PESSOAS QUERENDO OUVIR MÚSICA + OSESP + VINICIUS DE MORAES E PROKOFIEV. CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE NO BLOG DE ÓPERA E BALLET

Homenagear um músico da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo a cada ano foi uma grande sacada da direção, os membros sentem-se importantes e prestigiados. O homenageado da vez foi o trompetista Gilberto Siqueira que em 2013 completa quarenta anos de OSESP. O mais legal e interessante de tudo foi o discurso do nobre músico, lá pelas tantas ele relata que anos atrás a esposa de um violinista olhava pela janela e via filas de pessoas querendo ouvir música na Sala São Paulo. Siqueira insiste na questão do ouvir música e todo o esforço dele e da orquestra é para que as pessoas ouçam música na Sala São Paulo.
Infelizmente caro Siqueira as coisas mudaram, se você ou a esposa de qualquer músico olhar pela janela não verá mais fila de pessoas esperando para ouvir música e sabe por que amigo? Porque o diretor Arthur Nestrovsky, é ele mesmo, vestido com garbo e elegância, que estava sorridente ao seu lado lhe entregando flores e fazendo um belo discurso praticamente acabou com o ingresso da hora e a famosa fila de pessoas querendo ouvir música não existe mais. As apresentações de Quinta e Sexta- feira tiveram público em torno de 850 pessoas a cada dia, a sala tem capacidade para 1498. É assim que a direção gosta, concerto bom é com sala vazia.
Vamos ao concerto , a estreia de Saravá- Homenagem a Vinicius de Moraes de Clarice Assad apresenta música com as belas canções do poetinha, composição comum, nada deslumbrante e que lembra musicais. O pianista Simon Trceski da Macedônia sola a Fantasia sobre Duas Melodias Populares de Damir Imeri. O homem é pura técnica e apuro, toca com a alma e mostra toda a clareza das notas. A canção é dedicada pelo compositor ao próprio pianista e mostrou a musicalidade de um país pequeno e desconhecido da maioria dos brasileiros.
O Concerto número um para Piano em Dó Menor, Op. 35 de Dmitri Shostakovich mostra um labirinto musical, uma sucessão de temas jogados a toda hora que nunca se finalizam. Citações de diversos gênios da música clássica e de canções populares são regra. A OSESP mandou bem, Marin Alsop conseguiu extrair boa sonoridade de sua orquestra e o solista mostrou mais uma vez técnica afiada nas complexas passagens e frases musicais.
A coisa desandou na segunda parte do concerto, azedou a maionese. A Sinfonia número dois Menor, Op. 40 de Sergei Prokofiev teve sonoridade lamentável, uma das piores apresentações da OSESP de 2013. O primeiro movimento exige tudo dos metais e nesse naipe a OSESP não é um primor. Sonoridade opaca e confusa, sem brilho e com andamentos estranhos. A maestrina parecia perdida, sem saber o que fazer em meio à tamanha confusão musical.
Conferi minha opinião com a de colegas que conhecem música e frequentam assíduamente a Sala São Paulo e quando falamos sobre esse concerto só vi cara de poucos amigos e reclamações. Eles ainda me informaram que na noite anterior a coisa foi pior ainda. As palmas não muito calorosas no final e a saída rápida da maestrina mostraram que a coisa foi feia mesmo. Acontece com as melhores orquestras do mundo, uma noite pra esquecer.
Ali Hassan Ayache

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