Meus Oito Anos

Casimiro de abreu

.

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

.

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar - é lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!

.

Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

.

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!

.

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

.

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

.

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
- Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!

Exibições: 308

Comentário de Gilberto Cruvinel em 19 maio 2010 às 0:09
Meus Oito Anos
de Gonçalves Dias

com Paulo Autran

Comentário de Helô em 19 maio 2010 às 0:48
Além dos lindos e nostálgicos versos de Casimiro de Abreu, deu saudades do Paulo Autran, Gilberto. Dias atrás, ainda comentava com a Cafu sobre "Variações Enigmáticas", última peça que assisti com Paulo Autran. Impecável, aos 80 anos, Autran assumiu com grande competência o papel do escritor Zorku, vencedor de um Nobel que vivia isolado numa ilha. Inesquecível!
Beijos.

Comentário de Marçal, T. em 19 maio 2010 às 1:32
Comentário de Gilberto Cruvinel em 19 maio 2010 às 1:57
Oi Helô

Assisti a esta peça aqui no Teatro da Faap. Vi também a peça do Sr Green, antes vi Quadrante, esta no antigo Teatro Cultura Artística na sala menor, se não me engano chamava Sala Rubens Sverner. Assisti também, Adivinhe quem Vem para Rezar, de Dib Carneiro Neto com Claudio Fontana. Ainda no Cultura Artística, asssisti, antes mesmo da estréia oficial, numa promoção da Folha, O Avarento, sem pagar um tostão.

Lamento muito não ter ido vê-lo em Rei Lear. Ficou longamente em cartaz em São Paulo, eu fui adiando, adiando, até que perdi. Ouvia-o diariamente no Quadrante da Radio Band News FM. Quando ele morreu, fiquei triste como se fosse da minha família. Não haverá outro Paulo Autran. Deus fez um só e jogou a receita fora.
Comentário de Gilberto Cruvinel em 19 maio 2010 às 2:05
Obrigado Marcal, pela lembrança de tão belo poema na voz do Paulo.
Neste poema, ele estava ainda bem jovem, se percebe pela voz.
Tive a oportunidade de vê-lo interpretar esse e outros poemas e outros poetas, como
Guimarães Rosa, num poema lindo sobre uma onça, no espetáculo Quadrante, no Teatro
Cultura Artística, o velho Cultura Artística de antes do incêndio. No Quadrante, o Paulo
se transformava a cada poema. Uma coisa quase divina.

Obrigado Marçal pelo poema.
Comentário de elizabeth em 19 maio 2010 às 2:40
Achei o grande ator mais maravilhoso ainda quando ele disse que sempre pedia muito $$$ para fazer propaganda, para recusarem, porque detestava. Não se vendeu. Já parece que Fernanda Torres está fazendo propaganda da Folha, ouvi dizer...

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