“PLANETA DOS MACACOS – A ORIGEM”. OS INDIGNADOS PRIMATAS ATACAM A CIVILIZAÇÃO HUMANA

A Otan anunciou hoje (31/08) que bombardeou vários alvos na área de Sitre, cidade natal de Muamar Kadafi, assim como em Bani Walid, localidade do sudeste de Trípoli onde os rebeldes acreditam que o ex-líder líbio pode estar escondido. Ao mesmo tempo o governo interino da Líbia rejeitou qualquer participação militar internacional no país, incluindo a presença de observadores desarmados. “Está claro que os líbios querem evitar qualquer tipo de presença militar da ONU ou de outras organizações", disse o enviado especial da ONU à Líbia, Ian Martin. O líder do Conselho Nacional de Transição (CNT) afirmou que o país não precisa de ajuda externa para manter a segurança, enquanto o vice-representante da Líbia junto às Nações Unidas, Ibrahim Dabbashi, disse à BBC que a situação no país é única. "Não é uma guerra civil, não é um conflito entre dois lados, é o povo se defendendo de uma ditadura". Ontem, o comitê de sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou que o Reino Unido desbloqueie 950 milhões de libras (R$ 2,4 bilhões) em bens líbios depositados em bancos britânicos e que serão utilizados principalmente para destinar ajuda humanitária ao povo da Líbia. O desbloqueio desses bens ocorre quase uma semana após o Conselho desbloquear, a pedido de Washington, US$ 1,5 bilhão (R$ 2,3 bilhões) em bens líbios congelados em bancos estadunidenses desde que o órgão começou a aplicar sanções econômicas contra o regime de Kadafi. A medida foi divulgada enquanto outros países também realizaram pedidos similares ao comitê de sanções, entre eles Alemanha, que pediu o desbloqueio de US$ 1,5 bilhão de fundos líbios em entidades germânicas. Várias delegações diplomáticas esperam que em breve o Conselho de Segurança aprove o desbloqueio total dos fundos afetados pelas sanções 1.970 e 1.973 que seus membros aprovaram no começo do ano para pressionar Kadafi a deter a violência contra a oposição. Ontem, o presidente do CNT, Mustafa Abdel, deu um ultimado até sábado às cidades que continuam fiéis ao chefe do regime deposto. Os insurgentes ofereceram anistia e recompensa de US$ 1,3 milhão para quem o capturar, vivo ou morto. O governo interino afirmou que Kadafi continua representando um perigo à Líbia e ao mundo. O CNT conclamou o governo argelino a extraditar os familiares de Kadafi que fugiram para a Argélia. A entidade que agrupa os rebeldes classificou o acolhimento de Argel como um “ato de agressão”. "Nós prometemos conceder um julgamento justo a todos aqueles criminosos e, portanto, consideramos isto um ato de agressão", disse o porta-voz dos rebeldes Mahmoud Shamman à agência de notícias Reuters. "Consideramos que a Argélia fez isto como um ato de agressão contra os anseios do povo líbio. Nós tomaremos todas as medidas necessárias contra isto e pediremos pela extradição deles", acrescentou. A Argélia é o único país vizinho da Líbia que ainda não reconheceu o CNT como o governo provisório da Líbia. Em entrevista à rede britânica BBC, o representante da Argélia na ONU defendeu a decisão de seu país de receber a mulher e três filhos do líder líbio. Segundo Mourad Benmehidi, existe na região uma ''regra sagrada de hospitalidade''. O governo argelino afirmou que a decisão se deu por razões humanitárias e que os familiares de Kadafi não se encontram em listas de procurados. Segundo analistas, há a tendência de se iniciar um novo movimento de jovens contra o governo de Argel. “Só é preciso uma faísca para que o povo volte às ruas”, garantiu o escritor e comentarista argelino Akram Belkaid. A situação na Líbia também não é tranquila porque o governo interino tenta agora desarmar os rebeldes que receberam fuzis e metralhadoras para derrubar regime de Kadafi. No sábado (27), foram encontrados corpos carbonizados de cerca de 50 pessoas numa prisão improvisada na base militar ao sul de Trípoli (acima). Segundo as agências internacionais, os moradores da área encontraram os corpos depois que os rebeldes assumiram o controle da base da 32ª Brigada, no distrito de Sala, comandada por Khamis, um dos filhos de Kadafi, ainda em paradeiro desconhecido. "Estou comovido, jamais imaginei que veria uma coisa assim na Líbia", declarou o médico Salim Rajub, testemunha da descoberta macabra. "Em 23 de agosto, antes do fim do jejum (do Ramadã, ao anoitecer) escutamos disparos e gritos de socorro de pessoas, mas havia francoatiradores e ninguém conseguiu se aproximar", contou o médico. "Estes homens foram assassinados com fuzis e granadas, e depois foram queimados", acrescentou. Anteontem, o governo brasileiro informou que enviará um delegado à reunião convocada pela França que discutirá em Paris a crise política na Líbia. O Palácio do Eliseu informou que o objetivo da conferência amanhã dos “amigos da Líbia” é conseguir uma transição bem sucedida no país africano. "É fundamental obter o êxito da transição após as operações militares bem sucedidas", afirmou um comunicado do governo francês. "A transição é uma etapa tão delicada quanto a fase militar", acrescentou.

 O enviado da Rússia à conferência "Amigos da Líbia" em Paris, Mikhail Margelov, disse hoje (31) que Moscou insiste que o Conselho de Segurança da ONU, no qual detém poder de veto na condição de membro permanente, "deve assumir um papel chave" nas discussões sobre a reconstrução pós-guerra do país. Ele deixou claro que a Rússia, que tinha acordos de bilhões de dólares em armas, energia e infraestrutura com a Líbia sob o regime de Muamar Kadafi, não quer sair perdendo com a mudança de poder no país produtor de petróleo. "Pretendemos apresentar nossa visão do processo que visa criar um novo governo nesse país, e queremos exercer alguma influência no processo e preservar interesses econômicos e outros interesses na Líbia", afirmou. Ontem, um triplo atentado terrorista na Chechênia preocupou o Kremlin por ter ocorrido na região do Cáucaso, rica em petróleo. Segundo o Ministério do Interior russo, oito pessoas morreram e outras 22 ficaram feridas. "Basta que comecemos a falar em suavizar nossa política com relação aos guerrilheiros para que estes comecem a derramar o sangue dos inocentes. Mais uma vez comprovei que só as medidas mais duras podem acabar com este mal", disse o presidente da Chechênia, Ramzan Kadyrov onde há grupos que desejam se separar de Moscou. Mais cedo um agente do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB, antigo KGB) morreu na aldeia de Ordzhonikidze, na república russa da Inguchétia, no Cáucaso, com a explosão de uma bomba instalada embaixo de seu carro, informaram as autoridades policiais russas. A Inguchétia e o Daguestão, vizinhos da Chechênia, são as duas repúblicas muçulmanas do Cáucaso Norte onde se registra o maior número de ataques contra policiais e militares. Só em 2010 cerca de cem policiais morreram no Daguestão em atentados perpetrados em sua maioria por grupos islâmicos. Na semana passada, em entrevista a jornalistas chechenos, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, afirmou que as Repúblicas do Cáucaso não podem se separar da Rússia. Segundo ele, a partir do momento que Moscou se desfazer das repúblicas problemáticas será o fim do país. Putin disse também que as pequenas repúblicas da região não conseguirão sobreviver como países independentes. “Elas sofrerão a ocupação mental e econômica de certas forças estrangeiras, próximas e distantes, e poderão ser usadas como instrumento de desestabilização contra a Rússia”, disse o primeiro-ministro. Putin lembrou que só neste ano serão construídas 16 escolas, desenvolvida a Universidade Pedagógica, inaugurado um novo edifício da Universidade Estatal de Grozny, e nove hospitais e uma maternidade entrarão em funcionamento. Ele disse que a prova de sua boa administração é que na primeira metade do ano o Orçamento teve um superávit de 6 bilhões de rublos. “Grandes investimentos estão sendo feitos na indústria e no turismo. Se a tendência continuar, será reduzido o número de desempregados”, garantiu o primeiro-ministro aos chechenos. No sábado (27), o Kremlin também foi surpreendido pela declaração do secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, que não considerou válida a eleição presidencial na Abkházia, vencida por Aleksander Ankvab. O chefe da aliança militar ocidente liderada pelos EUA deixou claro que o território, encravado entre a Rússia e as montanhas do Cáucaso, pertence à Geórgia. Para Moscou, trata-se de uma república independente, o que só é reconhecida pelos russos, venezuelanos e nicaraguenses. Em 2008, Geórgia e Rússia travaram uma breve guerra pela disputa do status do território. "A Otan não reconhece as eleições realizadas em 26 de agosto na região da Abkházia, na Geórgia", ressaltou Rasmussen, em comunicado. Segundo ele, a realização do próprio pleito "não contribui para uma resolução pacífica e duradoura da situação na Geórgia". Rasmussen afirmou que "a Otan reitera seu total apoio à soberania e à integridade territorial da Geórgia dentro de suas fronteiras internacionalmente reconhecidas". A Abkházia, república banhada pelo mar Negro, convocou o pleito presidencial devido à morte repentina do artífice de sua independência, Sergei Bagapsh, que morreu no final de maio numa clínica em Moscou. Internamente, os russos irão à eleição legislativa em dezembro. Anteontem, o primeiro-ministro Putin deu o pontapé para o pleito ao participar de uma motocarreata até a cidade de Novorossiisk, no sul da Rússia, onde ocorreu a 16.ª edição do Festival Internacional de Motoqueiros, organizado pelo moto-clube “Notchnie Volki” (Lobos da Noite). O chefe de Governo russo entrou na cidade montado numa Harley Davidson de três rodas (acima). Em campanha, Putin já defendeu o investimento no ensino superior. Num encontro com diretores das universidades russas, Putin afirmou: “Agora que lançamos as fundações, nossos próximos passos devem visar à modernização de toda a rede de instituições de ensino superior na Rússia, a fim de que o diploma de cada universidade, academia ou instituto signifique de fato, na prática, qualidade, modernidade e ampla educação, educação contemporânea”.

 O presidente francês, Nicolas Sarkozy, advertiu hoje (31) o Irã sobre a possibilidade de "um ataque preventivo" contra suas instalações atômicas, se a República Islâmica mantiver suas ambições nucleares. Ele lembrou que uma operação do exército francês pode provocar "uma grande crise". Ao mesmo tempo o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, responsabilizou toda a faixa de Gaza por ataques cometidos contra Israel nos últimos dias. Segundo ele, Israel está mantendo o alerta máximo nas fronteiras do país com a Palestina e o Egito. Ontem, tanto Israel quanto o Irã enviaram navios de guerra para o mar Vermelho onde se encontram a península do Sinai, o golfo de Aqaba e o canal de Suez, local estratégico no Mediterrâneo. "Essa flotilha que conta com um submarino e um navio de guerra irá patrulhar o mar e demonstrar as capacidades da República Islâmica do Irã", disse o almirante Habibollah Sayyari, em entrevista à página eletrônica da emissora estatal. Após a declaração de Sayyri, o exército israelense informou também ter mobilizado dois navios de guerra para a região. "A Marinha mobilizou dois navios de guerra para o mar Vermelho como parte de um treinamento de rotina", afirmou um porta-voz militar israelense à agência de notícias francesa AFP, negando que a ação tenha qualquer ligação com a mobilização iraniana. No fim de semana, o Egito desmentiu as informações divulgadas por agências internacionais, segundo as quais os governos egípcio e israelense decidiram modificar o tratado de paz de Camp David de 1979. Na última sexta-feira (26), dezenas de manifestantes egípcios se reuniram na Embaixada de Israel no Cairo para pedir ao governo a expulsão do embaixador israelense após o incidente ocorrido no último dia 18 quando cinco soldados egípcios foram mortos por militares israelenses. Os manifestantes exigem uma reação da junta militar que governa o país, já que eles são considerados heróis de guerra por terem recuperado o Sinai para o Egito. No mesmo dia em que houve mobilização de navios de guerra para o mar Vermelho, o jornal "Ha'aretz" publicou que o exército israelense começou a armar e treinar colonos judeus na Cisjordânia para possíveis distúrbios em setembro, quando os palestinos deverão comparecer à ONU para reivindicar um Estado nacional (acima). Segundo o diário, as Forças Armadas do país estão fixando "linhas vermelhas" ao redor de cada colônia, a partir das quais as tropas poderão disparar contra os manifestantes, numa operação batizada de “Sementes de Verão”. Segundo o jornal "Ha'aretz", Israel prevê uma grande votação a favor de um Estado palestino na ONU em setembro, apesar de sua oposição e dos Estados Unidos, de acordo com um telegrama do embaixador israelense nas Nações Unidas a qual o diário teve acesso. Apenas cinco países informaram a Tel-Aviv que votarão contra a criação do Estado palestino: Estados Unidos, Alemanha, Itália, Holanda e República Tcheca. Na última sexta-feira (26), a China, membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, informou à Autoridade Palestina que votará a favor. O Ministério das Relações Exteriores israelense prevê que entre 130 e 140 países dos 193 Estados membros votarão a favor de um Estado palestino.No sábado, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, reiterou sua vontade de solicitar o apoio da ONU a um Estado palestino, diante da rejeição de Israel em deter a colonização e de aceitar uma solução "baseada na fronteira de 1967". "Vamos à ONU para pedir o apoio pleno e completo a um Estado da Palestina. Não iríamos se a comunidade internacional nos desse uma solução baseada na legalidade internacional, ou seja, nas fronteiras de 1967 e se houvesse o fim da colonização israelense", declarou Abbas durante discurso público em Ramallah (Cisjordânia). "Mas sem isso, iremos à ONU", insistiu. Respondendo a Abbas, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, acusou os palestinos de "não quererem viver ao lado de Israel, mas de criarem um Estado vazio de judeus na Cisjordânia”, em referência à oposição palestina às colônias judaicas num futuro Estado palestino. No plano interno, Israel enfrenta protestos em relação ao alto “custo de vida”, como preço dos alimentos e das moradias. No sábado à noite, mais de 20 mil israelenses protestaram em Tel Aviv, Jerusalém e em uma dezena de cidades, em novas manifestações para exigir "justiça social". Sob pressão, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prometeu encontrar soluções para responder as demandas dos manifestantes.  

O Instituto Patrícia Galvão e a Fundação Carlos Chagas realizam hoje (31) a série “Diálogos sobre Liberdade de Expressão e Diversidades”. O evento, gratuito, acontecerá das 18h30m às 21h, no Espaço Artes da Livraria Cultura, em São Paulo. Os vídeos abordam o tema a partir de uma visão democrática, adotando questões de gênero, raça, etnia e orientação sexual. A questão vem sendo amplamente debatida na América do Sul após vários choques entre governo e a imprensa privada. Ontem, o presidente do Equador, Rafael Correa, considerou "irrelevante" que o jornalista Emilio Palacio, processado pelo líder equatoriano por "calúnias", tenha partido para Miami, alegando estar “exilado”. Correa ressaltou que entrou na justiça porque só deseja a verdade. "Olhem os conceitos que utiliza: tirano, ditador, fascista... Tenha um pouco de decência e de honestidade e declare-se político, mas não jornalista", reagiu Correa. Em entrevista à agência de notícias francesa EFE, Palácio reiterou a acusação de que o governante equatoriano foi quem provocou os incidentes de 30 de setembro do ano passado contra um hospital durante uma rebelião policial. Na véspera, Correa reiterou que não recuará na decisão de avançar no processo judicial contra o jornal “El Universal”, seus donos e o jornalista. “Se tivesse ficado em meu país provavelmente seria detido. Sou um perseguido político, e a fuga foi uma opção”, disse Palacio, em entrevista telefônica ao jornal “O Globo”. No dia 20 de julho, um juiz de primeira instância condenou Palacio, o diretor do “El Universo” Carlos Pérez e os subdiretores César Pérez e Nicolás Pérez, determinando três anos de prisão e o pagamento de US$ 40 milhões a Correa. A audiência de apelação está programada para o próximo dia 13 de setembro. Paralelamente, um promotor federal exigiu que o jornalista revelasse o nome do policial que, segundo Palacio, confirmou a suposta ordem dada por Correa de disparar contra um hospital de Quito durante a rebelião policial com objetivos golpistas. “Se eu não desse o nome do policial, o promotor podia solicitar minha prisão”, alegou o jornalista. Se os tribunais equatorianos confirmarem a sentença em primeira instância, Palacio deverá esperar, no mínimo, três anos para retornar o país. “O Equador vive uma ditadura, era impossível ficar lá”, acusou o jornalista. Anteontem, o jornal “El Universal” publicou manchete com um fundo branco e letras grandes que combinam as cores pretas e vermelhas que dizem “Para a liberdade de expressão”. O jornal ouviu personalidades equatorianas e do exterior sobre o episódio. Deputados da oposição, como Ramiro Teran, exibiram a capa do jornal para a imprensa (acima). No último dia 10, o presidente equatoriano pediu a união de todos os setores da sociedade, mas disparou críticas à imprensa e à oposição em seu relatório anual à nação apresentado na Assembleia Nacional. Diante de um plenário sem a presença de opositores, Correa deixou claro que suas intenções de transformar o país são sérias e que mantém sua ofensiva contra a imprensa crítica ao governo. O presidente não descartou a possibilidade de voltar a convocar consultas populares como as de maio para aprovar assuntos importantes para o Estado, assim como a denominada "morte cruzada", que permitirá a ele dissolver o legislativo e convocar eleições antecipadas. Ele classificou a imprensa do país como "corrupta e medíocre" e acusou a mídia de ser um poder fático reticente às mudanças do país. Na Venezuela, onde o relacionamento entre o governo Hugo Chávez e a imprensa privada também é complicado, o editor do semanário "Sexto Poder", Leocenis García, se entregou ontem a agentes de inteligência, informaram as agências internacionais. García está sendo investigado sob acusação de "instigação ao ódio" e "vilipêndio" pela publicação no periódico de uma fotomontagem em que altas funcionárias aparecem como dançarinas de um cabaré. Foragido há uma semana, o editor de "Sexto Poder" procurou as autoridades um dia depois de a Justiça anular a decisão de proibir a circulação do semanário. O fechamento temporário do semanário estava em vigor desde a edição do dia 20 de agosto, que trouxe na capa a fotomontagem "As poderosas de Chávez". A imagem exibia uma deputada e cinco chefes de Poderes formalmente independentes do Executivo --Justiça, Ministério Público, Poder Eleitoral, Ouvidoria e Controladoria-- como bailarinas de um cabaré comandado por "mister Chávez". A editora do "Sexto Poder", Dinorah Girón, também está sendo investigada. Após dois dias detida, ela ganhou liberdade condicional na semana passada. A SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa), o local Colégio Nacional de Jornalistas (CNP, na sigla em espanhol) e o CPJ (Comitê para a Proteção de Jornalistas), com sede em Nova York, afirmaram que as medidas contra o semanário e seus jornalistas cerceiam a liberdade de expressão na Venezuela.

 

O primeiro-ministro português, Passos Coelho, convidou hoje (31) os empresários espanhóis a participarem do processo de privatização que está sendo preparado por Lisboa. Em visita a Madri, o premier disse que existe uma aliança fortíssima entre Portugal e Espanha e que os dois países têm muito a ganhar “ao manterem uma colaboração estratégica no âmbito da União Europeia”. O encontro bilateral antecede a reunião que o líder português terá amanhã com a chanceler alemã, Ângela Merkel, e o presidente francês Nicolas Sarkozy. “São circunstâncias difíceis, a tarefa é exigente e, desde logo, o primeiro-ministro português sabe que pode contar com o pleno apoio de Espanha e com a plena e constante ação por uma União Europeia forte”, respondeu Zapatero a Passos Coelho. O encontro ocorre um dia após ter sido divulgado a deterioração da confiança econômica da zona do euro em agosto, maior do que o esperado pelos analistas. No mesmo dia o Instituto Nacional de Estatística francês (Insee) mostrou no relatório "O nível de vida em 2009" que 13,5% da população da França estão "abaixo da linha da pobreza", segundo a definição francesa e europeia. O número de pobres na França, aqueles que vivem com menos de 954 euros por mês, subiu em 2009 meio ponto percentual com relação ao ano anterior, de 7,8 milhões para 8,2 milhões de pessoas. "O aumento do número de pessoas pobres pode ser vinculado ao aumento do desemprego induzido pela crise", assinalou o Insee. Os dados mostram ainda que entre 2008 e 2009 o nível de vida dos mais pobres diminuiu, na contramão da tendência observada desde 2005. O Insee acrescentou, no entanto, que o nível de vida dos mais ricos, os 10% da população cuja receita supera 35.840 euros de média, continuou avançando ao ritmo de 0,7% por ano. Recentemente, o líder francês anunciou um imposto para os mais ricos dentro do pacote fiscal a ser analisado pela Assembleia Nacional francesa. Paris pretende criar também um imposto sobre as transações financeiras, baseado na taxa proposta pelo economista James Tobin de 0,1% sobre as transações financeiras. Segundo o ministro da Economia francês, François Baroin, ainda existem "pontos essenciais" para serem discutidos em relação ao tema, mas afirmou que França e Alemanha esperam que a proposta esteja preparada para a reunião do G20 (Grupo dos Vinte), em novembro próximo. Em Roma, o governo Silvio Berlusconi decidiu anteontem retirar de seu plano de ajuste orçamentário para o próximo biênio o chamado “imposto de solidariedade” sobre rendas mais elevadas. A proposta era uma taxa adicional de 5% às rendas anuais que superassem 90 mil euros e de 10% às que ultrapassassem os 150 mil euros. Houve um recuou também em relação à proposta que previa o corte de prefeituras após centenas de prefeitos terem ido a Milão para protestar, contando com o apoio da Liga do Norte, o partido de extrema-direita italiano. Após desistir do imposto dos ricos, o governo italiano pretende dobrar alíquotas de 10% para os atletas profissionais que ganhem acima de 90 mil euros e de 20% para os salários que superarem 150 mil euros. O sindicato dos jogadores de futebol convocou uma greve por causa do imposto. Apesar da compra de bônus pelo Banco Central Europeu (BCE), Itália e Espanha continuam a pagar ao mercado juros mais elevados sobre suas dívidas. Ontem, o parlamento espanhol aprovou o exame em caráter urgente de uma controversa reforma constitucional cujo objetivo é garantir a estabilidade orçamentária, denominada "regra de ouro", uma exigência da França e da Alemanha para acalmar os mercados. À tarde, os "indignados", o movimento de jovens espanhóis, se reuniram no Parlamento (acima), após milhares terem protestado no domingo por toda a Espanha.  O desemprego na Espanha subiu para 21%. Os dois principais sindicatos, o CCOO e o UGT, convocaram uma "grande manifestação" para o dia 6 de setembro em Madri e estão previstas outras concentrações no restante do país.

 

Os capitalistas Tico e Teco voltaram a conversar sobre o mundo contemporâneo, acompanhados pela diarista Aparecida e pela filha Bytes, no dia 31 de agosto, Dia de São José de Arimatéia.

Tico: No dia de hoje o presidente Costa e Silva foi afastado do cargo por uma junta militar após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC). O afastamento ocorreu logo após se empenhar pelo fim do Ato Institucional nº 5, editado no ano anterior, que retirou os direitos inalienáveis dos cidadãos. Costa e Silva havia nomeado uma comissão de juristas, entre eles o seu vice Pedro Aleixo, para elaborar uma reforma política que democratizasse o “regime” e que seria anunciada à nação no dia 7 de setembro de 1969. “Não mais cassações de mandatos, nem recesso do Congresso e das Assembleias, muito menos intervenção nas universidades ou suspensão do habeas-corpus. Com a reforma da Constituição voltaria a prevalecer o Estado de Direito. Senão democratizado, porque as eleições presidenciais continuariam indiretas, pelo menos constitucionalizado voltaria o País a ser”, explicou o jornalista Carlos Chagas, assessor de imprensa do Palácio do Planalto naquele tempo. Após o afastamento do presidente, uma semana antes do anúncio da “democratização”, assumiu uma junta militar, que rasgou a proposta de reforma política, editou outros atos de exceção, impediu a posse do vice Pedro Aleixo, como rezava a Constituição em vigor, e “legitimou” o mandato do “sucessor”: o general Emílio Garrastazu Médici. Há 42 anos.

Teco: No dia de hoje o Quiquistão declarou a sua independência da União Soviética. Inicialmente habitado por tribos iranianas como os sogdianos por muitos séculos e depois por imigrantes turcos vindos da Anatólia, as terras do Quirguistão faziam fronteira com o Império Persa. Em 1864, o país foi anexado ao Império Russo quando foram conquistados os canatos da Ásia Central. A independência dos soviéticos ocorreu há 20 anos.

Aparecida: Hoje é dia de São José de Arimatéia, o discípulo secreto do cristianismo. O homem rico que intermediou o sepultamento do corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo para que ele não fosse enterrado numa cova rasa, como faziam com os ladrões. Assim, dignificou o “Jesus Histórico” para o entendimento do “Cristo da Fé”.

Bytes: Dentro da metáfora judaica, explicou o rabino Nilton Bonder no livro “Segundas Intenções” sobre a história do “ladrão”: “1) Faz o seu trabalho secretamente; 2) Não completa o seu trabalho numa noite porque voltará na seguinte: 3) É solidário com o seus companheiros; 4) Arrisca a vida para atingir seus objetivos; 5) Está disposto a perder tudo por um ínfimo ganho; 6) Está preparado para suportar dificuldades; 7) É devotado à sua labuta sem sequer hesitar em mudar de ofício”.

Aparecida: Parece a parábola do ladrão contada por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Bytes: Centenas de jovens militantes do Congresso Nacional Africano (ANC), partido atualmente no poder na África do Sul, enfrentaram a polícia ontem em protesto realizado para apoiar seu líder Julius Malema (acima). Ele compareceu diante da comissão disciplinar do partido por insubordinação. O líder da juventude sul-africana defende o confisco das terras dos brancos porque o partido ainda não mexeu na redistribuição das riquezas do país. Ao deixar a audiência, Malema fez um discurso no qual pediu para que os manifestantes agissem com calma e respeito, mas voltou a afirmar que é o "melhor defensor dos mais pobres entre os pobres". Os partidários atiraram pedras e garrafas em direção às autoridades. Os policiais responderam com jatos d'água, gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Aparecida: Na Dinamarca, um tiroteio do lado de fora de uma mesquita em Copenhague, após as orações do final do Ramadã, matou uma pessoa e feriu outras duas. O seu Carlos disse, exaltado: “Estas políticas de multiculturalismo acabam se voltando contra as nações civilizadas. Os dinamarqueses vão ficar cada vez mais desejosos de uma política anti-islã”. 

Bytes: A morte de um estudante de 16 anos durante os protestos da noite da última quinta-feira despertou comoção no Chile. Ninguém pode prever os próximos capítulos.

Aparecida: O seu Carlos disse ontem, exaltado, após ver a capa da revista “Megazine” de “O Globo”: “Os jovens do mundo inteiro estão indignados. Menos os brasileiros. Isso só está acontecendo porque o governo petista cooptou a UNE”.

Bytes: Desde quando a UNE é a cabeça dos estudantes universitários?

Aparecida: Na cabeça do seu Carlos toda a mazela do Brasil é culpa do PT. Assim como a “imprensa velha” continua a fazer a mesma cobertura da Líbia como se estivesse falando do Saddam Hussein. Fotografaram até o avião presidencial de luxo. Imagine o que seria mostrar o “AeroLula” ou o “AeroDilma”. Mas tudo parece tão iraquiano.

Bytes: Segundo a imprensa, Kadafi escondia em seu palácio um álbum de fotos da ex-secretária de Estado dos Estados Unidos Condoleezza Rice. Em uma entrevista à rede de televisão Al Jazeera em 2007, um ano antes da visita histórica que a então chefe da diplomacia dos Estados Unidos fez à Líbia, Kadafi declarou sua admiração pela estadunidense. "Admiro a forma como se reclina e dá ordens aos líderes árabes... Leezza, Leezza, Leezza. Gosto muito dela. Me sinto orgulhoso porque ela é uma mulher negra de origem africana", disse Kadafi na ocasião.

Aparecida: No Iraque, o número de mortos pulou para mais de 30 no atentado a uma mesquita de Bagdá no último domingo.

Bytes: Como cantou Cazuza para os “anciãos das horas: “Eu vejo o futuro repetir o passado. Eu vejo um museu de grandes novidades. O tempo não para. Não para não. Não para!”

Aparecida: O Sudão e o recém-criado Sudão do Sul, vizinhos da Argélia, já informaram à ONU que estão em conflito territorial. E a família Kadafi? Vai para o Tribunal Penal Internacional?

Bytes: O Paquistão não acredita que Atiyah abd al-Rahman, membro da Al-Qaeda, foi morto em 22 de agosto pelos Estados Unidos.

Tico: A Dilma usa o rádio para divulgar a “agenda positiva?”

Teco: Podemos reformular a pergunta. A Dilma usa o rádio para divulgar notícias positivas transformadas em “agenda negativa?”

Bytes: Deu no jornal “O Globo” de 31 de agosto de 1961, há exatamente “meio século”: “Ontem a edição extra de O GLOBO foi apreendida pela polícia. Motivou a medida extrema, tomada contra um órgão equilibrado e que se vinha preocupado em não aumentar a ansiedade e os temores da população, o fato de havermos afirmado que as Classes Armadas, ouvindo os apelos gerais, se dispunham a aceitar a emenda parlamentarista de modêlo alemão, fórmula que surgira como capaz de harmonizar as correntes em choque. Surpreendeu-nos a medida violenta contra nós praticada. Não vamos revelar as fontes da notícia vetada pela censura, mas apenas renovar a afirmação de que os chefes das Fôrças Armadas continuam resolvidos a pôr têrmo à difícil situação criada pela renúncia do Sr. Jânio Quadros, mediante a aceitação daquela fórmula. É bem verdade que ontem foi dada à publicidade uma nota conjunta dos três ministros militares que indica justamente o contrário. Entretanto, mais tarde quando a verdade puder ser revelada a tôda a sua extensão, verificarão os leitores a autenticidade do que afirmamos”. E mais: “Pôrto Alegre está com as suas ruas policiadas por tropas do Exército e da Brigada Estadual. A Rádio Guaíba comanda uma rêde de 104 emissoras, transmitindo diretamente do Palácio do Govêrno. Ontem, em entrevista à imprensa, o governador Leonel Brizzola, que conta com a adesão do III Exército e da 5ª Zona Aérea, declarou: “Nossa atitude não é de revolução, mas de resistência, de preservação da ordem jurídica no país. Entendemos que um golpe nas instituições significaria a desonra nacional e atiraria a Nação no caos e na guerra civil”. Com a chamada “corrente legalista” está, além do III Exército, a Brigada do Estado, composta por 15 mil homens. O Sr. Brizzola informou haver falado pelo telefone, com o Sr. João Goulart, pedindo-lhe que regresse o mais breve possível e desembarque em Brasília”.

Aparecida: Deu no jornal “O Globo” de 31 de agosto de 2011, 50 anos depois: “Otimismo em relação aos EUA faz Bovespa registrar terceiro dia de alta. Com expectativa de novos estímulos à economia americana, Bolsa sobe 0,96%”.

Bytes: Deu no jornal “O Globo” de 29 de agosto de 1961: “A maioria da Câmara dos Deputados é de opinião que o Congresso deve repelir a comunicação do presidente Ranieri Mazzilli segundo a qual os ministros militares consideram inconveniente o retôrno do Sr. João Goulart ao Brasil. Alguns parlamentares sugeriram a convocação do Sr. Ranieri Mazzilli para que informasse, com clareza, por que concordou em dar ciência aos congressistas da manifestação dos ministros militares contrária ao regresso do Sr. João Goulart”. E mais: “Chegou ao Rio, procedente de Porto Alegre, o general Antonio Carlos da Silva Muriel, chefe do Estado-Maior do III Exército. No Ministério da Guerra, para onde o general se dirigiu imediatamente, O GLOBO apurou serem inteiramente destituídas de fundamento as notícias espalhadas na cidade que a guarnição militar do Rio Grande do Sul aderira ao governador Leonel Brizola, que está ameaçando levantar o estado, a pretexto de assegurar o cumprimento da Constituição”. E mais: “O vice-presidente do Brasil, João Goulart, declarou ontem à noite que, sômente depois de conferenciar hoje, em Paris, com uma delegação de parlamentares brasileiros, poderá dizer se regressa ou não a Brasília para assumir a Presidência”. E mais: “O premier Fidel Castro interveio ontem abusiva e abertamente nos negócios internos do Brasil, quando, falando pela televisão, concitou os brasileiros a um levante popular, semelhante ao de Cuba, para evitar o estabelecimento de um regime que qualificou de “fascista”, em consequência da queda do presidente Jânio Quadros”.

Aparecida: Deu no “O Globo On”, no dia 29 de agosto de 2011, 50 anos depois: “Paz entre a bancada do PP e o ministro das Cidades é ´jogo de cena”. O alerta foi feito ao Palácio do Planalto.

Bytes: Deu no jornal “O Globo” de 26 de agosto de 1961 em editorial “A renúncia” sobre a saída de Jânio Quadros: “O povo brasileiro, entregue ontem rotineiramente aos seus trabalhos e canseiras, foi colhido às primeiras horas da tarde profunda surprêsa pela renúncia do ilustre Sr. Jânio Quadros à Presidência da República. Tudo se poderia esperar nestes tempos incertos, menos que o chefe da Nação, elevado ao poder pela imensa maioria dos votos, viesse a resignar o cargo quando práticamente nenhuma oposição organizada contra êle existe dentro e fora do Congresso. Menos ainda no seio das Classes Armadas, voltadas exclusivamente, para as suas atividades profissionais. Nossa confiança nas Classes Armadas é a de todo o povo, certos de que eles saberão corresponder aos ideais da Pátria, à sua sêde de ordem, de justiça, de progresso e liberdade”.

Aparecida: No Rio Grande do Sul, o governador Leonel Brizola criava a Cadeia da Legalidade para garantir a posse do vice-presidente constitucionalmente eleito João Goulart. Brizola teve sucesso em sua tese há 50 anos, mas não conseguiu evitar o golpe militar três anos depois. Assim como o povo não teve força para empossar o vice Pedro Aleixo há 42 anos após o afastamento do presidente Costa e Silva.  

Bytes: Deu no jornal “O Globo” de 25 de agosto de 1961, antes da notícia da renúncia de Jânio Quadros: “O escritor Alceu Amoroso Lima, em artigo publicado no ´Jornal do Brasil´ de ontem, afirmou que o presidente Jânio Quadros trouxe para a política nacional e internacional o sentido de independência que ´parece ser seu traço marcante e de maior mérito´. Concluindo o seu artigo, disse Alceu Amoroso Lima que não sabe dizer se êle vai repor o Brasil nos eixos. “Sei apenas – afirmou – que está no bom caminho, a despeito de discordâncias naturais. E sobretudo a despeito dos três Rs poderosos que, em grande maioria, o hostilizam: os ricos, os ratos e os reacionários”.

Aparecida: Deu no jornal “O Globo” de 30 de agosto de 2011 no “editorialzinho” intitulado: “Cruzada do mal”: “A liberdade de imprensa sofre novo golpe quando o jornalista Emilio Palacio é obrigado a fugir do Equador para salvar a pele. PERSEGUIR É apenas uma das formas usadas por regimes autoritários, como os “bolivarianos”, para calar a imprensa independente e profissional. CAUDILHOS SÓ têm ouvidos para elogios. Mesmo que sejam falsos”.

Bytes: Deu no jornal “O Globo” de 27 de agosto de 1961: “O marechal Odílio Denys disse hoje as seguintes palavras à UPI: “Chegou a hora de se escolher entre Democracia e Comunismo no Brasil. Nada tenho contra a pessoa do Sr. João Goulart, mas apenas contra a forma de govêrno que êle representa”. A seguir, o ministro da Guerra lamentou ter-se visto forçado a prender o marechal Lott, seu amigo. Em nota oficial, o marechal Denys anuncia à UPI a prisão do marechal Lott, que deverá cumprir pena de 30 dias. O marechal Lott, ex-candidato à Presidência da República, foi prêso na madrugada de ontem em sua residência em Copacabana e transferido, horas depois, para uma unidade militar. A prisão foi motivada pela divulgação de um manifesto em que o antigo ministro da Guerra dos governos Café Filho, Nereu Ramos e Juscelino Kubitschek diverge publicamente do marechal Denys e concita as “Fôrças vivas da Nação” a apoiar a posse do Sr.João Goulart. A crise política nascida com a renúncia do presidente Jânio Quadros evoluiu, sábado, para uma situação em que ficou bem clara a atitude dos líderes das Fôrças Armadas opondo um veto quase absoluto à posse do Sr. João Goulart na presidência da República. A evolução da crise foi rápida e para ela contribuíram principalmente antigas dissensões entre o presidente do PTB e os chefes militares”.

Aparecida: Deu no jornal “O Globo” de 27 de agosto de 2011, 50 anos depois, em editorial “Quando o Itamaraty era profissional”. “Errou que, diante da posição tíbia da diplomacia brasileira na carnificina em curso na Síria praticada pela ditadura de Assad, pensou tratar-se um ´ponto fora da curva´, algo a não ser considerado. Por esta visão benevolente e otimista, estaria valendo o firme discurso da presidente Dilma Rousseff, antes e logo depois da posse, em defesa dos direitos humanos. Pois a confirmação de que ´o ponto fora da curva´eram aquelas declarações veio em seguida, com a mesma leniência aplicada ao caso da Líbia, no reconhecimento do Conselho Nacional de Transição (CNT) como representante do país, na retirada da cena do ditador Muamar Kadafi, considerado ´amigo e irmão´ pelo ex-presidente Lula. A explicação para a tibieza, dada pelo chanceler Antonio Patriota, é que o Brasil ´reconhece estados, não governos´. Jogo de palavras. Ficou visível a dificuldade de Brasília para admitir o fim de um ditador que fez parte de uma constelação de autocratas afagados pelo lulopetismo, a começar por Fidel Castro e Hugo Chávez, em nome de um antiamericanos fossilizado”.

Bytes: No livro “João Goulart – uma biografia”, o escritor Jorge Ferreira revela uma história vigorosa sobre a queda de Jango. Há a passagem em que o comandante do II Exército, ex-ministro da Guerra do próprio Jango, Amaury Kruel, perguntou ao presidente no dia 31 de março de 1964: “Presidente, o senhor é capaz de prometer-me que vai se desligar dos comunistas?” Jango respondeu: “General, sou um homem político. Tenho compromisso com os partidos e não posso abandoná-los ante a pressão dos militares. Não posso deixar de lado as forças populares que me apoiam”. Segundo o autor, naquele tempo Jango tinha esquerdizado a história brasileira nascendo duas revoluções em gestações. A revolução da esquerda, a favor das Reformas de Base, e a da direita, advogada da ordem pública, urdida em impedir a República Sindicalista. Brizola afirmou que, se Jango pudesse imaginar a ferocidade do “regime” que sairia do golpe, ele teria resistido. Jango preferiu o exílio para evitar, segundo as suas próprias palavras, o “derramamento de sangue” no Brasil.

Aparecida: As potências ocidentais querem o Brasil na reunião em Paris para decidir o futuro da Líbia. Como pensa o governo dos Estados Unidos?

Bytes: O que sabemos é que o William Bonner deu um “puxão de orelha” no repórter Marcos Uchoa ... porque ele deveria estar usando um capacete para falar ao vivo sobre a crise na Líbia.

Aparecida: Engraçado, não me lembro de que nas outras coberturas havia o uniforme militar para a imprensa. Deve ser por isso que ele se esqueceu da proteção para a cabeça. É o chamado “sinal dos tempos”.

Bytes: O soldado Uchoa (acima), que quer se especializar em cobertura de guerras, é um destemido, assim como é ciente da hierarquia no serviço militar. Ele acatou as ordens do sargento no dia seguinte. O Bonner escreveu no Twitter: "O Ushowa tá de capacete. E colete".

Aparecida: Ah, entendi! Deve estar no novo manual de “Princípios” das Organizações Globo. Ou então o Bonder mandou ele se vestir igual à repórter da CNN, aquela que está junto dos rebeldes para mostrar como está sendo a ação insurgente. Bons tempos em que o jornalista reportava a realidade, sem estar atrelado à visão de uma facção, seja ela dos vencedores ou de vencidos. 

Bytes: Esta história parece obra da Ellen Rice, autora de “Entrevista com o vampiro”. Eu vi uma reportagem do Jorge Pontual na Globonews na qual ela contou o que sentiu ao conhecer o Cristo Redentor. “As nuvens encobriam o Cristo e o descobriam mais adiante. Foi uma experiência divina por se parecer com a vida”. Na hora me lembrei da visita do Obama ao Cristo à noite após várias vezes adiada. Ora ele estava encoberto, ora visível. E também da sua autorização para a intervenção militar na Líbia feita por meio eletrônico a partir de Brasília.

Aparecida: Revelou Nosso Senhor Jesus Cristo aos seus discípulos: “Naqueles dias vocês me verão e em outras horas não. E os discípulos perguntaram entre si: `O que é que ele quer dizer sobre isso? Uma hora me verão e outra hora não?”

Bytes: A Rice foi precursora das obras contemporâneas sobre os vampiros. Eles estão agora na moda, muito provavelmente porque os jovens querem discutir a “vida”, ávidos por “vida em abundância”.

Aparecida: O filme “Amanhecer”, da série “Crepúsculo”, deve estrear em novembro. Parte das locações foi feita no Rio e promete lindas cenas de amor na Cidade Maravilhosa. Viva o cinema americano! Viva!

Bytes: Um colega gaiato comentou lá na facû sobre a guerra civil na Líbia: “Sorria! Pelo menos vamos assistir agora pela Rede Globo como será a evolução humana, contemporânea, através do histórico sangue derramado”. 

Aparecida: A cobertura da imprensa sobre o Alemão não teve capacete? Teve? Mas a paz parece estar mais próxima do que na Líbia. Pelo menos há esperança no morro de que melhores dias virão, baseada na crença de que a intervenção teve pouco sangue derramado. Na comunidade todos estão sonhando com um novo amanhecer. E novembro ainda não chegou. Já os artistas, sempre na vanguarda, estão se divertindo no morro. Haveria“banho de sangue” se a Secretaria de Segurança tentasse conter a fuga dos traficantes do Alemão?

Bytes: O Benjamim me twittou para me lembrar da Torá, mais precisamente o que escreveu o rei Davi nos Salmos 118: "A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular; isto procede do SENHOR e é maravilhoso aos nossos olhos. Este é o dia que o SENHOR fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele".

Aparecida: A deputada Jaqueline Roriz não foi cassada pela Câmara.

Tico: Quando é que acabará a corrupção no Brasil?

Teco: Quando os que não se consideram cegos se assumirem pecadores, consequentemente corruptos. Elementar, meu caro Watson.

 

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou hoje (31) estado de calamidade pública nos Estados de Carolina do Norte e Nova York, em resposta aos danos causados pela passagem do furacão Irene no fim de semana. Com a decisão, fundos federais poderão ser liberados para apoiar medidas de recuperação nos locais mais atingidos pelas inundações decorrentes das chuvas. Entre as ações de assistência, estão acomodação temporária e reparos de casas danificadas e empréstimos de baixo custo para pessoas sem seguro residencial. A declaração, contudo, não inclui ainda Vermont, que sofreu com as maiores enchentes em ao menos quatro décadas. Pelo menos 11 cidades estavam isoladas ontem. Ao menos 43 mortes já foram confirmadas nos EUA por conta do Irene. Segundo a emissora de TV CNN, cerca de 2,5 milhões de pessoas continuavam sem energia elétrica na noite de ontem, sendo que o número chegou a atingir o pico de 5 milhões sem eletricidade por conta dos ventos. Os prejuízos provocados pela passagem do furacão, que deixou ainda quase cinco milhões de pessoas e empresas sem eletricidade nos EUA no fim de semana, podem chegar a US$ 7 bilhões (R$ 11,25 bilhões) no país, mas número bem mais baixo em comparação à passagem do furacão Katrina por Nova Orleans, em 2005, que provocou prejuízos superiores a US$ 70 bilhões (R$ 112,3 bilhões). Os danos financeiros vieram acompanhados de preocupação do mercado em relação ao baixo crescimento dos Estados Unidos. Apesar da promessa do Federal Reserve de adotar novas medidas de estímulo à economia, o crescimento econômico é baixo e o desemprego não demonstra ter recuperação. "É claro que a recuperação após a crise tem sido muito menos robusta que nós esperávamos", disse o presidente Ben Bernanke em comentários preparados para o discurso anual do FED. "A melhora da economia levará tempo e pode haver obstáculos no caminho", acrescentou. "Porém... o processo de melhora não deve deixar grandes cicatrizes", garantiu. O índice da confiança do consumidor dos EUA, o Conference Board, caiu para 44,5 neste mês, contra 59,2 na pesquisa de julho. O dado veio abaixo das expectativas de analistas. A queda de julho para agosto foi a pior desde outubro de 2008. No sábado (27), Obama participou das decisões sobre o Irene a partir de um centro de emergência em Washington (acima). No mesmo dia, ele defendeu a unidade dos estadunidenses ao destacar que o país ainda tem grandes desafios a superar, a poucos dias do aniversário de dez anos do atentados de 11 de setembro de 2001. "Quando vamos recordar este aniversário solene, nos encontramos mais uma vez com este espírito. E mostramos que este senso de comunidade do qual os estadunidenses precisam não foi apenas passageiro, que pode ser uma virtude duradoura, não apenas por um dia, mas todos os dias", afirmou.  "Depois de 11 de setembro de 2001 estivemos unidos, e esta demonstração de generosidade e compaixão nos recordou que em tempos difíceis, nós, os estadunidenses, pudemos avançar juntos, como um povo", destacou Obama, antes de advertir que ainda hoje os Estados Unidos devem enfrentar "grandes desafios". Ontem, em entrevista ao programa de TV Tom Joyner Morning Show, Obama , disse que a economia dos EUA sobreviveu a um "ataque cardíaco" e não está se recuperando com a velocidade necessária. "O que atravessamos foi a pior crise financeira desde a Grande Depressão", afirmou. "Tipicamente, após as recessões financeiras, as crises financeiras como esta, é preciso um longo tempo para a recuperação do paciente", acrescentou. Os republicanos, que têm maioria na Câmara de Representantes, defendem drásticos cortes nos gastos federais e menos interferência do Estado nas pequenas empresas, e já anunciaram que rejeitam o novo programa de Obama. "Se o Congresso não agir, vou lá fora dizer ao povo e as próximas eleições poderão ser um referendo sobre que visão de Estados Unidos é a melhor", advertiu Obama à oposição. Enquanto isso, a deputada estadunidense Michele Bachmann, pré-candidata republicana à corrida presidencial dos EUA em 2012, afirmou que a chegada do furacão Irene ao país foi uma “mensagem divina” de que Washington precisa mudar suas políticas públicas. "Vocês pensariam que agora eles entenderam a mensagem. Um terremoto, um furacão. Estão ouvindo? O povo estadunidense fez tudo o que pôde, e agora é hora de um ato de Deus e estamos recebendo isso", disse a parlamentar. Ontem, o Centro Nacional de Furacões (CNH, na sigla em inglês), com sede em Miami, previu que Katia poderá se tornar um furacão a partir de hoje. O seu vértice estava a cerca de 1.424 quilômetros a oeste do extremo sul das ilhas de Cabo Verde e avançava a cerca de 35km/h. O especialista em furacões Michael Brennan disse que Katia poderá afetar o Caribe, mas explicou que era ainda cedo para saber se chegará aos EUA.

 

Tico: No dia de hoje nasceu o imperador romano Caio Júlio César Augusto Germânico, mais conhecido como Calígula. Militarmente, o seu reinado esteve caracterizado pela anexação da província da Mauritânia, pelo insucesso na conquista da Britânia e pelas tensões que devastaram as províncias orientais do império. Ele demonstrou a sua megalomania ao ordenar que fosse erguida uma estátua em sua honra no Templo de Jerusalém. Há 1999 anos.

Teco: No dia de hoje Trinidad e Tobago se tornam independentes do Império Britânico. País caribenho situado ao largo da costa da Venezuela, ele possui a segunda maior população de língua inglesa na região, depois da Jamaica. Atualmente, o território atrai investimentos externos e apresenta uma economia florescente, almejando tornar-se um "Tigre do Caribe", a exemplo dos chamados Tigres Asiáticos. A independência ocorreu há 49 anos.

Bytes: No dia de hoje morreu, em Paris, a princesa Diana quando fugia de paparazzos acompanhada pelo namorado Dodi al-Fayed, que também foi vítima no acidente. Há 14 anos.

Aparecida: O “rei” Roberto Carlos vai se encontrar amanhã com o presidente israelense e Prêmio Nobel da paz Shimon Peres. Ele fará um show em Jerusalém no dia 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil. Ele gravará também no Santo Sepulcro. Eu já arrumei as malas e embarco também. Não perderia a noite histórica de cantar na Cidade Sagrada: “Jesus Cristo, eu estou aqui.... em Jerusalém”.

 Bytes: No domingo eu fui assistir ao filme “Planeta dos Macacos – a Origem” (acima). É um grande “blockbuster” que prende o espectador do início ao fim. Uma bela história em que indignados primatas, cansados de sofrerem tantas injustiças, atacam a civilização humana. Assim teria sido a origem do filme histórico que deu origem a série. Os primatas precisam mais do que repetir ações ou sentir a matéria, eles necessitam apenas falar e fazer cognições perfeitas, como os denominados humanos. Os “irracionais” que evoluem desde o princípio pelo “sangue derramado”.

Aparecida: E qual é o sentido da história? A ciência leva aos Franksteins? É um filme anticiência?

Bytes: Não. Embarque: Nova York. É Hollywood, a Meca do cinema.

Aparecida: Eu me lembro da cena marcante do primeiro filme quando o Charlton Heston chega de cavalo numa praia deserta e encontra praticamente enterrada na areia a Estátua da Liberdade, símbolo de Nova York.

Bytes: Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia, afirma que o Partido Republicano está se transformando em legenda anticiência. O economista escreveu: “Perrey (possível pré-candidato), governador do Texas, fez manchetes recentemente ao fazer pouco da evolução humana como uma ´simples teoria´ que tem ´alguma lacunas´ - uma observação que soaria como novidade para a vasta maioria dos biólogos”. E finalizou o artigo: “Agora, não se sabe quem ganhará a eleição presidencial do próximo ano. Mas há chances de que, mais dia, menos dia, a maior nação do mundo será dirigida por um partido que é agressivamente anticiência, mesmo anticonhecimento. E, numa era de grandes desafios – ambiental, econômico e outros – é uma terrível perspectiva”. 

Aparecida: O republicano D*** Cheney, o vice-presidente manda-chuva do governo Bush, escreveu o seu livro de memórias. Ele disse que é favorável à tortura desde que seja aplicada nos estrangeiros e não nos estadunidenses. Parece o Velho Testamento que autoriza os judeus a fazerem monstruosidades com os gentios em tempos de guerra, inclusive com crianças, porque elas não são judias. Ele também não poupou críticas aos “negros” do governo, como Collin Power e Condoleezza Rice.

Bytes: A rede de TV CBS informou que o governo da Guatemala encontrou cinco sobreviventes de um projeto de pesquisa do governo dos Estados Unidos sobre doenças sexualmente transmissíveis que matou dezenas de guatemalteco. Uma comissão do governo revelou anteontem novos detalhes dos experimentos realizados na Guatemala nos anos 40, incluindo a decisão de reinfectar uma mulher à beira da morte num estudo sobre sífilis. São os homens de segunda classe pela ótica nazista.

Aparecida: O Lula foi à Costa Rica e disse a presidente do país que "há espaço e mercado no Brasil para um país como a Costa Rica" e que pretende "convencer os empresários brasileiros a conhecerem o potencial do país centro-americano”. Na Bolívia, ele disse que "nunca, em 500 anos", houve "tantos governos progressistas" na América Latina capazes de construir uma nova economia. Segundo Lula, o Brasil começou a dar preferência para as relações comerciais com os países da região e, como consequência, o intercâmbio com a América do Sul em 2010 foi de US$12 bilhões. Atualmente, as trocas chegam a US$83 bilhões, mais do que o quíntuplo.

 

Tico: O Brasil está blindado economicamente?

Teco: Quem é capitalista sabe que sim porque tem visão macroeconômica. Se tivermos que cortar juros para incentivar a atividade econômica, temos muito onde cortar. Se houver uma desaceleração mundial, o desemprego pode subir e o “apagão da mão de obra”, grande preocupação do empresariado atualmente, desaparecerá. Mas não trabalhamos com este cenário e sim do “pleno emprego” e do crescimento. Porque se a economia exigir profissionais, somos americanos, de braços abertos para quem quiser construir a América, o “Novo Mundo”. Para os capitalistas, meia palavra basta.  

Tico: O que você acha da economia dos Estados Unidos?

Teco: Eles estão exercendo o livre-arbítrio deles, assim como nós. Como somos capitalistas brasileiros e contemporâneos, sabemos que o “crédito” lá está retido devido ao medo da situação financeira da Europa. Um capitalista não fica vendo o navio naufragar e se torna apático. Ele age porque sabe para onde estão indo os ventos do capitalismo, completamente diferente dos “burocratas” que gostam de bater o “relógio de ponto” para demonstrar expediente. O capitalista vive de risco como é a vida. Para os capitalistas, meia palavra basta.

Bytes: Um amigo meu lá da facû, que já foi do PC do B, está mais capitalista do que nunca. Ele conseguiu que uma grande empresária de sucesso no Brasil entendesse a sua proposta revolucionária de produção e emissão no novo mercado. Tudo negociado via Twitter. O colega falou: “Naquele tempo, o analógico, eu teria que enfrentar vários burocratas até chegar à empresária. Graças aos americanos, que produziram maravilhosos ´bens de capital´, abreviando tempo e espaço, porque são frutos de uma ´sociedade aberta à liberdade´ e não um ´regime fechado´ e dependente do Estado, venci”. Ele até já esqueceu o tempo em que era conselheiro universitário da UFRJ e que tudo era LONGO, LONGO e LONGO porque os professores tinham estabilidade no emprego e salário garantido no fim do mês. O máximo de ousadia era a alfinetada que um dava nas mazelas do outro. Mas ele ressaltou também: “O meu sucesso é graças também à crise natural do capitalismo porque senão a minha tese, pronta desde 2005, nunca seria aceita nem mesmo pelos empresários. O ´coletivo´ das cooperativas eu já tinha desistido porque participava de um monólogo”.

Aparecida: O Brasil está se transformando numa sociedade capitalista. Lá na Rocinha foi aberta uma página de “compras coletivas”, a chamada “economia das sobras”.

Tico: Qual será a decisão do Banco Central sobre juros hoje à noite?

Teco: Não temos a visão “nacional-socialista” da história e sim capitalista. Enquanto os brasileiros não formarem capital, os juros serão sempre altos. Quando houver o fluxo econômico, naturalmente ele baixará. Entendemos de “economia de mercado”. E afirmarmos que este cenário de queda de juros já está se pronunciando porque o crédito no Brasil continua firme. Os vendedores querem vender e os consumidores consumir. A lógica da inflação de demanda será revertida por uma questão capitalista, a tal “mão invisível do mercado” que está apontada para o Brasil. Quem entendeu a lógica do Plano Real sabe que estamos no “rumo certo”, muito além dos atores políticos. Porque começou na abertura feita pelo Collor chegando até o Lula. A velocidade do Brasil ainda é do cruzeiro, mas chegará ao trem bala.

Bytes: Outro dia uma analista do Banco Pactual deu uma aula de economia para o apresentador do “Conta Corrente”, da Globonews, demonstrando por que a chamada com “viés negativo” sobre a queda do desemprego era um “cenário positivo”. Mas há também o George Vidor que dá vida ao noticiário econômico. Ontem, ele perguntou a um “contador ancião” se não se orgulhava dos balanços apresentados pelas empresas brasileiras que só estão despertando a atenção dos investidores estrangeiros, cada vez mais perdendo o medo de investir na Bolsa brasileira. Ou seja, o Vidor lembrava que acabou o tempo em que se fazia tudo nas coxas neste País, o tempo do nacional-socialismo no Brasil. Entramos num “mundo globalizado” em que não há mais tempo para “amadorismo”, porque balanço bem feito é uma linguagem que os capitalistas internacionais entendem. Vidor conseguiu reverter a “retórica” do contador que batia numa só tecla: “A culpa é dos juros”.

Aparecida: A culpa sempre é do “outro”.

Bytes: Há um Brasil novo convivendo com um Brasil velho. Fazer sardinha no meio da rua, como o sindicalista Paulinho da Força Sindical, é TEMPO. A “imprensa velha” tentar jogar o País para baixo por não ter formado ainda capital é TEMPO. O Brasil não pode ficar refém da direita e da esquerda que não aceitam a “ciência contemporânea”: o espaço-tempo que cria a matéria. O tempo de Jango acabou: um governo tentando se equilibrar entre as duas ideologias.

Aparecida: O que você acha do Lula?

Bytes: Ele é muito menos “fundamentalista” do que as Organizações Globo e o frei Betto. Parodiando a metáfora elaborada pelo rabino Bonder, podemos dizer que durante muito tempo o sindicalista Lula vestiu o Brasil dizendo como “verdade”: “O País só progredirá se declararmos moratória ou fizermos a renegociação da dívida”. Como presidente, ele honrou as dívidas brasileiras como um ortodoxo, deixando o resto do mundo encantado como o vestido de linho puro brasileiro. Durante muito tempo o sindicalista Lula vestiu o Brasil dizendo: “Fora FMI!” Como presidente, ele pagou o FMI como um capitalista e o mundo ficou encantado com o vestido de linho puro brasileiro. Porque as “retóricas” são apenas “subtextos” que prendem os nacional-socialistas ao TEMPO, gerando os “anciãos das horas”. Mas o Lula consegue abandonar as “bandeiras de luta” quando perde o “medo do desconhecido”, o medo da “evolução natural” que dizimou os dinossauros.

Aparecida: O vulcão Etna está expedindo cinzas e enxofre cada vez mais fortes.

Bytes: O Paul me twittou la´de Nova York para escrever sobre a tempestade Irene: “Aqui o terrorismo cresce a cada dia. Comentei com um amigo que já tive uma experiência mais aterrorizante com o dilúvio na cidade de São Paulo. Não tenho nada a temer”. Eu respondi: “Dá mais sensação de perigo as ressacas de 3,5 metros aqui no Rio. Mas os meus amigos surfistas estão felizes, dizendo que o Haiti é logo aqui: em Copacabana. Com ondas que chegam a 5 metros. Tudo é relativo, já dizia o gênio Einstein”.

Aparecida: Está se formando um novo furacão: Katia. Ninguém sabe se atingirá os Estados Unidos. Falando em terrorismo, o jornal “O Globo” vai promover amanhã com especialistas uma discussão sobre os 10 anos do 11 de setembro.

Bytes: O “New York Times” publicou que a Casa Branca circulou entre funcionários do governo uma lista detalhada de diretrizes sobre como lembrar os dez anos do 11 de Setembro. De acordo com o jornal, as instruções incluem honrar a memória dos mortos em solo estadunidense, mas também lembrar que os terroristas da al-Qaeda atacaram outros lugares do mundo.

Aparecida: Eu li que um dos programas a ser exibido por uma emissora dos Estados Unidos terá como tema como as crianças lidaram com o 11 de Setembro. Coitadas das crianças. Os adultos perguntarão: “O que vocês viram hoje na TV?” Elas responderão: “Morte! Morte! Morte!”

Aparecida: Por que o homem está caminhando para a religião?

Bytes: Porque todos esperam que haja um ser divino dentro do animal humano. Todos já estão cansados da evolução pela dor, pelo sofrimento e pela morte.

Aparecida: É impressionante o número de pessoas que estão sendo diagnosticada com câncer hoje em dia.

Bytes: Segundo Freud, patriarca da ciência contemporânea, no espaço e no tempo todas as coisas mudam. Transformam-se. Nada tem forma permanente. A única coisa permanente é a Impermanência. Modificar-se é o inicio da sabedoria. É coerência com as leis do universo”.

Aparecida: Eu li uma coisa muito interessante escrita por Freud: : "Ao longo do tempo, a humanidade teve de suportar dois grandes golpes em sua autoestima. O primeiro foi constatar que a Terra não é o centro do Universo. O segundo ocorreu quando a biologia desmentiu a natureza especial do homem e o relegou à posição de mero descendente animal".

Bytes: O gênio Einstein escreveu: “Um corpo com uma massa muito grande causa uma deformação no tempo-espaço. Daí que surge a força da gravidade”.

Aparecida: Por causa da violência em Londres, o carnaval de Notting Hill foi repleto de policiais (acima). Não precisava tanto aparato repressor para lidar com a massa.

Bytes: O tempo é uma grandeza fundamental da física, assim como a massa e a distância. Já Darwin afirmava que o espaço-tempo determinava a “seleção natural”. Escreveu o biólogo britânico sobre a teoria evolucionista dos primatas: “As espécies de seres vivos se transformam ao longo dos tempos, pois sofrem a seleção natural, que prioriza os seres mais adaptados ao ambiente em que vivem, devido a suas características serem adequadas ao meio onde vivem. Assim, a força que gera a transformação das espécies no decorrer do tempo é a seleção natural”.

Aparecida: Eu achei tão fofa a matéria no “Pelo Mundo” sobre o chimpanzé menin... Me lembrei do primeiro filme sobre o Planeta dos Macacos”. A liberdade de expressão estará garantida aos homens?

Bytes: Se fosse vivo o apóstolo João, o “discípulo amado”, com certeza escreveria hoje em cima da metáfora judaica contada pelo rabino Bonder: “No princípio era a Verdade nua e a Verdade estava com Deus e a Verdade era Deus. Mas a Verdade se vestiu”. Nascia, assim, a Esperança.

Aparecida: E mudou a “sangrenta” história contada pelos homens.

Bytes: Viva a História que vestiu a Verdade com seda de linho puro!

Todos: Viva! Viva! Viva!

 

EM MEMÓRIA DE JOSÉ DE ARIMATÉIA

Rio de Janeiro, 31 de agosto de 2011

 

 

 

 

 

 

  

 

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