PORQUE DILMA



Dilma, que tem, sobretudo, um coração sensível, pode levar adiante
a reconstrução de nosso povo, para o bem da democracia plena e
verdadeira



Porque queremos que esta nova luz que começou a brilhar no olhar de milhões de brasileiros, como sinal de afirmação humana e cidadã, continue a brilhar sempre mais. Porque queremos que esta autoestima que
se afirma no coração e na mente de um povo por tanto tempo humilhado e
excluído se consolide e afugente para sempre o triste “complexo de
vira-latas” que vitimou aqueles que diziam nos representar. Porque
sabemos que a chave e a questão mais profunda do atual debate eleitoral
é esta: a emergência de uma nova consciência, de um novo posicionamento
de milhões de pessoas mantidas até aqui cuidadosamente “em seu lugar”,
destinadas apenas a reproduzir a riqueza e a reproduzir o pensamento,
usos e costumes dos senhores e dos “formadores de opinião”. O
significado do governo deste presidente, que desconcerta tanto os
seguidores dos velhos manuais, vai muito além do novo posicionamento do
Brasil na comunidade internacional; vai muito além da implementação
deste modelo econômico que nos permitiu crescer e ao mesmo tempo
distribuir renda e retirar milhões da miséria. Vai muito além dos
benefícios sociais e de tantas conquistas obtidas pelas maiorias e
minorias marginalizadas, levando mais de 30 milhões de brasileiros a
ingressar na classe média. Todas elas são, por certo, muito importantes
e constituem base material que assegura o apoio ao presidente e a seu
governo, mesmo após anos seguidos da mais dura e absolutamente livre
crítica, muitas vezes infundada, desrespeitosa e eivada de vil
preconceito. Na verdade, o significado mais profundo do exercício do
governo por este “sobrevivente da tribulação”, com todos os seus
limites e erros, é esta ruptura que ocorre quando a população percebe
que “um de nós” mostra ser possível ultrapassar muros antes
intransponíveis. Porque esta relação com um presidente que representa
as maiorias não só por ter sido eleito mas por “ser um dos nossos”
produziu no nosso povo um fenômeno inédito, de identificação que teve
consequências de difícil avaliação. Porque esta identificação não ficou
apenas na simples contemplação, mas na assunção efetiva de um novo
papel que as grandes maiorias passaram a exercer. Essa gente começa a
ocupar seu novo lugar e a exigir a vigência de uma democracia
verdadeira, em que novos direitos são conquistados e partilhados, sem
guerras, mas com muita firmeza. Esse povo começa a pisar em terrenos
antes proibidos, do Palácio do Planalto às poltronas dos aviões, dos
supermercados e lojas de eletrodomésticos às universidades, teatros e
cinemas… Essa gente começa a pensar com cabeça própria. E aí não tem
volta. É, de fato, muito difícil para a casa grande, particularmente
para seus áulicos, admitir que a senzala se moveu e que não se sabe
onde isso pode parar. Isso explica a raiva destilada em tantos textos
de iluminados e donos da verdade… É justamente este processo do nosso
povo, com o qual sempre sonhamos, e que apenas começa, que queremos ver
continuar… E Dilma, que não tem um projeto pessoal, mas que se entrega
a um projeto coletivo; Dilma, que tem toda a energia deste povo com
quem passou a conviver; que tem grande competência, forjada em tantos
anos de trabalho, e que tem, sobretudo, um coração sensível, pode levar
adiante esta reconstrução de nosso povo e do nosso país. Para o bem da
democracia plena e verdadeira. Para o bem da paz social, do respeito
aos direitos de todos e para a queda de tantos muros que até aqui
separam irmãos. Por isso, Dilma!


GILBERTO CARVALHO, 59, é chefe de gabinete da Presidência da República.


Por: Carlos Honorato

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