Pesquisa quer retirar toxinas do pinhão-manso

DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV



O pinhão-manso, cultura promissora na produção de biodiesel, com alta concentração de óleo de boa qualidade, vem recebendo mais atenção de pesquisas para mensurar produtividade e modelos de cultivo. Uma das lacunas da planta é o índice de substâncias tóxicas que ficam em seu resíduo após a extração do óleo, o que impede que a torta seja utilizada para outros fins.

Esse fator é alvo de pesquisas realizadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com a Universidade de Brasília (UNB) e a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). O estudo, iniciado em setembro de 2008, tem como objetivo identificar e retirar toxinas da torta do pinhão-manso, permitindo o seu uso na alimentação animal.

De acordo com a pesquisadora da Embrapa e responsável pelo estudo, Simone Mendonça, na primeira fase, os testes serão realizados em ovinos. No próximo ano, com liberação de recursos da Finep, as unidades da Embrapa Caprinos e Ovinos (Sobral/CE) e Pecuária Oeste (Dourados/MS) passarão a integrar o grupo de pesquisa para realizar testes em caprinos e peixes. O custo total da pesquisa é de 400 mil, com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Embrapa e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

Toxinas


O grão do pinhão-manso possui 40% de concentração de óleo, segundo o pesquisador da Embrapa Agroenergia, José Eurípides. A torta, resultante da extração do óleo das sementes de pinhão manso, constitui excelente adubo orgânico, rico em nitrogênio, fósforo e potássio. No entanto, a sua destinação para ração animal está impossibilitada devido à presença de fatores limitantes de natureza tóxica, alergênica e antinutricional.

Os testes realizados com a torta comprovaram os problemas que as toxinas podem causar, segundo Mendonça. Os componentes tóxicos identificados até o momento, dentre os quais estão a curcina e ésteres de forbol, podem trazer danos tantos aos animais quanto aos humanos. A pesquisadora ressalta a identificação de uma proteína com potencial alergênico semelhante à albumina 2S da mamona.

A identificação e retirada dos componentes tóxicos da torta, viabilizando o uso para alimentação animal, podem auxiliar a escala de produção da cultura no futuro. De acordo com a pesquisadora do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Lília Sichmann Heiffig del Aguila, a planta se assemelharia à soja, pois o farelo para alimentação animal seria o produto principal, tendo o óleo como um co-produto.

A cultura do pinhão manso, no entanto, tem outras questões, ainda não plenamente conhecidas pelos pesquisadores, salienta Mendonça. A mesma opinião é partilhada por Aguila, que ressalta que o uso do resíduo como adubo, de acordo com o verificado até o momento, não traz danos ao meio ambiente, mas com o avanço das pesquisas, pode ser constatado o contrário. Ela acrescenta a possibilidade da cultura não ser tão rentável quanto aparenta. Diferentes órgãos e países investem em pesquisas para possibilitar a expansão do cultivo da planta.

Pinhão-manso


Junto com a Palma, o pinhão-manso é considerado uma cultura mais competitiva em relação as existentes hoje no mercado de biodiesel, na avaliação do Diretor da Secretaria de Agricultura Familiar e coordenador do PNPB pelo MDA, Arnoldo de Campos. Ele explica que o óleo é de boa qualidade, mais faltam documentos sobre a planta para a produção em escala, o que impacta na segurança do produtor.

Mendonça explica que a transformação da torta de pinhão-manso em um produto atóxico despertou a atenção de diversos pesquisadores no mundo, como na Alemanha. Segundo ela, embora as pesquisas estejam avançando, ainda não há nada publicado ou patenteado até o momento.

Melhoramento Genético

O éster de forbol, prinicpal substância tóxica existente na semente, funciona como indicador, ou seja, se não estiver presente na semente, a variedade passa a ser conhecida como não-tóxica, embora outros fatores alergênicos e antinutricionais se mantenham, segundo Mendonça.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Agroenergia, Bruno Laviola, através do melhoramento genético é possível incorporara característica, ausência de ester de forbol, em cultivares comerciais. Para isso, este Centro de Pesquisa implantou o Banco Ativo de Germoplasma de pinhão-manso com cerca de 200 acessos originados de diferentes regiões do País.

O melhoramento genético também poderia solucionar a instabilidade de produção dos grãos, de acordo com Aguila. Como a planta frutifica em períodos distintos, a colheita mecanizada fica impossibilitada. Por outro lado, a colheita manual poderia ser benéfica à agricultura familiar.
A Embrapa está firmando parcerias com instituições do México e de outros países da América Central para a introdução de materiais genéticos que atendam os objetivos do programa de melhoramento.

Exibições: 121

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2019   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço