Profissionais migram para setor privado

DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV


A demanda por profissionais em um mercado tão aquecido como o de petróleo, provocou um intercâmbio de trabalhadores no setor nos últimos anos. A carência ocorre em todos os níveis, porém é mais perceptível em cargos estratégicos, nos quais os profissionais têm mais tempo de experiência. Mesmo com a abertura do setor petróleo, em 1998, a Petrobras não deixou de ser a principal empresa de petróleo do país. A estatal investiu fortemente no desenvolvimento de tecnologias para exploração de óleo em águas profundas, se tornando referência mundial nesse tipo de exploração. Justamente por ter os profissionais mais qualificados, a petroleira sofre perdas para o setor privado.

A explicação é do sócio da área de Advisory da Ernest & Young e responsável pela consultoria no Brasil, Carlos Pinto. Ele considera que a migração de profissionais deverá se acentuar no médio prazo em várias empresas da indústria do petróleo. Mesmo ainda sem a definição do novo marco para o pré-sal, ele avalia que a regulamentação deverá ser equilibrada, de forma a atrair empresas e investimentos. A conta certamente resultará em demanda por mão de obra.

Carlos Pinto argumenta que o tempo de formação e capacitação profissional, considerado longo pelas empresas, torna mais simples a busca por profissionais no mercado. Ele exemplifica com empresas novas ou recém chegadas no Brasil, que formaram time de profissionais conceituados, até então atuantes em outras companhias. Por primar pelo nível de profissionais contratados, manter programas internos de qualificação, investimentos maciços em pesquisa e maior concentração de qualificados, a Petrobras deverá ser mais atingida por esse movimento.

O diretor da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi), Marcelo Corrêa, concorda que na disputa por profissionais, a Petrobras é a mais afetada e está “sentindo na pele” o peso de ter a melhor formação de mão de obra. Ele diz acreditar, porém, na capacidade da estatal para contratar e qualificar novos funcionários, sem prejuízo aos seus planos de crescimento.

A Petrobras considera o deslocamento de funcionários para o setor privado uma característica natural do mercado corporativo. A taxa de desligamento está em cerca 1%, abaixo das taxas do segmento de óleo e gás e do mercado, segundo informou o setor de Recursos Humanos da empresa através de sua assessoria de imprensa.

De fato, a petroleira investe na qualificação profissional de seus quadros. Seu programa interno, Universidade Petrobras, oferece um curso de formação, com duração de até um ano, aos novos funcionários de nível superior antes de efetivamente iniciar em suas funções. O objetivo do curso é aprimorar as competências técnicas e oferecer conhecimentos organizacionais, contextuais e vivenciais por meio de estágios práticos sobre a Petrobras e a indústria de petróleo.

O funcionário também possui outras oportunidades de crescimento, de acordo com a empresa, no Brasil e no exterior, em cursos de aperfeiçoamento, conclaves, pós-graduações lato e stricto sensu.


Demanda


Profissionais de Geologia, Geofísica e Engenharia são os mais requisitados, mas de acordo com a companhia, ainda não foi identificada, até o momento, carência de profissionais nas diversas áreas de conhecimento em seus processos seletivos. A Petrobras informou que participa ativamente de iniciativas destinadas a formar e qualificar mão de obra no segmento de petróleo e gás, garantindo assim a disponibilidade de profissionais capazes de dar suporte a seus projetos e planos de investimento.

Contratações


Frequentemente a Petrobras é apontada em pesquisas como a empresa ideal para se trabalhar. A estatal atribui o dado ao crescimento dos negócios relacionados a óleo e gás no Brasil relacionados a ela, como as recentes descobertas de grandes reservas de petróleo e gás em áreas denominadas pré-sal, a expansão da indústria petroquímica e de refino e as atividades em biodiesel.

Em julho de 2009, o efetivo da Petrobras Controladora foi de 55.445 empregados, superando o efetivo de dezembro de 2006. O número recorde de admissões em um único ano, no período considerado, ocorreu em 2006, com o ingresso de 8.006 empregados.

Uma peculiaridade é o avanço no número de contratação de mulheres na estatal. Foi registrado um crescimento de 84,1% de mulheres no quadro de empregados, ante 47,4% de empregados do sexo masculino. Somente no ano de 2008 ingressaram 1.120 mulheres, sendo o maior número nas áreas jurídicas e administração.

A estatal realizou, no período de 2002 a 2008, 14 processos seletivos públicos. Os concursos geraram um incremento de 27 mil funcionários.

Quadro de contratações nos últimos anos

Fonte: Petrobras

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