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Processamento de RSU no Brasil

Antonio Carlos Novaes Romeu

Introdução:

Como diz o professor Sabetai Calderoni, reciclar é sempre melhor do que incinerar pois a energia gasta para produzir um novo e sempre maior do que a energia obtida na incineração do usado.

O ideal é que todo os recicláveis pudessem ser reaproveitados e que todos os orgânicos fossem biestabilizados.

No Brasil, infelizmente, nós só falamos das seguintes formas de processamento de RSU:

Incineradores de Lixo

Os incineradores de lixo (mass incineration) foram concebidos numa época em que não existia reciclagem e em países desenvolvidos onde o lixo é composto de 65% material combustível de alto poder calorífico (PCI médio de 4.000 kcal/kg), 30% de orgânicos de baixo poder calorífico (PCI médio de 700 kcal/kg) e 5% de inertes com PCI zero. O PCI médio do lixo in natura em países desenvolvidos é de cerca de 2.810 kcal/kg.

No Brasil, onde o lixo é composto de 35% de material combustível de alto poder calorífico (PCI médio de 4.000 kcal/kg), 60% de orgânicos de baixo poder calorífico (PCI médio de 700 kcal/kg) e 5% de inertes com PCI zero. O PCI médio do lixo in natura no Brasil é de cerca de 1.820 kcal/kg.

Ou seja, o PCI médio do lixo Brasileiro é de 1.820 kcal/kg, 35% inferior ao do lixo de paises desenvolvidos (2.810 kcal/kg)

Dizem os especialistas que a condição de operação economica de uma usina incineradora ocorre com lixo cujo PCI é superior a 2.100 kcal/kg e que com lixo de PCI abaixo de 1400 kcal/kg é melhor desligar a usina.

No Brasil, baseado nos dados acima, se tirarmos 12% de recicláveis do lixo recebido o PCI cai 27%, ficando abaixo de 1400 kcal/kg e a operação fica inviável.

Vale lembrar que qualquer programa de coleta seletiva bem estruturado vai tirar acima de 12% já no final do primeiro ano de operação

A única forma no Brasil de incinerar um lixo com PCI abaixo de 1.400 kcal/kg é queimando gás natural (combustível fóssil), ou seja, travestindo uma usina térmica a gás natural de usina incineradora para enganar a opinião pública.

A incineração de lixo não convive com programas de remoção de recicláveis. No Brasil, onde existe uma legislação que preconiza a reciclagem, é impossível utilizar incineração de lixo a não ser em usinas térmicas a gás natural.

O pior é que em diversos estados brasileiros, principalmente São Paulo existe uma pressão muito forte de diversas áreas do governo estadual que por interesses particulares insistem nas usinas incineradoras e tentam provar por absurdo de que é a única alternativa valida.

 

Aterros sanitários

A União Européia avaliou que 2% dos GEE da região eram decorrentes de perdas de metano em aterros sanitários. Como a geração de metano nos aterros é devido a decomposição anaeróbia da parcela orgânica, a União Européia definiu como base  a quantidade de orgânicos despejada nos aterros em 1995 e fixou normas com valores decrescentes que chegam a 50% em 2020.

No Brasil onde a parcela organica é muito maior do que na Europa, as perdas relativas de metano são muito maiores.

Aterros são a pior alternativa para processamento de lixo orgânico. O ideal é que não se jogasse matéria orgânica nos aterros, apenas materiais inertes e bioestabilizado.

 

Compostagem

Como não existem lixo orgânico que não esteja contaminado por plásticos e papéis, os compostos de lixo contem altos teores de metais pesados que limitam o uso apenas a jardinagem e reflorestamento.

As usinas de compostagem são altamente deficitárias poi ocupam muita área e produzem compostos que não servem para pastagens e agricultura.

 

Situação atual do Brasil:

Os lobbies atuantes e a cultura predominante no processamento dos RSU só sabe, só tem interesse e só quer falar de incineração, aterro e compostagem, porém, a solução existe, é tangível e de fácil aplicação. São os TMB – Tratamentos Mecânico Biológicos.

Na etapa mecânica dos TMB são removidos os recicláveis e na etapa biológica são decompostos os orgânicos.

As duas formas mais conhecidades de digestores biológicos são:

a)    Digestores anaeróbios: permitem um alto grau de captação do biogás (97%), tem um tempo de processamento relativamente longo (21 dias), ocupam uma área relativamente grande, tem um alto custo de implantação e geram um rejeito pastoso (25% da carga inicial) de difícil processamento.

b)   Digestores aeróbios: são ideais para altos teores de orgânicos encontrados em países em desenvolvimento, convivem muito bem com a remoção de recicláveis, não liberam gases nem odores, transformam os RSU em biomassa.

A RAD AMBIENTAL LTDA desenvolveu um sistema de usinas equipadas com RAD - digestores aeróbios rotativos ideal para o Brasil e conseguiu atingir o conceito Lixo Zero ou Rejeito Zero.

As usinas RAD são equipadas com até 4 módulos:

  • REC – módulo de recicláveis.
  • RAD – módulo de decomposição aeróbia com produção de biomassa bioestabilizada e agua com NPK.
  • GER – módulo de geração de energia elétrica a partir da biomassa bioestabilizada.
  • MAT – módulo de produção de materiais de construção a partir das cinzas do módulo GER e dos inertes do módulo REC.

 

O projet das usinas RADo tem alta escalabilidade e serve para os 5565 municípios brasileiros:

 

  • As cidades muito pequenas que produzem até 2 tpd de RSU tem usinas com  2 módulos (RAD e MAT) e todos os RSU recebidos são transformados em biomassa. Toda a biomassa gerada é transformada em material de construção na própria usina, ou pode ser transportada para cidades próximas equipadas com módulo GER para ser transformada em energia elétrica.
  • As cidades pequenas que produzem até 12,5 tpd de RSU, não geram energia elétrica e tem 3 módulos (REC, RAD e MAT). São removidos os recicláveis e o restante é transformado em biomassa utilizada para a fabricação de material de construção ou transportada para cidades próximas equipadas com módulo GER para ser transformada em energia elétrica.
  • As cidades que produzem acima de 12,51 tpd de RSU geram energia elétrica e tem 4 módulos (REC, RAD, GER e MAT).

As usinas RAD podem processar inclusive resíduos de podas e lodos de esgoto.

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