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Produção e desenvolvimento de nanotecnologias no país se concentra na região Sudeste

LILIAN MILENA
Da Redação - ADV


O desenvolvimento da nanotecnologia no Brasil se concentra em indústrias do estado de São Paulo e da Região Sudeste. O “fenômeno” nada mais seria do que a reprodução do desenvolvimento industrial brasileiro que historicamente se caracterizou como mais forte nessa macrorregião do país, segundo autores do livro "Nanotecnologia, Sociedade e Meio Ambiente".

Os pesquisadores destacam, ainda, que as áreas mais promissoras no estudo de nanopartículas aplicadas à produção industrial são, na ordem de importância econômica: automotiva, seguida de fármacos, cosméticos, e em menor importância o setor têxtil – que nos últimos anos vem apresentando perda de terreno em relação às pesquisas nano.

Levando em consideração 49 empresas listadas, que praticam estudos e produção de nanotecnologia em 30 segmentos de mercado, os autores concluem que o Brasil ainda está no começo da inserção dessa tecnologia no parque industrial voltado para o mercado interno.

“Podemos afirmar que a produção científica em nanociência, sua transformação em tecnologia com a conseqüente patente, e a empresa que vai disponibilizar no mercado um produto decorrente dos passos anteriores (conhecimento, tecnologia e patente), tudo isso está localizado de forma concentrada em SP e MG”, acrescentam.

Números

Dados do Instituto Inovação revelam que a comercialização de produtos e serviços com nanotecnologia já movimenta mais de US$ 100 bilhões por ano no mundo. A expectativa é que, de 2010 a 2015, o mercado global de materiais que agreguem essa tecnologia atinja US$ 1 trilhão.

De 2001 a 2006 o governo brasileiro investiu cerca de R$ 139,8 milhões nos estudos em nanotecnologia – o maior valor foi distribuído em 2005, quando cerca de R$ 80,0 milhões foram aplicados nessa área. Nos primeiros quatro anos do período, “de 231 patentes relacionadas à nanotecnologia registrada no Brasil, identificadas no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) pelo professor Fernando Galembeck em junho de 2004, apenas 19 patentes foram de autoria de brasileiros; as demais foram de autoria de estrangeiros (Instituto Inovação, 2005)”, destacam os autores. Para se ter idéia, só a empresa L’Oreal, deposito o mesmo número de patentes registradas por instituições brasileiras no país.

Pesquisa

Os autores do trabalho realizaram uma pesquisa qualitativa em cinco segmentos sociais (academia, políticas públicas, empresas, sindicatos e organizações não-governamentais) sobre o reconhecimento das nanotecnologias no país. Foram abordados outros cinco temas de interesse comum relacionados à nanotecnologia: mercado, regulação, impactos, comunicação e ética.

Todos os grupos pesquisados reconheceram que as nanotecnologias são importantes para a economia do país, e que o Estado tem papel importante para o incentivo de novas descobertas e aplicações dessa ciência.

Atualmente, os setores industriais que mais aplicam a nanotecnologia no Brasil são os de química e de macroeletrônica. O desenvolvimento de estudos a partir de ações governamentais nesse sentido está veiculado à política industrial (semicondutores e eletrônica), políticas públicas (energia, meio ambiente, fármacos, saúde e alimentação), “e setores onde o país apresenta alta competitividade, como o químico e o petroquímico”, enfatizam.

O Brasil tem condições humanas e financeiras para se sobressair no cenário mundial em nanociência e nanotecnologia, no entanto os autores indicam que o país necessita urgentemente estabelecer marcos regulatórios para atividades de nanotecnologia; viabilizar maior interação entre empresas e centros de pesquisa; criar, via BNDES, linhas especiais de crédito para empresas com centros de pesquisas comprometidos com a ciência; e conectar as ações de fomento de nanotecnologia à realidade industrial.

No mercado já existem produtos com nanotecnologia aplicada, como o corante sem metal pesado para batom (patenteado pela Unicamp), e fármacos com estrutura molecular organizada para aumentar a absorção, reduzindo a toxidade e melhorando as características do medicamento.

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