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Pós-graduação no Brasil:10 vezes abaixo do ideal

DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV


Essencial à formação de novos profissionais para atividade docente e fomentar desenvolvimento científico e tecnológico, a capacitação dos profissionais em pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) está muito aquém do desejado no Brasil. Com base na população, Produto Interno Bruto (PIB), extensão territorial e na comparação com outros países, estamos 10 vezes abaixo do ideal. A afirmação é do presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes), Jorge Almeida Guimarães.

A constatação de Guimarães não se refere apenas aos tempos atuais. A falta de especialização dos egressos de universidades já foi pauta de três edições do Plano Nacional de Pós Graduação (PNPG), além da versão mais recente, PNPG 2005-2010. Este último documento, sintetiza as diretrizes que norteiam as políticas públicas de qualificação de pessoal em nível de mestrado e doutorado, cujo principal objetivo é expandir a pós-graduação no país.

Entre as metas, estão a redução da disparidade regional – o Sudeste concentra mais de 50% dos alunos de pós-graduação –, o fortalecimento da cooperação internacional e uma maior adesão de doutores no meio acadêmico. O esforço do governo em melhorar a educação superior já conseguiu elevar o patamar de doutorandos para 10 mil por ano, e a meta para formação de mestres em 2010 é de 45 mil.

Perspectivas

Já está em andamento um levantamento das ações realizadas no âmbito do PNPG 2005-2010, antes mesmo de seu término. Guimarães conta que o objetivo é evitar que haja tempo ocioso até uma próxima ação para mestrado e doutorado pelo próximo governo. Entre o PNPG III e o atual, se passaram 15 anos. Em agosto será realizado um seminário para verificar todas as medidas tomadas e os seus efetivos resultados.

Guimarães adianta que uma das sugestões para o próximo governo é continuar a capacitação dos estudantes das áreas menos favorecidas, como a Amazônia. Segundo ele é preciso investir na formação e especialização das pessoas dessas localidades, além de criar subsídios para sua permanência na região. Também será necessário melhorar a infra-estrutura das instituições locais, permitindo maior tecnologia para a realização de pesquisas.

Neste sentido, o Ministério da Educação (MEC) possui ações para a interiorização das universidades e expansão do ensino superior. Uma ação, por exemplo, é a Universidade Aberta do Brasil (UAB) que surge para alcançar as regiões menos favorecidas com a educação superior. Criada em 2005, a instituição de ensino é uma articulação entre universidades estaduais, federais e institutos federais de educação, ciência e tecnologia (Ifets) para levar ensino superior público aos municípios brasileiros que não possuem cursos de formação superior, ou cujas ofertas são insuficientes para atender a todos, segundo informou a assessoria de comunicação da Capes.

Outra indicação para medidas futuras é a cooperação internacional, com vistas a moldar o profissional necessário ao mercado globalizado. A parceria com a França, Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos deverá ser reforçada, bem como com países do Mercosul.

Além disso, discussões sobre a alteração da pós-graduação - projeção de vagas e novas áreas e, até mesmo, a possibilidade de ser deslocada da faculdade – estão em início de discussão. Guimarães ressalta, porém, que essas sugestões são preliminares, e ainda precisam ser minuciosamente estruturadas.

A ampliação da criação de bolsas integrais ou parciais para profissionais da Educação Básica - área prioritária para o governo -, também deverá ser abordada somente no próximo governo.

Histórico

Para a elaboração do PNPG 2005-2010, institui-se uma comissão, formada por representantes de todos os segmentos que atuam na pós-graduação: universidades e pró-reitorias, sociedades científicas, coordenadores de programas e cursos de pós-graduação, representantes de área da Capes, comitês assessores do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), comitês gestores dos fundos setoriais do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Associação Nacional de Pós-Graduandos e setor empresarial.

Os planos anteriores forneceram subsídios para verificar as deficiências passadas, medidas tomadas para sua correção e os resultados. Em alguns pontos, as abordagens dos planos anteriores se repetiram. Veja algumas das metas de todos os planos:

PNPG (1975-1979)
-Institucionalizar o sistema, consolidando-o como atividade regular no âmbito das universidades e garantindo-lhe financiamento estável;
-Elevar os atuais padrões de desempenho e racionalizar a utilização de recursos;
-Planejar a sua expansão, tendo em vista uma estrutura mais equilibrada entre áreas e regiões.

PNPG (1982-1985)
-Expandir a capacidade docente;
-Elevar a qualidade da capacitação dos cursos de pós-graduação;
-Envolver a comunidade científica no processo.

PNPG (1986-1989)
- Desenvolver a pesquisa pela universidade;
- Integração da pós-graduação ao sistema de ciência e tecnologia.

Veja aqui o PNPG 2005-2010 na íntegra

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