QUANDO A CAIXA PARA O PAC E MINHA CASA, MINHA VIDA

Hoje é o 10º dia de greve da carreira profissional da CAIXA.
Engenheiros, arquitetos e advogados da Caixa Econômica Federal de todo o país entraram em greve desde o dia 28.04.2009 por tempo indeterminado.

O atendimento ao público nas agências não deve ser prejudicado. O que muda, e que vai atrasar em razão da paralisação, é a aprovação de projetos do governo federal, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o de habitação, Minha Casa, Minha Vida, que passam por profissionais das áreas em greve.

No país, cerca de 2.400 profissionais atuam nesses setores.

O motivo da paralisação é o não cumprimento de uma cláusula do acordo coletivo de trabalho de 2008 que se comprometia a valorizar os profissionais conforme pesquisa de mercado. A proposta apresentada até agora pela empresa foi rejeitada por não atender as condições da cláusula do acordo e, além disto, criar novas distorções salariais entre os profissionais.


Para reflexão:

A CAIXA é bastante diferenciada dos demais bancos. Essencialmente, é um Banco Social que serve ao povo brasileiro e “que acredita nas pessoas”.
O corpo técnico da CAIXA, composto por cerca de 1.300 engenheiros e arquitetos e 900 advogados, é responsável por análises de viabilidade, avaliação e acompanhamento de empreendimentos, assistência técnica aos municípios e entidades sociais, dentre outras. Dessa forma, a CAIXA possui alguns diferenciais perante os outros agentes financeiros, destacando-se:

- Maior agente financeiro na área de REPASSES do Orçamento Geral da União;

- Maior agente financeiro no CRÉDITO IMOBILIÁRIO;

- Detentora da maior equipe de ENGENHARIA DE AVALIAÇÃO DE IMÓVEIS do País;

- Responsável pela ASSISTÊNCIA TÉCNICA às prefeituras e entidades sociais na elaboração de projetos habitacionais, planejamento e estudos urbanísticos;

- Mantenedora e responsável pela divulgação do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil – SINAPI, segundo a Lei nº 11.768/2008 de Diretrizes Orçamentárias. O SINAPI é referência para garantir o equilíbrio financeiro nos contratos celebrados entre agentes públicos e privados.

- Defesa da CAIXA em todas as ações judiciais em curso no Estado de Goiás.

- Cobrança judicial dos créditos da CAIXA e contribuições devidas ao FGTS.

- Advocacia preventiva: análise jurídica das solicitações de empréstimo, especialmente os da área habitacional e orientação a todas as Unidades da CAIXA sobre procedimentos a serem adotados com vistas a resguardar os interesses da Empresa.


É com base nesses diferenciais que a empresa é gestora de diversos programas do governo federal, tais como: o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social – FNHIS; Programa de Aceleração do Crescimento – PAC; Minha Casa, Minha Vida; dentre outros.

Apesar das críticas quanto à burocracia, a CAIXA é hoje a única instituição nacional capaz de cumprir as demandas do governo federal. O corpo técnico de engenheiros, arquitetos e advogados qualificados e habilitados para verificar a execução de cada empreendimento público é garantia concreta para que os recursos utilizados respeitem os princípios constitucionais da eficiência e da economicidade.

Contudo, a CAIXA não está valorizando os profissionais da área técnica. O corpo técnico responsável pelos diferenciais supracitados vem sendo rechaçado por baixos salários e por terceirizações desenfreadas. Muitos profissionais altamente qualificados deixam a empresa por não obterem o devido reconhecimento. A crescente insatisfação resultou na mobilização dos engenheiros, arquitetos e advogados em todo o País, com deflagração de greve nacional em 28 de abril de 2009.

O trabalho na empresa é dignificante, mas infelizmente não é possível realizá-lo apenas por “amor a camisa”. A demora de mais de dois anos para revisão do Plano de Cargos e Salários lançado em 1998 para a carreira profissional e a forma equivocada de tratamento das reivindicações desmotivam os engenheiros e arquitetos da CAIXA.

Lamentavelmente, a empresa está na contramão da valorização. Se investisse mais no corpo técnico, manteria ou até aumentaria os diferenciais. A desvalorização desses profissionais comparativamente às carreiras semelhantes nos órgãos da Administração Pública e empresas privadas, juntamente com a excessiva terceirização, enfraquecem a própria CAIXA.

Valorização da carreira profissional implica na equiparação e no devido reconhecimento pecuniário. Contudo, a mobilização nacional dos engenheiros, arquitetos e advogados vai além da reivindicação por melhores salários. É preciso contratar mais profissionais para o quadro, convocando os aprovados no último concurso público, realizado em 2006.

Caso a empresa não ofereça a devida valorização, certamente os profissionais encontrarão outras fontes. Porém, se a Caixa perder o diferencial do corpo técnico de engenheiros, arquitetos e advogados, tornando-se um banco comum, talvez sucumba na inexperiência de ser um banco não diferenciado. Quem mais ganhará com a valorização da carreira profissional é a empresa, a CAIXA, beneficiando todos os clientes.

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