Por Thaís Vilela, do Blog Infopetro

 

Diante de políticas mundiais de redução das emissões de dióxido de carbono e de utilização de fontes de energia alternativas aos combustíveis fósseis, cresce, no mundo, o debate sobre a utilização do combustível nuclear para a geração de energia elétrica. Apresentada por alguns pesquisadores como solução eficiente e viável economicamente, a energia nuclear encontra forte oposição da população, sendo, na maioria das vezes, associada a programas militares e à possibilidade de acidentes. Não é possível, de fato, negar tais associações, porém não é possível negar também o avanço dos procedimentos de segurança adotados, assim como a evolução tecnológica dos reatores nucleares.

 

Especificamente sobre a energia nuclear no Brasil, tem-se que as usinas nucleares de Angra dos Reis operam de acordo com as Convenções Internacionais de Segurança Nuclear e de Gerenciamento Seguro de Combustível Usado e Rejeitos Radioativos, seguindo, assim, rigorosos procedimentos de controle e de qualidade ao longo de todo processo produtivo, reduzindo, dessa forma, os riscos de acidentes. São muitos os trabalhos que apresentam os custos e os benefícios da utilização do combustível nuclear para a geração de eletricidade. Contudo, no Brasil, a discussão sobre energia nuclear deve ser mais do que uma simples apresentação das vantagens e desvantagens do uso do combustível nuclear.

 

Acredita-se que a questão a ser investigada é sobre a necessidade ou não de investir na geração de energia elétrica via nuclear, tendo outras fontes alternativas de energia disponíveis no Brasil, como destacado em diversos artigos do professor José Goldemberg. Neste sentido, faz-se necessária uma análise inicial da demanda e da oferta de energia elétrica no país.


Pelo lado da demanda, com base no PDE 2010 – 2019, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética, a carga de energia, que consiste na soma do consumo final de eletricidade com as perdas (técnicas e não-técnicas), deve crescer, em média, 5% ao ano ao longo do período de projeção, ou seja, de 55.444 MWmed em 2010 para 85.231 MWmed em 2019.

Pelo lado da oferta de energia elétrica, o PDE 2010 – 2019 destaca as fontes renováveis como fontes prioritárias no plano de expansão da geração de eletricidade a fim de atender aos requisitos da demanda. O acréscimo planejado da capacidade instalada hidrelétrica no Brasil concentra-se no subsistema Norte, porém deve-se mencionar que grande parte das novas usinas operará a “fio d’água”, não tendo, portanto, capacidade de criar reservatórios. Neste sentido, cresce a importância do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, cuja capacidade de regularização dos reservatórios representa 70% do Sistema Interligado Nacional (SIN), e, também, de fontes alternativas de forma a complementar a geração de energia elétrica no país.

Diante deste cenário, a expansão planejada, de 2014 a 2019, considera apenas o aumento da capacidade instalada das fontes hidráulica e alternativas renováveis, em especial a eólica, a biomassa de bagaço de cana-de-açúcar e a PCH. A capacidade instalada de geração elétrica destas fontes deve crescer 116% ao longo do período analisado, sendo a energia eólica a fonte com maior taxa de crescimento esperada entre 2010 e 2019, 15% ao ano, o que resulta do maior grau de competitividade alcançado por esta fonte diante das fontes tradicionais.

Surpreende, entretanto, o crescimento do óleo combustível entre 2010 e 2013, cuja capacidade varia de 3.380 MW em 2010 para 8.864 MW em 2013. De acordo com o PDE 2010 – 2019, prevê-se um aumento, ao longo deste período, do consumo das termelétricas. De fato, a capacidade instalada de geração térmica no SIN deve aumentar, no período decenal, 91%, aumentando, assim, a demanda por gás natural, óleo combustível e outros. Especificamente sobre a energia nuclear, sua participação na matriz energética brasileira deve permanecer em, aproximadamente, 2% mesmo com o funcionamento de Angra III em 2015, entretanto, sua capacidade aumentará em 70% entre 2010 e 2019.

Como critério de garantia de abastecimento de energia elétrica, a Empresa de Pesquisa Energética assume, considerando todos os cenários hidrológicos simulados, um risco de insuficiência de oferta de eletricidade em cada subsistema inferior ou igual a 5% ao ano. (...) continua no Blog Infopetro

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