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Primeiras Gravações do Choro Carioca e Grupo Carioca

Este disco nos traz as primeiras gravações de dois conjuntos - “Choro Carioca” e “Grupo Carioca” -, cujos integrantes se tornaram grandes mestres do “choro”.

Pixinguinha

Alfredo da Rocha Viana Filho (1897-1973), o Pixinguinha é o maior chorão de todos os tempos. Compositor de música popular brasileira era também tenor, pianista, saxofonista, além de arranjador, e contribuiu diretamente para edificar o Choro como um gênero musical. Com ele o Choro adquiriu mais leveza, ritmo, graça e também a hábito do improviso.

Pesquisar a história do artista Pixinguinha equivale a um mergulho profundo nas raízes da Música Popular Brasileira e, ao emergir, constatar que a tradição do Choro só pode ser verdadeiramente estudada e compreendida se considerada em pelo menos duas grandes fases, ou seja, antes e depois do genial Pixinguinha.

As polcas de autoria de Pixinguinha, contam com o auxílio luxuoso do pistonista Bonfíglio de Oliveira.

Carne assada” (Pixinguinha) # Choro Carioca. Disco Phoenix (70.650), 1915.

Não tem nome” (Pixinguinha) # Choro Carioca. Disco Phoenix (70.652), 1913.

Bonfíglio de Oliveira

Bonfíglio de Oliveira (1891-1940) é considerado, ao lado de Pixinguinha e Luiz Americano, como um dos maiores instrumentistas de sopro de seu tempo. Começou a aprender música com o pai, que era contrabaixista, mas apaixonou-se pelo trompete.

Junto com Pixinguinha Bonfiglio participa do Choro Carioca, do Grupo da Velha Guarda, da Orquestra Diabos do Céu e das Orquestras Typica Victor e Victor Brasileira, além do Jazz Band Os Batutas.

Bonfiglio teve, também, composições gravadas por grandes nomes como Francisco Alves, Mário Reis, Gastão Formenti, Carlos Galhardo, Aurora Miranda, Nara Leão, Jacob do Bandolim, entre outros, e por Garoto (Aníbal Augusto Sardinha).

Abaixo duas composições de Bonfíglio de Oliveira acompanhado do Choro Carioca.

Gurá” (Bonfíglio de Oliveira) # Choro Carioca. Disco Phoenix (70.653), 1916.

Rosecler” (Bonfíglio de Oliveira) # Choro Carioca. Disco Odeon (70.654), 1913.

 

Irineu Gomes de Almeida (Irineu Batina)

Irineu de Almeida atuou na Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, o principal agrupamento musical da cidade no início do século XX, dirigida por Anacleto de Medeiros, tocando bombardino. Nas companhias líricas, seu instrumento era o trombone.

Nos grupos de choro que começavam a se formar, Irineu tocava oficleide: instrumento composto por trompa com chaves e bocal, muito usado no século XIX e, posteriormente, substituído pela tuba. Foi com o oficleide que participou da primeira gravação de Pixinguinha, como membro do grupo Choro Carioca, e que tinha Pixinguinha na flauta.

Irineu de Almeida [cujo apelido era Batina] (1873-1916) foi professor de Pixinguinha, tocava bombardino, trombone e oficleide (instrumento muito popular na época), mas hoje praticamente extinto.

A influência do mestre Irineu de Almeida foi decisiva a obra de Pixinguinha. Isso se torna transparente quando ouvimos o diálogo entre o oficleide e a flauta de Pixinguinha. Confiram abaixo.

São João debaixo d’água” (Irineu de Almeida [Irineu Batina]) # Pixinguinha e Choro Carioca. Disco Casa Faulhaber, 1911. [Primeira gravação de Pixinguinha aos 14 anos].

Daynéia” (Irineu de Almeida) # Choro Carioca. Disco Favorite Records [Casa Flaulharber] (1-450005), 1910.

Nininha” (Irineu de Almeida) # Choro Carioca. Disco Favorite Records [Casa Flaulharber] (1-450004), 1912.

Albertina” (Irineu de Almeida) # Choro Carioca. Disco Odeon (1-4500030), 1910.

As polcas acima, com os contrapontos de Irineu de Almeida, foram determinantes, à base do que Pixinguinha faria trinta anos depois com seu sax tenor, nos embates com o colega Benedito Lacerda.

Cândido Pereira da Silva - Candinho

Alfredo da Rocha Viana - Pixinguinha

Candinho (1879-1960) se profissionalizou como músico na Banda da Polícia Militar. Além do trombone, tocava bombardino e bombardão, e muitas das suas composições foram criadas ao violão.

Em 1933, passa a integrar por concurso os quadros da Orquestra do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, lá permanecendo até sua aposentadoria, em 1951.

Deixou uma extensa obra, mas pouco editada, composta em sua maioria por choros. O pesquisador Ary Vasconcelos levantou 314 composições de Candinho, e diz que a sua produção é maior ainda, na qual se destaca "O nó", famoso pelo exercício de virtuosismo que propõe aos executantes.

O nó” (Candinho Trombone [Cândido Pereira da Silva]) # Conjunto Época de Ouro: Cesar Faria (violão) / Damásio (violão) / Dino (violão de 7 cordas) / Deo Rian (bandolim) / Jonas (cavaquinho) / Jorginho (pandeiro). Álbum ‘Conjunto Época de Ouro/1975.

Confiram duas de suas composições gravadas com acompanhamento do Grupo Carioca.

Helena” (Cândido Pereira da Silva [Candinho]) # Grupo Carioca. Disco Odeon/Casa Edison (121.105), 1915.

O Brandão no Choro” (Cândido Pereira da Silva [Candinho]) # Grupo Carioca. Disco Odeon/Casa Edison (121.102), 1915.

Candinho escrevia música muito bem e foi copista, não só de suas composições, mas também dos amigos que não conheciam notação musical. É o caso das polcas “Saudações”, de Octávio Dias Moreno e “Não sei”, de José Pereira da Silveira, flautista da primeira geração do “choro”.

Saudações” (Octávio Dias Moreno) # Grupo Carioca. Disco Odeon (121.104), 1915.

Não sei” (José Pereira da Silveira) # Grupo Carioca. Disco Odeon/Casa Edison (121.107), 1915.

Arthur de Souza Nascimento (Tute) e Pixinguinha

O violonista Tute (1886-1957) é considerado o primeiro violonista de Sete Cordas da história da MPB. Atuou na orquestra do Cine Teatro Rio Branco e na Banda do Corpo de Bombeiros regida por Anacleto de Medeiros tocando bombo e prato. Sua importância reside na forma pioneira de introdução do violão de sete cordas no acompanhamento mais encorpado e com fraseado mais rico.

Conviveram e beberam em sua fonte, entre outros, o bandolinista Luperce Miranda, o compositor/instrumentista Pixinguinha e o violonista Dino Sete Cordas que é considerado seu sucessor.

Sonhos de Nair” (Arthur de Souza Nascimento [Tute]) # Grupo Carioca. Disco Odeon/Casa Edison (121.110). 1914.

 

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Fontes:

- Fotos: Acervo pessoal/Internet.

- Montagem Áudios SouldCloud: Laura Macedo.

- Projeto Memórias Musicais: 15 CDs com a restauração de gravações feitas entre 1902 e 1950. Produção: Sarapuí / Biscoito Fino.

- Posts publicados no meu Blog no Portal Luis Nassif (Chorões dos Primeiros Tempos / Dia Nacional do Choro é sinônimo de Pixinguinha).

- Site YouTube / Canais: “luciano hortencio”, “osmarioejr”, “Sandor Buys”.

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