Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2019: Trajetórias principais

Por Luciano Losekann, do Blog Infopetro

No início de maio, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou o Plano Decenal de Expansão de Energia no horizonte 2019 (PDE 2019). Esse documento descreve o planejamento do setor energético brasileiro, sendo possível identificar as principais trajetórias da oferta e demanda de energia e as diretrizes de política energética do país.

Como não poderia ser diferente, o principal destaque do PDE 2019 é o incremento da produção de petróleo e gás natural, decorrente do aproveitamento das reservas do pré-sal. Esse fator irá transformar o segmento de energia no Brasil. Também são destaques, (i) o forte crescimento do consumo de energia no país, (ii) a concentração da expansão do parque de geração em hidrelétricas e fontes alternativas; (iii) a redução de expectativas quanto à produção e exportação de etanol.

As premissas macroeconômicas contidas no PDE 2019 resultam em crescimento do PIB na taxa de 5,1% ao ano, um ponto percentual acima da projeção do PIB mundial. Como considera uma elasticidade renda superior a um, o PDE 2019 projeta que o consumo final de energia irá crescer a uma taxa de 5,9% a.a.

Nos primeiros cinco anos de projeção (2010-2014), a elasticidade alcança 1,36, o que representaria uma inflexão na trajetória de redução da elasticidade renda do consumo de energia no Brasil, que foi unitária nos últimos cinco anos[1]. O documento justifica essa evolução pelo aquecimento da atividade econômica em segmentos da indústria fortemente intensivos em energia (siderurgia, alumínio, papel e celulose, refino de petróleo e fertilizantes).

Para efeitos de comparação, o panorama de longo prazo do Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE) para os dados mundiais de energia (IEO 2010), que também foi divulgado em maio, projeta uma taxa de crescimento anual do consumo de energia de 1,4% (0,3% a.a. para países da OCDE e 2,3% a.a. para países não pertencentes a OCDE) em período semelhante (2008-2020). Ou seja, o consumo brasileiro de energia cresceria em taxas muito superiores ao resto do mundo.

A participação das fontes fósseis de energia no total consumido praticamente não se altera no período. É projetado um forte crescimento do consumo de gás natural (10,1% a.a.) e de carvão mineral e coque (10,2% a.a.). Entre as fontes renováveis, álcool etílico e biodiesel apresentam altas taxas de crescimento, 8,8% a.a. e 9,8% a.a. respectivamente.

Ainda que os derivados de petróleo tenham sua participação reduzida no período, a taxa de crescimento (4,3% a.a.) é significativa. A projeção do DOE para o crescimento do consumo de derivados do petróleo é de apenas 0,5% a.a. (-0,4% a.a. para países da OCDE e 1,6% a.a. para o resto do mundo).

Entre os derivados, é previsto crescimento acentuado do consumo de diesel e óleo combustível, 6% e 5,1% a.a. respectivamente. Como o PDE 2019 considera que o álcool será mais competitivo para abastecer automóveis bicombustíveis, o consumo de gasolina sofre redução (-1,9%). (...) continua no Blog Infopetro.

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