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Desenho de Oscar Niemeyer

Prazer, prejuízo, ócio (Suely Mesquita - Celso Fonseca) # Suely Mesquita

Primeira estrela (Luli - Lucina - Sônia Prazeres) # Nana Caymmi

POEMA

Eu não quero o teu corpo
Eu não quero a tua alma,
Eu deixarei intato o teu ser a tua pessoa inviolável
Eu quero apenas uma parte neste prazer
A parte que não te pertence.

 

Joaquim Cardozo*

 

 

 

*Joaquim Cardozo foi engenheiro, poeta, editor, desenhista e calculista dos mais importantes monumentos de Oscar Niemeyer.

 

 

Música:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Sexo puro # Suely Mesquita

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

...e a gente nem deu nome # Nana Caymmi

 

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Comentário de n almeida em 18 fevereiro 2014 às 6:30

O engenheiro poeta
e o poeta engenheiro

A arquitetura das palavras
e o cálculo da poesia

As pedras da cidade
e a poesia mineral

O Engenheiro

A luz, o sol, o ar livre
envolvem o sonho do engenheiro.
O engenheiro sonha coisas claras:
Superfícies, tênis, um copo de água.

O lápis, o esquadro, o papel;
o desenho, o projeto, o número:
o engenheiro pensa o mundo justo,
mundo que nenhum véu encobre.

(Em certas tardes nós subíamos
ao edifício. A cidade diária,
como um jornal que todos liam,
ganhava um pulmão de cimento e vidro).

A água, o vento, a claridade,
de um lado o rio, no alto as nuvens,
situavam na natureza o edifício
crescendo de suas forças simples.

- João Cabral de Melo Neto, por ele mesmo:

Comentário de Cafu em 18 fevereiro 2014 às 12:14

O lirismo às avessas

e a construção do sentido

O amor sem fôrma

e a reinvenção do prazer

A justiça dos homens

não se delineia com régua e compasso

A vida é  obra aberta

e no meio do caminho tem pedras, pedreiras e pedradas.

Comentário de n almeida em 18 fevereiro 2014 às 18:20

Sonetossom e Arquitetura Nascente, poemas de Joaquim Cardozo, por João Diniz



Arquitetura Permanente




Sonetossom

I

Sonetossom é música — sonata —
Suíte da qual desponta o som da giga
Que o Novo a voz imita em voz antiga
E alude a um alaúde em tom de prata.

É canto inverso, divisão, cantata
Que do alto vem, do teto, minha amiga,
Onde a canção das cordas de uma viga,
Uma equação vibrante a mim relata.

Sonetossom é música, retrata,
Em traços de Bourrée e de Alamanda,
Aquilo que comove ou que maltrata.

Inda mais é, amiga, ouça o sentido:
A mímica do fogo em sarabanda,
A voz do tempo, pelo som, perdido

II

Sonetossom é cor também... também...
Jalne sutil, rude açafrão; dossel
Que do animal, da planta, a cor contém:
Composição de púrpura e pastel.

Como um tapete vai rolando, além:
De sucessivas cores, carrosel.
Às margens dos seus versos entretém,
De cores vegetais, debrum, cairel.

Sonetossom, também, de cor brasil
Tingido está, de índigo, de anil...
Cores que a um povo deu prazer perdido.

Branco de Kaolim; de genipapo
Preto retinto: mínimo farrapo,
De morta luz, bem sei, constituído.


Arquitetura Nascente & Permanente e Outros Poemas dedicados:


A Oscar Niemeyer arquiteto-poeta

A Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto e Thiago de Melo arquitetos da poesias


A Página

Comentário de Cafu em 19 fevereiro 2014 às 12:41

Hey, n.

Gracias pela contribuição. Vivendo e aprendendo.

Comentário de n almeida em 19 fevereiro 2014 às 20:31

Outro poema engendrado pela sensibilidade incalculável de Joaquim Cardozo


Fábulas de João da Tarde II, por Lauro Moreira




João da Tarde, vendedor de chuvas,
Viajou para o sertão.
Levava em seu mostruário os mais belos fios das nuvens,
As chuvas mais ricas do céu!
Umas de tecidos finos e frios, outras de fortes bátegas pesadas;
Chuvas irisadas de sol e de lua,
Jaspeadas de brisa matutina ou debruadas de tarde;
Levava peças inteiras de Chuvão e de Aguaceiro,
De Piroabas delgadas e de espessas Camboeiras
– Alguns retalhos de Chuva-de-rama e de Santa Luzia –
Entre ruços, névoas e neblinas levava também
Garoas de São Paulo, Torós do Rio de Janeiro,
Aruegas de Minas Gerais.
No largo da feira abriu o seu pluviário
E apregoando ficou por todas as horas: claras e sombrias, tardias
[e prematuras,
Apregoando ficou
As vantagens e fantasias dos seus panos de chuva:
Como eram retilíneos e firmes no ar,
Como envolviam e amavam as sementes!
Mas ninguém o escutava, ninguém lhe atendia.
Uma velha mulher chegou-se, entretanto,
Uma velha que trazia a fome nos ombros e nos olhos
E que trazia a seca no ventre e no seio;
Chegou-se, apanhou no chão ressequido um pedaço de sombra
[de nuvem
E espremeu-o, tanto o espremeu nas suas mãos magríssimas
Que fez cair algumas gotas sobre a terra cinérea:
Vinham elas talvez dos seus olhos, das unhas talvez. . . – olhos
[de suas mãos –
(Gotas do seu sangue sem cor)
– Esta, disse a velha mulher, é a chuva que usamos, meu senhor!
E João da Tarde porque não possuía
Uma chuva tão pobre, uma chuva tão tristemente,
Fechou o seu calendário. E partiu.

                             ///////////

Sempre admirei as chuvas
Chuvas são sopros de renovação da vida sobre a terra
Sopros de variada poesia
De variados sentimentos então

                             ///////////


Chove Chuva,
Chove Lá Fora.
Que Maravilha!
Esta Tarde Vi Chover.













Comentário de Cafu em 20 fevereiro 2014 às 11:15

Chuva boa de chover no piquenique dos insensíveis e indiferentes.

Comentário de n almeida em 20 fevereiro 2014 às 19:51

Não importa o tempo de tempestade
Que os pingos da chuva continuem caindo em minha cabeça
Seguirei cantando na chuva

E se importando com a criança num gélido ponto de ônibus da Noruega

Alheio a indiferença e insensibilidade

Pleno de calor humano













Comentário de Cafu em 20 fevereiro 2014 às 21:20

Sem olvidar a chuva de caju...

Chuva de Caju

Como te chamas, pequena chuva inconstante e breve?
Como te chamas, dize, chuva simples e leve?
Teresa? Maria?
Entra, invade a casa, molha o chão,
Molha a mesa e os livros.
Sei de onde vens, sei por onde andaste.
Vens dos subúrbios distantes, dos sítios aromáticos
Onde as mangueiras florescem, onde há cajus e mangabas,
Onde os coqueiros se aprumam nos baldes dos viveiros
e em noites de lua cheia passam rondando os maruins:
Lama viva, espírito do ar noturno do mangue.
Invade a casa, molha o chão,
Muito me agrada a tua companhia,
Porque eu te quero muito bem, doce chuva,
Quer te chames Teresa ou Maria.

(Joaquim Cardozo)

Comentário de n almeida em 20 fevereiro 2014 às 21:31

A Carlos Drummond de Andrade

João Cabral de Melo Neto


Não há guarda-chuva
contra o poema
subindo de regiões onde tudo é surpresa
como uma flor mesmo num canteiro.

Não há guarda-chuva
contra o amor
que mastiga e cospe como qualquer boca,
que tritura como um desastre.

Não há guarda-chuva
contra o tédio:
o tédio das quatro paredes, das quatro
estações, dos quatro pontos cardeais.

Não há guarda-chuva
contra o mundo
cada dia devorado nos jornais
sob as espécies de papel e tinta.

Não há guarda-chuva
contra o tempo,
rio fluindo sob a casa, correnteza
carregando os dias, os cabelos.


Texto extraído do livro "João Cabral de Melo Neto - Obra completa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1994, pág. 79.

 

Fonte: http://www.releituras.com/joaocabral_cdandrade.asp

Comentário de Cafu em 21 fevereiro 2014 às 22:55

Lindo poema. Triste e verdadeiro.

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