LILIAN MILENA
Da Redação - ADV
A cada 10 pontos percentuais a mais de domicílios com banheiro e água encanada, são evitadas nove mortes de crianças até cinco anos em cada mil nascimentos. Nos 2 mil municípios do país, que registram as maiores taxas de mortalidade infantil, 74% da população vive sem água encanada e esgoto.
Os dados foram divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) que constatou também que a correlação entre o saneamento básico e saúde é mais perceptível nas regiões Sul e Sudeste. Em números gerais, Norte e Nordeste apresentam níveis superiores de mortalidade infantil, não apenas resultantes da falta de água e esgotamento, mas também pelo déficit de outros fatores, como renda e acesso à saúde e educação.
Ainda, segundo o levantamento do PNUD, a cidade do país com a maior taxa de mortalidade infantil – de zero a cinco anos – é Centro de Guilherme, no Maranhão, onde a média de óbitos chega a 135 a cada mil crianças. O município que lidera no Sudeste é Curral de Dentro (Minas Gerais), com uma média de 78 a cada mil mortes.
Segundo o Ministério das Cidades, comparado aos países desenvolvidos, o Brasil tem taxas de mortalidade infantil significativamente elevadas – na Europa Ocidental, América do Norte e Japão, são registrados menos de 11 óbitos por mil nascidos, enquanto que no Brasil, algo em torno de 33 por mil nascidos.
A proporção de crianças falecidas é maior entre aquelas acima de um ano de idade, pois começam a andar e ficam mais expostas aos locais de contágio.
Estudo de Caso
Os autores da pesquisa ‘Saúde infantil em áreas pobres’, reforçam a relação entre saneamento e nível de mortalidade nos municípios de Caracol, estado do Piauí, e Garrafão do Norte, no Pará. Diarréia e pneumonia foram as principais responsáveis pelo número de mortes nas duas cidades – 2/3 dos óbitos registrados.
Das 1.728 crianças acompanhadas no estudo, 60% são de famílias com renda inferior a um salário mínimo, 41% não contavam com qualquer tipo de sanitário, 10% de suas mães não realizaram uma única consulta de pré-natal, 30% nasceram dentro de casa, 30% foram levadas ao médico nos últimos três meses e 20% apresentavam déficit em relação à altura/idade. Os pesquisadores concluíram que oferta em saúde e melhora de condições de habitação e saneamento são fatores decisivos para combater a mortalidade infantil e, consequentemente, a qualidade de vida do restante da população.
Outro levantamento, feito em 2008 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), aponta que na última década, o país conseguiu reduzir em mais de 80% a mortalidade infantil, sobretudo, pela expansão dos serviços de água e esgotamento.
Para cessar o relatório do PNUD, clique aqui.
E para acessar o estudo na íntegra, aqui.
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