A terceira opção não me parece muito interessante, que seria começar a bater boca com as crianças sobre rodas, independentemente da quantidade, que consideram o "coroa" sempre errado.

A decisão de destruir a "carteira" no niver dos 60, já havia sido tomada há alguns anos, pois, realista que sou, vislumbrava esse cenário de "saco cheio" e já começava a ficar irritado por antecipação e agora vejo confirmadas minhas suspeitas, com o atenuante de não haver surpresas.

Pintar o cabelo é uma droga. Sempre achei ridículo aquele telhado que não combina com a estrutura e principalmente aquela traição que é o cabelo começar a crescer e não sair da mesma cor, então o bicho começa a ficar um fubá amarronzado parecendo mais fundo de mocó.

De repente cheguei lá, os primeiros sessenta anos passaram numa rapidez estonteante, como aquela que o pessoal fala sobre os discos voadores e o pior, que não deixa de ser o melhor, é que a vida continua sem alterações, ou seja, eu, o carro e o trânsito, continuamos praticamente iguais, diferente mesmo, só o preconceito dos mais jovens, que vão de pilotos a barbeiros.

A juventude motorizada de “cabeça preta” é acima de tudo covarde e antes de xingar, o “neném” antecipadamente faz uma análise da situação: primeiro calcula o diâmetro do braço do outro que está atrapalhando e, a depender da conclusão, engole o palavrão que ta na ponta da língua. Depois vem a questão do sexo: quando é mulher a coragem aumenta, só que tem a possibilidade de se tratar de uma autoridade Agora, quando a cabeça é branca, o sinal abre para todos os tipos de ofensas, aí palavrões transformam-se em agressões e todo mundo vira machão e anjo da guarda da gatinha ao lado, que só desfaz essa imagem na hora que vem uma rebordosa e o “bruto” fala fino.

É a vida e o idoso ao volante, no geral, não chega a ser nem a décima maravilha do mundo, de tanta coisa feia que pratica nas ruas e estradas. Ainda hoje, de cabecinha branca e tudo, quando vejo uma coisa esquisita à frente, digo para minha gata, que me acompanha há 37 anos, que ali deve ir um motorista mais “experiente” e a teoria raramente não se confirma.

Engraçado que a “pena” às vezes dói mais que o preconceito. Outro dia fui passar numa brecha na feira central, entre dois caminhões que estavam sendo descarregados e as pessoas começaram a me orientar, um mandando ir mais pra lá, outro dizia que era mais pra cá. Como eu não tinha a mesma dúvida que eles, parei o carro e disse que a única ajuda que precisava é que saíssem da frente. Um não acreditou, não se esquivou direito e acabei tocando com o retrovisor no bucho dele, que ficou uma fera. Fazer o que? O cara consegue ser maior que o caminhão...

Diante dessa realidade que é o passar dos anos, vou empurrar a vida com a barriga, como quarta opção, que me parece a mais sensata. Aliás, a vida é como um “saco de jerimum”, apesar de não pesar tanto é difícil de conduzir.

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Comentário de Silvana Suaiden em 20 outubro 2012 às 22:06

Ótimo e bem humorado texto. Parabéns.

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