Partindo da antiguidade, Fernando Báez avança no tempo e relata como e porque, em diversas épocas de nossa História, a humanidade destruiu milhares de livros e documentos. Até o filósofo Platão queimou alguns de
seus próprios livros, e livros de outros autores: seu raciocínio o
levava a afirmar que o conhecimento deveria se restringir à mente; a
manutenção do conhecimento por escrito poderia impedir que o homem
buscasse mais saber. Muitas obras foram destruídas por pura vaidade de
seus autores, ou de seus rivais. Até James Joyce foi alvo da sanha
destruidora que dizimou todo um acervo bibliográfico. Seu livro de
contos, Dublinenses, teve a primeira edição publicada em 1912.
Mil exemplares foram impressos, e 999 foram queimados pelo impressor,
John Falconer “porque lhe pareceu que o livro não tinha linguagem
apropriada.” O livro foi reeditado em 1914.

Báez conta também que Jorge Amado teve problemas com uma de suas obras. Depois de citar que o peruano Mario Vargas Llosa e o irlandês James Hanley passaram por
dificuldades com a censura e tiveram obras destruídas. O autor
venezuelano diz que “O terceiro autor (a ter problemas com a censura) é o
marxista brasileiro Jorge Amado, autor de Dona Flor e seus dois maridos.
Mil e setecentos exemplares de um romance seu foram queimados por ordem
direta do ditador Getúlio Vargas.” O estudioso também fala da recente
destruição de livros no Iraque, resultado dos bombardeios
norte-americanos no país, que também destruiu museus, universidades e
outros centros culturais. Com eles, muitos documentos com centenas e até
milhares de anos de existência (e informação!) foram “exterminados”.
Perda irreparável para a humanidade...

A difusão da leitura, da escrita e do livro tornou-se diretriz da política cultural do Estado e de inúmeras ONG’s. Editais, feiras, festas e bienais, leis de incentivo,
subsídios públicos e privados, bem como pesquisas acadêmicas são o
termômetro desse fato. As temperaturas aferidas têm apontado para o
alto, o que não significa que essa política seja uniforme e de
resultados efetivos.

Livros, leitura e escrita, como objetos e práticas, têm a sua História e nela estão inclusas criação e destruição. É desta que trata o livro do venezuelano Fernando Báez: História universal da destruição dos livros.
O período analisado é longo e serve de subtítulo: “Das tábuas sumérias à
guerra no Iraque”, conferindo à obra um caráter panorâmico e político,
dado que a guerra citada motivou, paradoxalmente, a sua criação. O
conceito de livro, para Báez, é sinônimo de impresso, independentemente
da técnica ou do suporte, expandindo, assim, os conceitos de escrita e
leitura.

Visitando o Iraque em 2003, para investigar a destruição de bens culturais daquele país após a invasão dos Estados Unidos, Báez deparou-se com Emad, um jovem estudante de História na Universidade de
Bagdá, que lhe perguntou: “Por que o homem destrói tantos livros?”.
Apesar de ser um especialista, Báez silenciou naquele momento e a
resposta veio em forma de livro um ano depois. O seu relato é o de uma
autoridade no campo da História das bibliotecas e também o de um
apaixonado pelos livros desde a infância.

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