para minha avó MARIA FRANCISCA PEREIRA MARINHO de MARIA PRESTES ( Maria do Carmo Ribeiro )

" ...Estamos seguros de que a vida e a luta de Prestes não só estão ligados à historia contemporânea brasileira como servirão de exemplo a todos patriotas que aspiram à liberdade, à paz e à justiça social no Brasil e no mundo "

MARIA DO CARMO RIBEIRO
Militante da Juventude Comunista Brasileira, casou-se com Luís Carlos Prestes em 1950


minha avó MARIA FRANCISCA PEREIRA MARINHO , Medalha UPPE
MARIA FRANCISCA PEREIRA MARINHO ( 1909 - 1998 ), a irmã de JILDO

O entusiasmo de Maria Francisca Pereira Marinho, com 36 anos na época, contagiou as demais professoras que se reuniram numa tarde de agosto de 1945, na tentativa de serem recebidas no Palácio do Ingá, Sede do Governo Intervencionista que representava a ditadura do Presidente Getúlio Vargas.

O descaso dos governantes de então, não tão diferentes dos de hoje, quando se trata de atender reivindicações de professoras para obtenção de melhorias de condições de trabalho, foi flagante, consta de relatos da época. Mas a professora MARIA FRANCISCA PEREIRA MARINHO não se arrefeceu e , ali mesmo, na porta do Palácio do Governo, para onde tinha conduzido os 150 colegas, vindos de toda parte do Estado do Rio, discursou inflamadamente sobre a premente importância da criação de uma entidade representativa da categoria ...

A proposta foi adiante e no dia 8 de setembro 1945, durante reunião, realizada no Club dos Funcionários " com membros do magistério, com o objetivo de tratar exclusivamente dos interesses da classe ". como consta da Ata de fundação da Entidade. Como seria natural MARIA FRANCISCA, a primeira Presidente da Entidade " Partido da Educação ", defendendo a bandeira de todos os professores

MARIA FRANCISCA, que colocou todo o conhecimento político , adquirido através da conceituada família, cujos membros tinham tradição na política de Democratização do Brasil ... merecidamente, dá nome ao Prêmio UPPE Medalha Maria Francisca Pereira Marinho


' a ARVORE na Intimidade " ( DM )
minha avó Maria Francisca Pereira Marinho é a irmã de Astrojildo Pereira ( filhos de Isabel e Ramiro , meus bisavós , avós de minha mãe ) Astrojildo Pereira Duarte Silva (Rio Bonito, 1890 — RJ 1965) escritor, jornalista, crítico literário e político brasileiro, Fundador do Partido Comunista do Brasil, em 1922



É preciso sacudir pelas entranhas os cegos que não querem ver e os surdos que não querem ouvir. Entre outras razões, porque não queremos que o Brasil se transforme num país de mudos.

Astrojildo Pereira

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Astrojildo Pereira continua a pagar o preço de sua opção filosófica e de sua ação de militante revolucionário, de fundador do PCB e seu 1º secretário-geral. Nunca esteve ao lado dos poderosos, da classe dominante: nada mais compreensível do que ser banido da cultura "oficial", dos meios acadêmicos.

José Paulo Netto (cientista social, MG)
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Visitem o site da Fundação: http://www.fundacaoastrojildo.org.br/

Astrojildo Pereira

Astrojildo Pereira Duarte Silva nasceu em Rio Bonito (RJ), em 1890.
Ainda jovem iniciou sua militância em organizações operárias de orientação anarquista, tendo sido um dos promotores, em 1913, do II Congresso Operário Brasileiro. Iniciou na imprensa operária sua carreira de jornalista, atividade a que se dedicaria durante a maior parte de sua vida. No final de 1918, participou dos preparativos de uma frustrada insurreição anarquista e, por conta disso, foi preso.

Com a vitória da Revolução Russa, em 1917, começou a afastar-se do anarquismo.
Em 1922, participou do congresso de fundação do Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB), em Niterói (RJ). Em seguida, foi eleito secretário-geral da nova organização e nessa condição fez sua primeira viagem à União Soviética, em 1924. No ano seguinte, o PCB iniciou a publicação do jornal A Classe Operária, que teve Astrojildo e Otávio Brandão como principais redatores. Em 1927, encarregado pela direção do partido de buscar contato com Luís Carlos Prestes, exilado na Bolívia, para propor-lhe entendimentos políticos, entregou ao líder tenentista, nessa ocasião, diversos volumes de literatura marxista. Ainda nesse ano o PCB passou a estimular uma política de frente eleitoral com outros setores de esquerda, o que acabou resultando na criação do Bloco Operário, posteriormente rebatizado de Bloco Operário e Camponês (BOC). Em 1928, passou a fazer parte do Comitê Executivo da Internacional Comunista, eleito no VI Congresso da entidade.

Entre fevereiro de 1929 e janeiro de 1930 permaneceu em Moscou, de onde voltou com a orientação de proletarizar o PCB, ou seja, promover a substituição dos intelectuais da direção do partido por operários. Em novembro de 1930, o processo de proletarização acabou atingindo o próprio Astrojildo, que foi afastado da secretaria-geral. No ano seguinte, desligou-se do PCB, após breve período de atuação junto ao seu Comitê Regional de São Paulo.

A partir de então, dedicou-se durante muitos anos aos negócios particulares herdados do pai e, já como crítico literário reconhecido, colaborou no jornal carioca Diário de Notícias e na revista Diretrizes. Em 1944, publicou Interpretações, obra em que reunia estudos sobre literatura, com destaque para o artigo "Machado de Assis, romancista do Segundo Reinado".

Em 1945, foi delegado do Estado do Rio ao I Congresso Brasileiro de Escritores, realizado em São Paulo, e um dos redatores da declaração de princípios do encontro, marcada por críticas à ditadura de Vargas. Ainda em 1945, retornou ao PCB e, desde então, passou a colaborar intensamente com a imprensa partidária. Dirigiu as revistas Literatura, Problemas do Socialismo e Estudos Sociais, e colaborou com o jornal Imprensa Popular e com a revista Novos Rumos.

Em 1964, foi preso após o golpe militar daquele ano, tendo permanecido na prisão por três meses, já em estado de saúde precário.

Morreu no Rio de Janeiro, em 1965.




"JILDO", UM REVOLUCIONÁRIO CORDIAL
Autor: José Roberto Guedes de Oliveira

Muito bem antes de Ernesto “Che” Guevara lançar ao mundo a célebre frase idealista “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”, um então revolucionário do interior do Rio de Janeiro fazia de sua vida a expressão máxima dessa afirmativa. E não foi sem razão que o general-escritor Nelson Werneck Sodré lhe atribuiu, mais além de uma inabalável e irremovível fé ideológica, uma característica de personalidade marcante, que o tornou digno sempre da admiração de todos: “como criatura humana Astrojildo Pereira representa um tipo singular, em cuja personalidade se harmonizam a tolerância e a intransigência, a grandeza e a modéstia; a extensão e a profundidade; tolerância ao erro humano e intransigência na defesa dos princípios; grandeza na fidelidade às convicções e na capacidade de apreender a realidade e modéstia na conduta e no entendimento com os outros; extensão de conhecimentos que não se desligou jamais da profundidade e lhe permitiu sempre distinguir com clareza o essencial do secundário”.

Como estudioso da vida e das obras de Astrojildo Pereira (1890-1965), não poderia deixar de tecer alguns comentários, em vista do excepcional trabalho escrito pelo prof. Martin Cézar Feijó, da FAAP, de São Paulo, e lançado pela Boitempo Editorial.

Precisamente agora, quando nos encontramos numa escalada surpreendente de embates, a figura de Astrojildo Pereira nos concede um caminho de retidão, de compreensão e de meditação nos destinos do Brasil e da humanidade. Foi e sempre o será uma fórmula capaz de transformar e apazigar espíritos, a mensagem deixada por este revolucionário riobonitense – ainda merecedor de uma estátua central na sua pacata cidade natal (que isto chegue aos ouvidos da administração de Rio Bonito-RJ).

Quando, com a voz embargada, Otto Maria Carpeaux pronunciava o seu tocante panegírico, naquele 21 de novembro de 1965, no cemitério de Maruí, em Niterói, Inês Dias Pereira, a eterna e inseparável companheira de Astrojildo Pereira não se sentia só desolada, mas apartada daquele que lhe fora uma doce criatura. A sua saúde debilitada ainda lhe permitia, ao final da homenagem póstuma, gritar a todos ouvidos: “Viva Astrojildo Pereira!”. Meses depois, a dileta filha do célebre anarquista Everardo Dias, juntava-se ao seu querido “Jildo”.

Compreender o principal fundador do PCB, seu 2º Secretário-Geral (o 1º , por alguns meses, fora Abílio de Nequete, em 1922) é uma tarefa gigantesca e de muitas dimensões, pelo que ele representa e representou no contexto social e revolucionário em pelo menos quatro décadas do início do século XX. Toda a sua vida foi uma paixão: pelas suas idéias e ideais e pela sua Inês Dias.

A trajetória de Astrojildo Pereira passa pelo anarquismo, até 1919 e, em 1922, pelo comunismo, um período de exclusão do PCB (1931 a 1945) e a volta, com a declaração de sua “mea culpa”. Em toda a sua luta, jamais deixou de estudar e produzir trabalhos, mesmo quando amargando um ostracismo, vivendo de uma pequena quitanda que lhe rendia alguma coisa para sobrevivência. Neste período, dizia ele anos mais tarde: “Vivi assuntando, somente assuntando”.

Não foi nada anormal quando, em 1964 lhe invadiram a sua modesta casa, em busca de não se sabe o quê, apenas encontrando livros, jornais, revistas e anotações: um sacrilégio cometido pela repressão militar a um homem enfartado, simples, cordial e que merecia o respeito de todos. As exceções são assim mesmo: não medem consequências e a história registra como dias de horror.

Não houve, em momento algum, desafetos para com Astrojildo Pereira. Mesmo que alguns estudiosos tentem indispo-lo contra Octavio Brandão, as fortes evidências que mantenho em meu acervo sobre o escritor er revolucionário alagoano, posso assegurar de uma intimidade duradoura, forte e indissolúvel. Claro que Brandão era polêmico (e o foi a todo instante), mas não recordo de ódio ou rancor dessa figura sofrida. Foram apenas expressões que o criador de Canais e Lagoas pronunciava, mesmo aos que lhe foram mais próximos: Jorge Amado, José Olímpio e Luiz Carlos Prestes, por exemplo.

O autodidata Astrojildo Pereira, que não pertenceu a uma Associação Brasileira de Letras, sendo poliglota, ensaísta, jornalista (dos mais puros e férteis), revolucionário, teórico do socialismo científico, fundador e dirigente do PCB, até poeta nos tempos de anarquista, não trazia debaixo do braço qualquer arma, a não ser o seu inseparável jornal; à cabeça, uma infinidade de idéias e um chapéu (desses tipo Ramenzoni). Não deixou descendentes, mas uma mensagem de amor. A fala mansa, o poder de compartilhar com todos, não fugindo de seus princípios e ideais adotados, além de ser uma das maiores autoridades sobre Machado de Assis e Lima Barreto, fê-lo um homem de fibra, com a vocação da brasilidade. Pena é que, ainda, pouca coisa se saiba sobre a trajetória de Astrojildo Pereira e sua influência na transformação social do Brasil.

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Comentário de Delcio Marinho em 3 novembro 2009 às 6:50

Comentário de Delcio Marinho em 3 novembro 2009 às 8:09

Comentário de Delcio Marinho em 3 novembro 2009 às 8:17




Comentário de Delcio Marinho em 3 novembro 2009 às 11:25


" Eu nasci na casa onde foi fundado o Partido Comunista ". Quem costuma dizer essa frase é Norma Pereira Dias, sobrinha de Astrojildo Pereira, o fundador do PCB, em março de 1922, em Niterói. Como se isso não bastasse, D. Norma - uma antiga campeã de voleibol pelo Flamengo - resolveu ingressar no Partido Popular Socialista, agremiação originária do PCB criado por seu tio Astrojildo. E o fez em grande estilo: em um domingo de sol, no Rio de Janeiro, ninguém menos do que Roberto Freire, Presidente do PPS, assinou sua ficha de filiação ao Partido, assim como aquela de Délcio Marinho, sobrinho-neto do velho Astrojildo. É a tal história: os bons filhos à casa tornam... Norma Pereira Dias foi recebida por Roberto Freire e a mulher, Mariza, para um café da manhã em um hotel localizado no Posto Seis, em Copacabana. Figura humana extremamente afável, D. Norminha, como é mais conhecida, acompanhou em seguida a passeata que o seu Partido promoveu em torno de Fernando Gabeira, candidato da coligação PV-PSD-PPS à Prefeitura do Rio de Janeiro. E ficou encantada com o que viu, realçando o entusiasmo das pessoas presentes. Outra prima sua, D. Daily Marinho, também sobrinha de Astrojildo Pereira, demonstrou vontade igualmente de aderir ao Partido, confessando sua "grande admiração por Roberto Freire". D. Norminha pretende contribuir, em particular, para a lutas das mulheres organizadas dentro do Partido. Já o sobrinho Délcio Marinho, que é artista, revelou que buscará se aproximar do trabalho da Fundação Astrojildo Pereira, o braço cultural do PPS.
Délcio lembrou que "pertencera ao Instituto Astrojildo Pereira nos anos 80, quando o PCB veio para a legalidade". E é preciso dizer que D. Norminha teve uma participação decisiva no documentário A casa de Astrojildo, produzido pela Fundação Astrojildo Pereira em homenagem ao grande revolucionário e crítico literário. O filme foi dirigido por Ivan Alves Filho, também presente ao encontro, assim como sua mulher, Elaine. Roberto Freire comemorou as duas filiações, "até pelo seu caráter simbólico". "Para nós", disse ele, "a herança de Astrojildo Pereira é sempre muito querida e seus familiares são também um patrimônio nosso

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