Os analistas políticos, os agentes políticos, as pessoas em geral queimam neurônios e batem cabeça para tentar compreender as reais causas e consequências das manifestações contra os aumentos de tarifa do transporte público, as quais pipocam em todo o país, com maior gravidade em São Paulo.

Alguns apressam-se em despejar todos os "problemas" nacionais no mesmo liquidificador e não se pejam de desmoralizar a própria biografia para emitir palpites de buteco - como fez o intelectual da Unicamp Roberto Romano em entrevista à CBN, agora pela manhã, em que praticamente botou a culpa no marqueteiro da presidenta Dilma. E os palpites vão desde liberação de uma suposta "indignação geral represada" até a sufocação do trânsito, a poluição e dificuldades crônicas de mobilidade urbana.

Não menosprezo a importância do movimento, mas me parece completamente desfocado. Os manifestantes não brigam pelo "passe livre", pela tarifa zero, pela gratuidade do transporte público - que é o propósito declarado de sua existência, como sugere o próprio nome, "Movimento Passe Livre" -, mas por uma tarifa de R$3,00. Ou seja, protesta-se por vinte centavos, que representam reajuste inferior ao índice inflacionário acumulado desde a elevação anterior. E, em São Paulo, a manifestação é visivelmente contra o PT - até a sede nacional do partido foi depredada. Parecem esquecer-se de que trens e metrô tiveram reajuste na mesma medida, por obra e graça do governador tucano Geraldo Alckmin, o mesmo que comanda a Polícia Militar.

A polícia - aí a "orquestração", o aproveitamento de uma situação - age com truculência superior à usual, no sentido de gerar o caos, e não de o evitar - haja vista as inexplicáveis agressões a jornalistas. A mídia velhaca vem em seguida - aliás, ao mesmo tempo, ao vivo - e faz a sua parte. Tenta desmoralizar Haddad, o PT e, por tabela, a presidenta Dilma (aqui, com o auxílio luxuoso do ministro da Justiça...). 

O nó górdio confunde petistas e esquerdistas, que, cada qual à sua maneira, metem no caldeirão o seu ingrediente, a sua pitada de veneno, ora culpabilizando o prefeito, ora criminalizando o movimento, dando sabor próprio ao indigesto caldo.


Os líderes do movimento, que é sério, precisam ter dimensão da conjuntura política e das consequências possíveis. Num país social e economicamente estável, de quase pleno emprego, de inflação sob controle (e, de qualquer forma, inferior à dos tempos de FHC), de inclusão social nunca antes experimentada, está-se criando, de modo artificial, uma situação de instabilidade, que poderá resultar no desmonte de um projeto popular que há dez anos vem sendo executado com grande e reconhecido êxito.

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Comentário de Francisco Constantino Simão em 14 junho 2013 às 21:23

  Esta e uma manobra orquestrada pelo Governador Alkmim, determinando ao comando militar para agir com violência e truculência contra a população, para provocar o que aconteceu (vandalismo)....Violência gera violência....E essa ordem do Alkmim é para desmoralizar o PT.  Podem observar que o PSDB de Aécio vai montar uma publicidade em cima dessa manifestação....

Comentário de JOSE AMAURI DANTAS em 15 junho 2013 às 10:20
É o golpe exercido pela elite e sua mídia, que perdeu a força no voto e jamais reconheceu a derrota nas urnas e não alimenta esperanças de reconquistar o poder por essa via. É a violência contra o direito do povo as conquistas sociais obtidas a partir de 2002, quando o brasileiro passava fome cuidando do celeiro do mundo. São Paulo tem mais de 10 milhões de habitantes e a galera da baderna não tem representatividade para fazer o que faz em nome do nada.
Comentário de JOSE AMAURI DANTAS em 15 junho 2013 às 10:32
É o golpe da elite e sua mídia depois que perdeu a força no voto e não alimenta esperanças de recuperá-la em nível suficiente a permitir-lhe a retomada do poder pelas urnas, já que a maioria da população, que outrora passava fome cuidando do maior celeiro do mundo, não está disposta a entregar a rapadura. É o movimento de uma minoria que, aparentemente, atua sob o comando daqueles que não conseguiram eleger o prefeito de São Paulo e o presidente da república durante três eleições consecutivas.

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