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Energia

Projeto aposta em energia solar para indústria

DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV


O uso de equipamentos que permitam um aproveitamento maior da energia solar, para atender a demanda industrial, é alvo de pesquisas com resultados positivos no Rio de Janeiro. Embora as conclusões efetivas dos estudos estejam previstas para maio do próximo ano, já é possível vislumbrar a comercialização do equipamento para as empresas.

As pesquisas partem de iniciativa da empresa Global Master Internacional, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). O resultado foi a criação do concentrador solar parabólico (CSP), método que permite produzir um volume energético suficiente para suprir diversas necessidades de uma unidade industrial, considerado inovador.

O procedimento consiste na captação da radiação solar, por meio de um equipamento em formato de parabólica, revestida de películas refletoras que se concentrem no foco onde está posicionada uma caldeira térmica contendo um fluido especial, capaz de suportar temperaturas elevadas com baixo coeficiente de dilatação. O objetivo é transferir a energia térmica produzida para um trocador de calor. É daí que a energia será distribuída para uso, de acordo com as necessidades de cada cliente.

O CSP se difere das placas planas, usadas habitualmente para captação de energia solar, basicamente pela faixa de temperatura em que opera. Nas planas, explica o presidente da Global Máster, Rogério Muller, a temperatura fica em torno de 70ºC – que é suficiente para aquecer água para uma residência –, no CSP, os níveis médios de energia podem chegar a 500ºC. Volume mais adequado ás necessidades de empresas.

De acordo com Muller, são várias as possibilidades de uso da tecnologia. O equipamento poderia ser utilizado para complementar a fonte primária de energia das instalações industriais, principalmente em regiões onde há baixo índice de chuvas.

Projeto

O projeto teve início há dois anos, e deverá ser concluído em maio de 2010, com resultados mais precisos de aplicação. Embora ainda tenha um custo alto, o método pode chegar a reduzir os custos de energia do equipamento industrial em cerca de 30% a 40%. O investimento feito deverá ser remunerado em cerca de três anos.

Há a possibilidade de a empresa que aderir ao equipamento comercializar créditos de carbono, o que geraria uma remuneração adicional e incentivaria o uso. A empresa, no entanto, ainda não iniciou os estudos sobre essa possibilidade, o que deverá ser feito a partir do próximo ano.

Muller reconhece que o projeto tem limitações, principalmente pelo fato de não permitir o abandono da fonte primária de energia, mas em termos de eficiência energética e ganhos ambientais, pode significar importantes avanços.

Está nos planos da empresa projetar o equipamento para o uso em geladeiras e equipamentos de ar condicionado. Com o método, ambos os aparelhos poderiam fazer uso da energia solar durante o dia, alternado para a energia primária durante a noite. Em sistemas isolados, o funcionamento dos eletrodomésticos seria complementado com o uso de gás natural a noite, explica Muller.

Como o valor ainda é elevado, o trabalho agora dará conta de reduzir os custos do processo produtivo e do valor final do equipamento. No entanto, como o produto inicial do projeto é voltado para indústrias, Muller acredita que deverá haver uma inclinação das empresas por esta forma alternativa de energia, já que empresas de porte, poderiam arcar com os custos sem comprometer seus orçamentos.

A tecnologia já é aplicada em países como Espanha, Estados Unidos e Austrália, mas na maioria deles, segundo Muller, as ações estão no âmbito de projetos governamentais, sendo a comercialização livre ainda em escala não muito avançada.

Por outro lado, diversos países, principalmente na União Européia, os investimentos em energias alternativas estão ganhando cada vez mais atenção, seja por parte do Estado ou da iniciativa privada, já vislumbrado um futuro mercado de equipamentos nos mesmos moldes.

A pesquisa recebeu R$ 200 mil em recursos do edital de apoio à Inovação Tecnológica da fundação e recebeu mais R$ 200 mil da empresa.

Tags: energia, indústria, pesquisa, solar, tecnologia

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