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Preços, custos e o novo marco regulatório para o petróleo

Por Thales Viegas, doBlog Infopetro

 

A adoção do modelo de partilha no Brasil altera significativamente o papel dos custos e dos preços na regulação da atividade petrolífera. Primeiro, os custos se tornaram o elemento decisivo para a determinação do excedente em óleo a ser partilhado. Segundo, o preço do petróleo pode não ser apenas a referência para a monetização do petróleo de cada agente envolvido, ou seja, o preço que remunera o óleo apropriado pelo agente. Ele também pode influenciar na magnitude da partilha, caso o preço seja uma variável no cálculo que define o percentual do excedente que cabe ao governo. Em alguns países, a partilha com o governo do óleo lucro depende do preço do petróleo. Ou seja, quanto maior o preço do petróleo, maior é a parcela do governo no óleo lucro.

O contrato de partilha pode fixar a priori a participação do governo na produção, mas também pode permitir que ele varie conforme parâmetros pré-estabelecidos em contrato. Diante da centralidade das variáveis preços e custos, as análises que se seguem buscam lançar luzes sobre a dinâmica interdependente desses dois elementos.

 

Caso esta seja o critério de determinação da partilha no Brasil, é importante se considerar a existência de uma relação entre o preço do petróleo e os custos na cadeia petrolífera. O petróleo é uma das commodities mais importantes na economia mundial. Seu preço influencia a estrutura de custos de inúmeras indústrias, seja na condição de matéria-prima básica ou de fonte energética. Esses efeitos inflacionários atingem inclusive a cadeia de suprimentos do próprio setor petróleo. A inflação pode ser ainda mais geral quando ocorre um aumento generalizado dos preços das commodities, como foi verificado na maior parte dos anos 2000.

O crescimento das economias emergentes foi o principal vetor de aumento da demanda e dos preços desses produtos. Essa elevação dos preços das commodities foi retroalimentada pela especulação no mercado financeiro, o que teria dado origem a uma bolha nos seus preços. Em 2007, diante dos primeiros indícios da crise de crédito, que se iniciaria no ano seguinte, o preço das commodities caiu forte e rapidamente. O preço do petróleo foi afetado em meados de 2008. Todavia, passado os momentos iniciais do ciclo econômico os preços das commodities voltaram a subir consistentemente.

No caso particular do petróleo, a exploração vem se deslocando para fronteiras geológicas em que é mais difícil encontrar hidrocarbonetos e os investimentos requeridos são maiores. Assim, quando mais alto o seu preço, maiores são os investimentos realizados. Isso intensifica a demanda por bens de capital e serviços especializados e eleva os custos de investimentos. Essa foi a trajetória inflacionária do setor na última década. A tabela 1 abaixo mostra a comparação entre a evolução da média de dos ganhos por barril (em azul) e dos custos por barril (em amarelo) das majors do petróleo nos anos 2000. (...) continua no Blog Infopetro.  

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