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Antes do Teatro Musicado, do Disco e do Rádio, as Partituras eram o melhor meio de divulgação de Composições. Em suas capas, verdadeiras embalagens para atrair o consumidor, aparecem às primeiras interpretações visuais da MPB.






Chiquinha Gonzaga conseguiu seu primeiro sucesso com a polca “Atraente”, de 1877, depois de colocar alguns garotos para venderem as partituras, pelas ruas do Rio de Janeiro. Era a melhor maneira de tornar conhecida uma composição nova, pois o interesse por música era, então, bastante disseminado.




Desde o século XIX, aprender música fazia parte da boa educação, e era comum nas casas abastadas a presença do piano, ao redor do qual se realizavam reuniões familiares e saraus.

Nesse mesmo período, até praticamente metade do século XX, o teatro musicado espalhava muitos sucessos de música popular. É nesse ambiente que a edição e comércio de partituras crescem, ampliando o número de casas especializadas no Rio de Janeiro, São Paulo e em capitais como Porto Alegre, Recife e Belém.

Com o intenso comércio de música impressa, as capas das partituras passam a ter grande importância na divulgação do produto. A princípio se restringindo às informações gerais da composição (os nomes da música, compositor, gênero e editor). No fim do século XIX e início do século XX, as capas já aparecem com ilustrações, desenhos e caricaturas.

Desde seu surgimento em partituras, o samba sempre teve ricas e sugestivas molduras, como era próprio do gênero. Nessas primeiras embalagens, letras e temas musicais eram traduzidos, com humor e espontaneidade, para as formas visuais de interpretação do samba.

Um dos recursos mais utilizados nas partituras, a caricatura tinha “público fiel”, acostumado que estava a revistas como “O Malho”, “Careta” e “Fon-Fon”.


Romano, famoso caricaturista da época, foi o ilustrador da partitura do samba “Chorei”, de André Filho, parceiro de Noel Rosa, no samba “Filosofia”, e autor de “Cidade Maravilhosa. (Foto acima).

Outros nomes destacaram-se na criação das capas de partituras: Belmonte, Umberto della Latta, Clóvis, Guevara, Acqua (Orestes Acquarone), Mendes, Sandro, entre outros.

A partir dos anos 30, as partituras e sua arte perderam a importância como meio de divulgação de música. Com a chegada do rádio, o produto de maior sucesso passa a ser o disco.


CONFIRAM ABAIXO ALGUMAS CAPAS DE PARTITURAS BEM SUGESTIVAS.






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Fonte: História do Samba - Fascículos publicados pela Ed. Globo, 1998.

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Exibições: 598

Comentário de Cafu em 26 maio 2009 às 0:57
Que capas maravilhosas! Merecem uma exposição só para elas.
Beijos.
Comentário de Gregório Macedo em 26 maio 2009 às 4:40
A Cafu (que bom tê-la de volta!) já disse tudo.
Beijos.
Comentário de Helô em 26 maio 2009 às 12:08
Laurinha
Para mim, são imagens inéditas! E lindas!
Estou fascinada com as partituras. Tem mais? :))
Beijos.
Comentário de Laura Macedo em 26 maio 2009 às 20:25
Que bom que vocês gostaram! Eu também amei todas, especialmente a do samba de Sinhô, "Gosto que me enrosco", música que coloquei, recentemente na "A Canção no Tempo", lembram?
Pena não ter mais :(((((
Com este "ibope" garantido, se um dia encontrar em outra fonte, publico na hora. :)))))
Beijos.
Comentário de Cosme Damião de Souza Marinho em 31 maio 2009 às 0:36
Para os nossos dias, é quase inacreditável: comércio intenso de partituras impressas de música popular, com capas artística e criativamente elaboradas!
Mudamos muito, não?
Comentário de Laura Macedo em 31 maio 2009 às 2:27
Pois é Cosme, realmente mudamos muito. Pena que tenha sido para pior :((((
A caixinha plástica reduziu bastante o espaço da criação gráfica.
Abraços.

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