DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV
A variação de culturas de oleaginosas para a produção de biocombustíveis, uma maior participação da agricultura familiar na cadeia do energético e a destoxificação do farelo do pinhão manso foram alguns dos temas que permearam o I Congresso Brasileiro de Pesquisa em Pinhão Manso, realizado em Brasília. O evento ocorreu em meio a uma semana tomada por discussões sobre a segurança do setor elétrico.
O Pinhão manso foi abordado pelos pesquisadores como uma opção viável para cumprir um dos objetivos de
Plano Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), que é a inserção da agricultura familiar, estimulada por benefícios tributários às empresas. Entretanto, o coordenador geral de biocombustíveis do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Marco Antônio Viana Leite, reforça que para isso há necessidade de ampliar os aportes em pesquisas com a matéria prima e acrescenta que a produção da planta dever estar voltada para a agricultura familiar, na ótica no
selo combustível social
O representante do MDA disse que o objetivo do órgão é que se fortaleça uma coordenação nacional com o pinhão manso, e a Embrapa defina as linhas de pesquisa com foco na agricultura familiar. Com isso, o Ministério poderá dar sustentação ao desenvolvimento desta cultura junto a esses produtores rurais.
A cultura também é considerada uma opção viável para a agricultura familiar pelo diretor técnico da Associação Brasileira de Produtores de Pinhão Manso (ABPPM), Luciano Piovesan. Ele explica que a planta pode ser cultivada isoladamente ou em consórcio com outras espécies. Além disso, por se mostrar mais resistente, também pode ser cultivada em áreas degradadas.
Destoxificação
Um dos principais desafios dos pesquisadores, com o pinhão manso, é a retirada das toxinas de sua torta (resultante do processo de extração do óleo), o que permitiria um maior aproveitamento da cultura e retorno financeiro, com o uso na alimentação animal ou como adubo. O farelo possui boas quantidades de nitrogênio, fósforo e potássio, mas as toxinas encontradas em sua composição impedem o uso na alimentação animal. O uso na adubação também carece de maior aprofundamento nas pesquisas, embora até o momento tenha se mostrado viável.
De acordo com a pesquisadora da Embrapa Agroenergia, Simone Mendonça, presente ao evento, a curcina não é a substância responsável pela toxidez do pinhão manso, mas sim, o éster de forbol. A Embrapa trabalha com a retirada dessa toxina da torta e no desenvolvimento de uma variedade de pinhão manso sem a presença do éster.
Biodiesel
Atualmente, o diesel responde por cerca de 50% de todos os combustíveis líquidos e, desse volume, o Brasil importa 10%. Além das demais vantagens do biodiesel – ambientais e econômicas -, a adição do energético limpo também vai permitir a redução de gastos com importação do diesel fóssil, avaliou o representante da Casa Civil, José Honório Accarini. No entanto, segundo ele, é importante considerar os demais coprodutos e resíduos que a cadeia do energético gera. Pesquisas para ampliar o aproveitamento da matéria prima, aumentam sua rentabilidade, gerando mais investimentos e inserção no mercado.
A antecipação para janeiro de 2010 da mistura de 5% do biodiesel a todo o óleo diesel consumido no Brasil, exigirá a produção de 2,3 bilhões de litros do biocombustível por ano, com valor estimado em US $ 2,8 bilhões. “É um volume de recursos diretamente repassado para o setor produtivo brasileiro, em função de um programa governamental”. Ele complementou que esse programa precisa da estreita cooperação dos governos, da pesquisa, dos agricultores, dos industriais e dos consumidores para dar certo e trazer os benefícios esperados para o país.
O grupo interministerial, formado para gerir o PNPB, iniciou um levantamento para apurar os resultados obtidos, até o momento. Foram formados grupos de trabalho que deverão apresentar dados sobre diferentes aspectos do programa, como tributação, culturas, produção, mercado. Os resultados começam ser apresentados neste mês e encerram em dezembro, conforme informou o Ministério da Casa Civil por intermédio de sua assessoria de imprensa.
Congresso
Também em Brasília, o 3º Congresso Nacional da Rede de Tecnologia de Biodiesel reuniu pesquisadores, representantes do governo e especialistas no dias 9 e 10 de novembro. Durante o evento, o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), projetou que até 2030 o consumo de biocombustíveis deverá crescer 50% no mundo. Atender essa demanda de forma sustentável, com políticas públicas específicas, deverá ser um desafio para a sociedade, avalia o secretário.
No quadro, a intenção do ministério, segundo Mota, é fazer com que o Brasil chegue a este ano com uma participação de 18,5% de combustíveis renováveis na matriz energética.
Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!
Entrar nesta rede social