POR QUE NO BRASIL POUCO OU NADA SE ESCREVE SOBRE OS NEGROS?

POR QUE NO BRASIL POUCO OU NADA SE ESCREVE SOBRE OS NEGROS, COM OS NEGROS, PARA OS NEGROS E PELOS PRÓPRIOS NEGROS? QUEM OUSA CONTAR NOSSAS HISTÓRIAS É CRITICADO E DESPONTAM AÇÕES PARA A DESQUALIFICAÇÃO DA 'OBRA NEGRA'.

O racismo contra o negro (preto e pardo) está difundido por todo o mundo, inclusive na África, mas no Brasil se revela até no medo que a branca classe dominante tem por nós. Medo que nos eduquemos. Medo que estudemos. Medo que ocupemos cargos, funções ou postos de comando. Medo da nossa cultura, da nossa inteligência, da nossa maestria. Medo que tomemos o poder. Neste país os brancos têm até medo de deixarem de ter medo dos negros. Medo, medo, medo, fobia, pavor. Esse medo se transforma em ações e atitudes para nos aniquilar, nos deprimir, nos subjugar e não tem limites entre o individual e o coletivo, o privado e o público, onde o método sistemático é nos marginalizar, favelizar, insistindo num discurso de que somos minorias; discurso esse que infelizmente foi sendo aceito até pelas esquerdas, pelos democratas, pelos humanistas. No Brasil todos os brancos ou os que se acham brancos se unem ou se omitem quando o que está em questão é impedir que negros e negras assumam, como indivíduos-cidadãos ou indivíduos-comunidades, suas prioridades, prerrogativas, e se apropriem de suas próprias vidas e as protagonizem enquanto identidade e pertencimento à humanidade, como quaisquer outras culturas e etnias dispersas pelo planeta Terra. Explicar o racismo como um comportamento humano adquirido pelas dicotomias econômico-sociais ou pela verve humana que o impulsiona para a luta pelo território, controle e poder, sobre os demais de sua própria espécie é ter apenas um olhar sobre essa "doença" humana, que é pandêmica por ser complexa e difusa, e se projeta do Eu para o Nós, ou vice-versa, numa amplitude que por vezes transcende nossa compreensão humana, pois se sabe-se não haverem divisões de raças entre os humanos segue incompreensível e inaceitável que o racismo siga existindo e se difundindo entre nós. Iniciativa de cineastas, negros ou não, de contar as nossas histórias, dos nossos povos, das nossas ancestralidades africanas serão sempre criticadas e tentativas de diminuir sua importância serão propagadas até entre comunidades negras, afinal o esteriótipo do negro eternamente escravizado, submisso, dividido, capitão-do-mato, preguiçoso, bandido, marginal, malandro, tem vantajosa pedagogia elitista para manter-nos nos guetos, na base da pirâmide social e, sobretudo, apartados de quaisquer utopias que nos ascenda à protagonizar ideias e ideais de um Brasil melhor para todos os negros, pretos, pardos, indígenas, a maioria, que de fato nos transforme numa nação desenvolvida e soberana entre as demais nações. Insistamos em escrever, cinematografar, novelizar, poetizar, compôr dramas e comédias sobre nós, e quiçá seja um instrumento eficaz contra os 'negros' medos que impulsionam o racismo.

Ubuntu!

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