Que Zumbi dos Palmares esteja sempre presente neste dia de glória @ J. R. Guedes de Oliveira # ensaísta, biógrafo e historiador ***** Prêmio Emílio Castelar Personalidade 2008 - Madrid


DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA – 20 DE NOVEMBRO

J. R. Guedes de Oliveira

Transcorre, nesta sexta feira, o “Dia da Consciência Negra”, data esta que reverencia a memória de Zumbi dos Palmares, morto em 1695, há 314 anos: uma data magna para a negritude brasileira.

Não creio, sinceramente, que seja uma comemoração, mas uma data para reflexão sobre a perfeita integração que deveria existir e não se tratar de projetos sempre em curso.

A morte de Zumbi dos Palmares foi, precisamente, um marco de lutas pela integração, contra a escravidão, a favor da liberdade, o amor que não deveria ser apenas um projeto de vida, mas uma realidade palpável.

O que vemos, no entanto, é que ainda existem resquícios da podridão chamada discriminação racial – algo abominável que perdura, pois, no tempo e no espaço.

A sentença nos parece algo de maléfico quando se deseja e quer determinar as pessoas pela cor da pele: antes, colored; depois, preto; logo em seguida, negro; agora, afrodescendente. De qualquer forma, não determinante para situar o caráter de cada qual, como bem acentuou o fantástico Dr. Martin Luther King Jr., na sua célebre afirmativa:

“Esta manhã, ainda tenho o sonho de que, um dia, todos os negros deste país, todas as pessoas de cor do mundo, serão julgados com base no seu caráter, e não na cor de sua pele, e de que todos os homens respeitarão a dignidade e o valor da personalidade humana”.

Embora os avanços sejam vistos e costurados, até significativos, há o ranço de uma consciência perversa, indigna e pérfida que assola o mundo e divide as almas e consome, célere, o desejo de um mundo de braços juntos para o futuro promissor: a discriminação.

Creio, na minha modesta apreciação, que os tempos, hoje, são outros e o curso da história jogou, no lixo, toda e qualquer separação de raça, cor e credo. A integração e interação não são palavras banais que se jogam no espaço e no tempo. Elas determinam a magnitude de um íntimo de cada qual voltado para irmanarmos e não distanciarmos.

Como o 20 de Novembro é um dia de reflexões sobre as questões raciais, não podemos deixar de aplaudir e, mais ainda, comemorar dois fatos relevantes: o primeiro, foi a estupenda vitória de Barach Obama à Presidência dos Estados Unidos. Sendo um negro que chega à Casa Branca e se demonstra numa maior vitalidade de interação, é fácil supor do que isto representa para todo o mundo, até como expectativa de mudanças, não só especificamente aos Estados Unidos. Haverá, por certo, novos paradigmas de interação, com medidas surpreendentes, capaz de ser um divisor, após anos e anos de buscas e tentativas de acabar, de vez, com a famigerada discriminação racial. E o que pesa nisto tudo, foi a insofismável vitória nas urnas. O segundo fato é que a Organização dos Estados Americanos - OEA, através da Comissão de Assuntos Jurídicos e Políticos, criou um Grupo de Trabalho encarregado de elaborar um projeto de Convenção Interamericana contra o racismo e toda forma de discriminação e intolerância. Tal iniciativa, pontuada de mecanismos gerais, já está em plena atividade e, ainda este ano, formulará propostas como subsídios para colocar em prática no ano vindouro, entre aperfeiçoamento dos dispositivos já existentes e outros inovadores que, por certo, garantirão maior harmonia e interação entre todos.

Mas este 20 de Novembro é de uma importância transcendental, já que marca a morte, que é a vida eterna, para quem lutou, deu de si para os seus irmãos e não recuou um centímetro sequer de sua grandeza e do seu objetivo primordial: não ser mais escravo e morrer pelos seus.

O dia é de reflexão e de imensa vontade de ser unidade indivisível no contexto social, produzindo meios e alavancando ações em prol da inserção em todos os sentidos.

Que o 20 de Novembro, para nós brasileiros, seja um dia de amor pelo que pensou e agiu Zumbi dos Palmares. E que cada um que luta por este amor, seja uma fortaleza em prol do próximo, porque conheço as pessoas e por ela dedico atenção especial, quando vejo e sinto a evidência do caráter e nunca na cor ou nos traços humanos.

Que Zumbi dos Palmares esteja sempre presente neste dia de glória.

J. R. Guedes de Oliveira
ensaísta, biógrafo e historiador.
Prêmio Emílio Castelar Personalidade 2008 - Madrid
( pela Comunidade Negra da Espanha )



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Comentário de Delcio Marinho em 20 novembro 2009 às 1:24
Comentário de Solange Teixeira da Cunha em 20 novembro 2009 às 1:42
Sempre aprendo mais , esse é o lugar escolhido por mim .
Tudo que escreveu é o q eu precisava ler.
Todo ano faço uma homenagem a ZUNBI.
Faço como sei, colagens, essa é como penso "Zumbi ensinou os negros a sonhar"

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