Quando a tragédia se torna um espetáculo midiático.

  A tragédia ocorrida com a delegação da Chapecoense ,incluindo jornalistas , convidados  e tripulação - tragédia essa que poderia ser evitada - na Colômbia ,que vitimou a maioria quando a aeronave se espatifou ao solo comoveu a todos ,sendo do meio esportivo ou não.Lastimável que muitas vidas se foram dessa forma.

 A cobertura midiática no Brasil foi intensa,como deveria sê-la,porém algumas emissoras de TV a fizeram por um viés que foge o bom jornalismo em busca de audiência,procurando gerar uma catarse nacional.

 A TV Globo,que perdeu 3 profissionais do seu quadro de jornalistas,pautou-se,como Ali Kamel sempre gosta de fazer,pelo espetáculo de uma tragédia,principalmente na cobertura do velório com ininterruptas quatro horas de transmissão.Um verdadeiro bombardeio de emoções !

 Guy Debort,filósofo e autonomista francês,em sua obra A Sociedade do Espetáculo abordou com precisão a Espetacularização dos fatos pela mídia,principalmente dos fatos trágicos .Debort acertou em cheio quando escreveu esta abordagem em meados dos anos de 1950.

 Galvão Bueno ancorando,excitando a catarse,a emoção desmedida que pode levar o indivíduo ao desespero;os repórteres da emissora, visivelmente desgastados emocionalmente para uma cobertura com este viés impressionista, tentavam entrevistar parentes das vítimas fatais e torcedores que se transtornavam ao longo da cerimônia,do espetáculo que se tornou o velório coletivo.

 A busca pela audiência incessante foi um desrespeito as vítimas e aos seu parentes e amigos.

 As homenagens foram justas,isso é inquestionável. Destarte,a TV Globo queria depoimentos emocionados,desesperados pela dor da perda inesperada,da tragédia que abalou o mundo esportivo.Se os entrevistados chorassem,ótimo !

 Testemunhei uma cena que exemplifica a catarse.Quando me sentei a mesa de uma padaria,que tinha TV e estava na Globo,  para fazer um lanche uma mulher de uns 66 anos caiu em prantos e foi levada embora pelo filho.

 Vale lembrá-los que no velório de A.Senna,em 1994,uma jovem de 23 anos de Toledo (PR),que assistia de seu quarto a transmissão pela TV,se suicidou-se ao jogar-se do quinto andar de onde morava.E segundo seus pais ,nunca apresentou sinais de depressão ou melancolia.

 A Sociedade do Espetáculo é a essência impulsionada pela mídia.

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