sua condição social, no entanto, não permite que ela se case com ele. Inigo é o chefe da ciganaiada e quer Paquita pra si, para tanto une-se com Mendoza para matar Lucien. Paquita descobre a trama e salva o amado. Uma foto de seu pai , que ela guarda desde a infância, prova que Paquita é de origem nobre, na verdade prima de Lucien. Enredo de novela das seis, todos acabam felizes, termina a história e as danças se acumulam por exatos e eternos 40 minutos. Número atrás do outro, oportunidade para todo o corpo de balé se exibir.

A música original de Edouard Deldevez e Ludwig Minkusv foi revisada e completada pelo maestro David Colleman. Segue o estilo açucarado dos balés românticos, mantém-se fiel a proposta de transportar a ação para a Espanha do século XIX, conseguindo seu intento. Os figurinos impecáveis e os cenários limpos fazem a história fluir, enquanto que as câmeras captam a ação com tomadas e ângulos interessantes.

Agnès Letestu me deixou confuso nessa apresentação, sua técnica é primorosa, seu virtuosismo acentuado, uma bailarina que parece flutuar, mas falta algo. Sua Paquita carece de emoção, de expressão. Sua face, geralmente rígida , prejudica a transmissão de emoções e sentimentos. Quem está no treatro provavelmente não perceba esse detalhe, mas o vídeo entrega. José Martinez cumpre com a missão de fazer um Lucien "mauricinho", bonitão e conquistador. Seus saltos estonteantes levam ao delírio a platéia. Karl Paquette faz um Inigo assustador, consegue transmitir a alma do personagem, não mede esforços para ter Paquita em seus braços. Assustador pela movimentação corporal, pelo jeito de caminhar e pelas expressões demoníacas.

Paquita consegue, com essa recriação, nos transportar a uma época romântica, onde o gosto pelo exótico era moda. Balé do século XXI com cara e jeito do século XIX.

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