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São Paulo por Archimedes Lazzeri meu brother, cruzando as várias avenidas Ipirangas e São João da vida, o nosso amor pela cidade mais brasileira de todas, mesmo assim como diz Archimedes uma Babel que se comunica, com alma, coração, cheiros, brasileiros e brasileiras está é Sampa.
Bom texto recomendo, abs. Bravin

PAULISTANO SIM, BANDEIRANTE NÃO!
Archimedes Lazzeri


Ela não dorme, é efervescente, assustadora e acolhedora. Tem gente de todos os cantos do mundo, ouvem-se muitas línguas, mas com a sensação de que todos se comunicam muito bem, não é uma Babel, mas não há quem a traduza, como queria Caetano, com o seu mais completo narcisismo, na sua (dele) mais completa tradução. São Paulo é isso e aquilo!

Paulistanos e paulistanas, dignos de sua naturalidade, vivem com crise de identidade, tanto os que aqui nasceram quanto os novos paulistanos, acolhidos a cada dia, aqueles que ainda não sabem, mas já se tornaram paulistanos. Essa cidade é mesmo contagiante e contaminante, que o digam os brasileiros e brasileiras do nordeste, do sul, do norte, do centro-oeste e mesmo os do sudeste, gente que não perde os temperos e cheiros da sua origem, mas que jamais voltarão às origens.

Já busquei, em outros tempos, entender minha identidade, minha singularidade étnica e cultural, depois desisti. Acabei por me considerar um receptor de singularidades étnicas e culturais. Não um receptor universal, porque ninguém esta isento de preconceitos e, além disso, porque ainda tenho comigo as marcas da minha genealogia de “usos e costumes”.

Do lado paterno, de origem operário-urbana, pulsa, ainda hoje, uma veia anarquista, responsável por minha teimosia libertária e, porque ninguém é perfeito, tenho a alma parmerista, é isso mesmo, do Palmeiras, mas com o sotaque do Brás dos tempos de Adoniram Barbosa, quando o meu palestra era o maior time do Brasil.

Já o bom senso e a sabedoria vieram do lado materno, dos lavradores pobres, trazidos da italia para substituir os escravos e escravas em uma fazenda de Atibaia, mas em situação distinta, meus avós ficaram bem menos tempo na colheita do café e, depois, puderam buscar na cidade as poucas oportunidades negadas aos seus antecessores de origem africana.

Aqui, em São Paulo, eles tiveram contato com trabalhadores de diferentes países e culturas, tanto europeias, de países como a Alemanha, cuja cultura mal conheciam, quanto dos trabalhadores libertos, vindos de lugares de que nunca ouviram falar, da África, um continente desconhecido dos imigrantes pobres.

Além disso, sem entender o que foi a ocupação do Brasil, eles desconheciam também a cultura “tupiniquim”, que foi mais bem compreendida pelos negros do que pelos “bravos” bandeirantes, como Anhanguera, Bartolomeu Bueno, o coisa ruim, considerado um dos mais temidos caçadores de humanos de toda a história da ocupação da América, ou melhor, da escravidão e do genocídio dos primeiros habitantes do pedaço. Um herói para as elites tradicionais de São Paulo e Goiás.

Eu, como a maioria dos paulistanos, sem o pedigree de bandeirante, um título restrito à nobreza dos bairros Higienópolis e Jardins, sou uma metamorfose ambulante, um receptor permanente das múltiplas influências culturais.
Já me perguntaram se eu tenho cidadania italiana, não vou negar, já me ocorreu pedir a dupla nacionalidade um dia, hoje, porém, desejo apenas uma certidão de brasileiro genérico, cidadão do mundo.

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