"Para que servem poetas em tempos de indigência?"

Brot und Wein

Hölderlin

sétima estrofe

Tradução Maria Teresa Dias Furtado, em Elegias, da Assírio e Alvim

Mas nós, amigo, chegamos demasiado tarde. Certo é que os deuses vivem,
Mas acima de nós, lá em cima, noutro mundo.
Aí o seu domínio é infinito e parecem não se importar
Se estamos vivos, tanto nos querem poupar.
Pois nem sempre pode um frágil vaso contê-los,
O homem apenas algum tempo suporta a plenitude divina.
Depois toda a nossa vida é sonhar com eles. Mas os erros,
Tal como o sono, ajudam, e a necessidade e a noite fortalecem,
Até que haja suficientes heróis, criados em berço de bronze,
De coração corajoso, como dantes, semelhantes aos Celestiais.
Depois eles chegam, trovejantes. Entretanto penso por vezes
Que é melhor dormir do que estar assim sem companheiros,
Nem sei perseverar assim, nem que fazer entretanto,
Nem que dizer, pois para que servem poetas em tempo de indigência?
Mas eles são, dizes, como sacerdotes santos do deus do vinho
Que em noite santa vagueavam de terra em terra.

Friedrich Hölderlin

Nasce a 20 de Março de 1770 em Lauffen, junto ao rio Neckar e falece a 7 de Junho de 1843 em Tübingen. Durante todo o século XIX ficou praticamente esquecido. Friedrich Nietzsche, porém, tem por ele uma grande admiração . Chama-o o seu “ liebling Dichter.” É já em pleno século XX que a sua poesia é redescoberta e valorizada. Hoje, Hölderlin é considerado um dos maiores poetas líricos da poesia alemã e universal. A sua obra tem na literatura alemã do fim do século XVIII princípios do XIX uma posição autónoma ao lado do Romantismo e do Classicismo de Weimar ( Goethe, Schiller ), então em voga.

Em 1807, aos 37 anos,Hölderlin enlouquece para sempre. Morreu em 7 de Junho de 1843.




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Postado por Elizabeth no Viva Babel! em 8/13/2010 08:35:00 PM

Exibições: 221

Comentário de elizabeth em 14 agosto 2010 às 1:57
Comentário de Cafu em 14 agosto 2010 às 1:57
"Poeta, o que fazes? - Eu celebro." # Rainer Maria Rilke - Augusto de Campos

Para celebrar a indigência, com certeza, não é. Quem sabe a possibilidade de superação da indigência e, sobretudo, a vida para além da indigência.

Beijos.
Comentário de elizabeth em 14 agosto 2010 às 2:05

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