José Cleves
Muito se fala sobre o gigantismo chinês antes restrito à questão populacional. Até que a mão de obra barata e escassa virou um grande negócio e hoje o País caminha para ser a maior economia do mundo.
Na minha opinião, o trunfo maior dos inventores da pólvora está na criatividade. Eles revolucionaram a tecnologia eletrônica – do brinquedo de plástico ao sofisticado Ipad – e vão além com a fabricação de engenhocas de mil e uma utilidades.
Surgiu recentemente no Brasil o chamado rodo mágico Made in China que faz parte do kit de utilidade domésticas de seus incríveis ventos que estão deixando o ocidente embasbacado.
O rodo nada mais é do que uma espuma cilíndrica puxada por um cabo. Uma vez encharcada, a espuma é comprimida por um mordedor através de uma alavanca, tirando toda a água.
Ou seja, o rodo suga a água, eliminando o nojento pano de chão, as dores lombares e aquela trabalheira danada que as donas de casa tinham para limpar o piso. Serve para tudo, inclusive para sugar o xixi de cachorro, de forma higiênica e prática.
Trata-se de um invento simples, barato, cotado a R$ 35,00 (os menos sofisticados), que poderia ter sido inventado por qualquer brasileiro mais criativo. Infelizmente, ninguém aqui pensou nisso e os chineses estão arrebentando no mercado com mais essa novidade.
Falta uma boa idéia
Sabe onde o Brasil perde feio para a criatividade chinesa? Na falta de mão de obra qualificada nos chamados setores primários da indústria artesanal. Profissões como sapateiros, marceneiros, alfaiates, torneiros mecânicos, desenhistas e demais atividades correlatas ensinadas pelo Serviço Nacional da Indústria (Senai), que antes fazia parceria com as grandes empresas para a formação de novos profissionais, simplesmente desapareceram do mercado.
A verdade é que ninguém quer mais transformar ótimas idéias em produtos moldados pelas próprias mãos. As empresas não estão investindo na criatividade. Uma fábrica de panelas, por exemplo, coloca no mercado exatamente a mesma linha de produtos durante anos, sem qualquer novidade.
O rodo mágico é apenas uma amostra de como a China investe na extraordinária capacidade que o homem tem para inventar. Por isso eles impressionam o mundo com as novidades eletrônicas, onde o espaço de criação é infinito.
Se algum dia os nossos governantes e empresários entenderem que é preciso investir no setor de inteligência de nossas indústrias, para a absorção da extraordinária capacidade inventiva do trabalhador brasileiro – os jovens, principalmente – o Brasil deixará, definitivamente, de ser um mero exportador de matéria prima (ou importador de novidades) para competir, de vez, com o moderno e criativo mercado chinês.
Nota: Alguma empresa brasileira faz concurso anual para testar a criatividade de seus empregados, na busca de novos inventos? Em recente entrevista a João Dória Jr, da Band, o empresário Eike Baptista, que ficou milionário exportando minério, revelou que adota qualquer "boa idéia', mesmo as postadas no twitter.
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