O caso da moça brasileira na Suiça ainda reverbera em mim. Gostaria de entender melhor. Li que ela poderia ter sofrido alterações de humor pelo lupus, questionei entre amigos.
Uma amiga psiquiatra, que vive em São Paulo, respondeu-me, acho que é interessante lerem.
Eis o e-mail dela- mexi na pontuação para ficar mais fácil ler:


"Aproveito a ¨deixa¨para dar minha opinião em relação aos sintomas ligados ao lúpus.

É verdade que existem sintomas psíquicos e neurológicos ligados ao lúpus, incluindo quadros psicóticos.

O mais interessante é que pode haver quadros de alteração de personalidade ocorrendo de forma mais aguda, dependendo de alteração inflamatória de áreas cerebrais, e nesse caso o que chama a atenção é a mudança em relação à estrutura de personalidade prévia.

Dependendo da área afetada, ou seja, frontal, temporal etc., vão predominar alterações de humor, labilidade afetiva, impulsividade, perda de inibição social, agressividade, paranóia, etc, mas o importante é que a pessoa "não é ela mesma", na visão dos que a conhecem na intimidade.

Outra possibilidade que acontece em lúpicos é a de quadros psiquiátricos induzidos ou agravados pelo uso de corticoide, aí poderia haver aparecimento de quadros latentes de depressão, e especialmente de transtorno bipolar, às vezes com características de personalidade borderline, que parecem ter se manifestado nessa menina, e não seriam necessariamente do lupus, mas poderiam ser ligados à medicação para o lupus.

De modo que o assunto é bem complexo. O importante vai ser avaliar bem a personalidade prévia, o que houve de alteração aguda, que medicações estava utilizado, como estavam as provas laboratoriais de atividade da doença, além da avaliação psiquiátrica propriamente dita, para avaliar a participação do lupus."

Euthymia Brandão de Almeida Prado

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Comentário de Ilva em 1 março 2009 às 1:27
Olá, Laura, parabenizo-a - efusivamente - pela iniciativa de trazer para nosso conhecimento as interessantíssimas considerações tecidas por sua amiga, psiquiatra em São Paulo (Dra. Euthymia Brandão de Almeida Prado), acerca do caso da brasileira que supostamente automutilou-se na Suiça. Os efeitos das doenças e das drogas (em sentido amplo) sobre a mente humana já não podem mais ser ignorados pelo Direito nem pela sociedade quando se analisa o comportamento de uma pessoa, sobretudo, quando dessa análise puder emergir sanções, sociais e/ou legais. O conhecimento científico tem de estar a serviço de nossa humanização. As condenações, quando cabíveis, devem ser precedidas do esquadrinhamento exaustivo dos fatos, e as "sanções", respostas adequadas a cada caso.
abraços,
Ilva
Comentário de Anarquista Lúcida em 1 março 2009 às 2:35
Olha, gente, acho mais provável, conhecendo mulheres apaixonadas, que o noivo a tenha induzido a fazer isso com olho na indenização, e depois, quando a coisa deu errado, tomou chá de sumiço.
Comentário de Elianne Diz- Laura Diz em 1 março 2009 às 12:10
Anarquista tb acho qu eele a levou ao gesto. Brasileira no pais dele... iriam casar, parece... faz sentido ele estar envolvido até a raíz. Mas cadêo o homem? ninguém fala nele.
Bj

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