Raymundo Faoro: Entenda a História e os Encilhamentos do Brasil e dos EUA em 1 H


Caros,

Dica de vídeo desse grande pensador brasileiro, Raimundo Faoro.
IEA-USP, Midiateca SEÇÃO CIÊNCIA POLÍTICA:

1- A Questão Nacional e a Modernização (31 de março de 1992)

A fala de Faoro, de pouco mais de uma hora, é uma oportunidade ímpar de entender a história do Brasil, e nossos enscilhamentos, o de Rui Barbosa no final do século XIX e a elite do fim do império, e o de FHC e a mesma elite com os neocons e chicago boy's da FEA-USP e da PUC-Rio no final do século XX até nossos dias. Por tabela, você vai entender o atual encilhamento dos EUA.

2- Raymundo Faoro, Intérprete do Brasil (27 de abril de 2006)- Mesa de debate na no IEA sobre o pensador Raimundo Faoro. (mesmo link acima)

Viagem a Canudos.
Achei interessante esse trabalho da moçada, alunos de jornalismo da UFMS. Uma trabalho síntese de "Os Sertóes", Euclides da Cunha.


Sobre Mino carta e seu texto (abaixo): Que diria Raymundo Faoro desta hora brasileira?

Eu não tive a escola de Mino, nem tenho sua visão culta-aristocrática e nem desfrutei do convívio com Faoro, mas temos algo em comum, Faoro como Guru. Assisti o vídeo acima por diversas vezes, é sempre um estudo novo e um olhar inspirador rever.

Li e reli o texto do Mino Carta, sobre Faoro e o novo livro, A Democracia Traída, que ainda não li, mas me veio a dúvida, estaria ele (pareceu-me) jogando a toalha?
Lembrou-me a frase de Frei Beto do primeiro governo, "Lula não governa", mas Mino é sútil, indaga:

E que diria hoje, quando o bastião do Estado de Direito atende pelo nome de Gilmar Mendes? Ou quando o Banco Central do senhor Meirelles mantém os juros na estratosfera enquanto os Estados Unidos praticamente os zeram? Ou quando a maioria dos brasileiros apóia incondicionalmente o presidente Lula, mas quem manda ainda é a minoria branca? Ou quando já sabemos que em 2010 não será eleito outro torneiro mecânico? Etc. etc. e etc.

Mino, o profeta-mensageiro, cita Faoro:

Creio que o profeta-mensageiro registraria o resultado de suas mensagens. Em 1998 dizia: “O eventual governo Lula não será revolucionário, a idéia da revolução já está banida da cabeça dele”. E em maio de 2002, ao acreditar na possibilidade da vitória de Lula: “O PT poderia mudar a orientação histórica do País, que é um país de exploração, o pobre é cada vez mais pobre. Lula significaria a vitória de uma camada contra a outra. Governar, porém, contra as pessoas que no Brasil estão por cima é quase temerário. Por outro lado, se Lula for eleito e contemporizar (...) passará a ser um governante como os outros. Essa mudança é o passo mais difícil de ser dado”.

De qualquer forma, a fórmula americana já está pronta para sair as ruas em 2010, o candidato da elite, ou a Dilma-poste do Lula,

E Lula, vai continuar deixando a elite governar o resto do mandato?
Será que Mino faz idéia?
E se faz, será que fala?
Bom, vou perguntar-lhe, pode ser sim, pode ser não, ou pode ser um nada, mas não há de ser nada a pergunta.
Sds,


Mino Carta: Que diria Raymundo Faoro?
19/12/2008 18:15:27

Que diria Raymundo Faoro desta hora brasileira? Dirijo a pergunta aos meus nostálgicos botões ao ser lançado pela Editora Globo um livro que reúne entrevistas do grande pensador. O momento da publicação não foi escolhido por acaso, estamos no fim do ano do cinqüentenário da primeira edição de Os Donos do Poder pela mesma editora. Obra-prima de Faoro, chave definitiva para entendermos o Brasil e a nós mesmos.

Intitulado A Democracia Traída, organizado por Mauricio Dias, por longos anos ligado a Faoro pela admiração e pelo afeto, e prefaciado pelo acima assinado, o livro coleta quinze entrevistas de Faoro a equipes que dirigi entre 1979 e 2002, as sete últimas em CartaCapital.

O título resume o pensamento que perpassa e sustenta a fala do entrevistado, alicerçada no ceticismo e temperada pela ironia. Trata-se da demonstração, inexorável, arrisco-me a dizer, do teorema do Hércules-Quasímodo, ser contraditório, patético na sua ambigüidade, destinado a semideus e condenado a Corcunda de Notre Dame.

É a condição de um país excepcionalmente favorecido pela natureza e entregue até hoje às vontades e artimanhas de uma elite feroz. Em pouco mais de duas décadas, ao longo das entrevistas que se tornaram tradição nas nossas redações e nas nossas vidas, Faoro denuncia, como escreve Mauricio Dias, uma negociação política “realizada segundo os princípios daquelas transações que resultam sempre na frustração dos movimentos sociais e na conseqüente traição da democracia”.

Resultado: “A anistia para os torturados implicou absolvição para os torturadores” e a campanha das Diretas Já conduziu “à eleição indireta e desdobrou-se a seguir na vitória de um rebento do regime popular”. São os efeitos da eterna conciliação oligárquica, boa parte antecipados nas entrevistas, o que me levou a batizar Faoro de O Profeta.

Ele, obviamente, esquivou-se. Não fugiu, porém, à explicação. “O profeta – disse no dia 6 de dezembro de 2000 –, não é exatamente quem prevê coisas. Isso é uma tradição tardia na história do judaísmo. Profeta é a pessoa que tem uma mensagem e que vem para dizer alguma coisa, é esse o sentido original da palavra. E que vem, inclusive, para fazer a crítica.” Como se vê, não me enganei.

E ele foi, desde sua saída da presidência da OAB, meu conselheiro, mentor e guia, além do amigo de todas as horas. E foi, estou certo disso, para todos nós que aportamos à CartaCapital, depois de passar por IstoÉ, pelo Jornal da República, por Senhor, por IstoÉ Senhor, por IstoÉ segunda fase. Agora nos faz aquele gênero de falta que não é possível preencher.

Volta e meia me ocorre imaginar o que ele diria diante de cada circunstância. A última vez em que pude interrogá-lo foi no começo de 2003. Conto no prefácio: “Quando finalmente Lula se elegeu, no segundo turno do pleito de 2002, Raymundo já estava no hospital, do qual só sairia para o enterro, em abril do ano seguinte. Ficou emocionado com a vitória do seu candidato, disse estar com sorte ao participar de um momento que já perdera a esperança de viver. Mas em fevereiro de 2003 manifestava algumas dúvidas quanto aos primeiros passos do novo governo”.

E que diria hoje, quando o bastião do Estado de Direito atende pelo nome de Gilmar Mendes? Ou quando o Banco Central do senhor Meirelles mantém os juros na estratosfera enquanto os Estados Unidos praticamente os zeram? Ou quando a maioria dos brasileiros apóia incondicionalmente o presidente Lula, mas quem manda ainda é a minoria branca? Ou quando já sabemos que em 2010 não será eleito outro torneiro mecânico? Etc. etc. e etc.

Creio que o profeta-mensageiro registraria o resultado de suas mensagens. Em 1998 dizia: “O eventual governo Lula não será revolucionário, a idéia da revolução já está banida da cabeça dele”. E em maio de 2002, ao acreditar na possibilidade da vitória de Lula: “O PT poderia mudar a orientação histórica do País, que é um país de exploração, o pobre é cada vez mais pobre. Lula significaria a vitória de uma camada contra a outra. Governar, porém, contra as pessoas que no Brasil estão por cima é quase temerário. Por outro lado, se Lula for eleito e contemporizar (...) passará a ser um governante como os outros. Essa mudança é o passo mais difícil de ser dado”.

Democracia, dizia Faoro, é igualdade e distribuição de renda, metas ainda distantes no Brasil de hoje. Por isso entendia que o confronto entre direita e esquerda justifica-se plenamente neste país cujo Estado é por fazer, nesta República inacabada.

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Comentário de Oswaldo Conti-Bosso em 20 dezembro 2008 às 0:18
O comnetário que fiz lá no blog do Mino:

Caro Mino,

Ao ler o seu artigo sobre Faoro, fui rever o vídeo dele no IEA, de novo, aí voltei a reler o seu artigo, depois criei um post no blog da comunidade do Nassif:
Raymundo Faoro: Entenda a História e os Encilhamentos do Brasil e dos EUA em 1 H (vendo o vídeo de Faoro)
http://blogln.ning.com/profiles/blogs/raymundo-faoro-entenda-a

E não é que fiquei em dúvida e resolvi, veja você, escreve sobre o seu texto.

A conclusão do que escrevi lá:
E Lula, vai continuar deixando a elite governar o resto do mandato?
Será que Mino faz idéia?
E se faz, será que fala?

Bom, vou perguntar-lhe, pode ser sim, pode ser não, ou pode ser um nada, mas não há de ser nada fazer a pergunta.

Sds,
Comentário de Sérgio Troncoso em 26 dezembro 2008 às 17:04
Boa crítica ao govêrno Lula,mas principalmente ao modo como as coisas são resolvidas no Brasil.Também,com êsses personagens é covardia.Boa postagem Oswaldo.Gosto quando as críticas vêm pela esquerda que eu pelo menos considero lúcida,pois o que mais vejo e leio,é a crítica da direita reacionária ou a da esquerda carrancuda e proselitista.Um abraço,Sérgio.
Comentário de Oswaldo Conti-Bosso em 19 janeiro 2009 às 20:15
Site do PHA:
Faoro sobre Lula, em 2003:
não vai dar em nada
19/janeiro/2009 16:16

Por que Lula foi ao Rio ver Faoro ?

. Num post sobre a decisão do Supremo Presidente Gilmar Dantas – segundo Ricardo Noblat – de não homenagear Evandro Lins e Silva, Hermes de Lima e Victor Nunes Leal, relatei que o presidente que tem medo, logo depois de eleito pela primeira vez, visitou ilustres moradores do Rio: Celso Furtado, Maria da Conceição Tavares e Evandro.

. Fiquei com a pulga atrás da orelha e, neste fim de semana, num jantar em torno de um badejo e uma massa à botarga, Mino Carta me corrigiu: Lula esteve com Raymundo Faoro, também.

. No post original, eu me perguntava, para que Lula tinha feito essas visitas ?

. O que teria levado na bagagem, depois de conversar com Maria da Conceição, Furtado e Evandro ?

. O que Lula levou na bagagem se perdeu pelo caminho.

. Faoro, porém, já doente, reteve muitas coisas dos primeiros tempos do Governo Lula.

. Faoro morreu em maio de 2003.

. Em fevereiro – conta Mino no prefácio do livro “A Democracia Traída”, organizado por Maurício Dias –, com dois meses de Governo Lula, Faoro “manifestava algumas dúvidas quanto aos primeiros passos do novo governo”.

. Agora, neste fim de semana, no jantar, Mino me disse mais: em abril – com quatro meses de Governo Lula e um mês antes de Faoro morrer – já no hospital, Faoro era ainda mais cético: não espere nada desse Governo - seria, em suma, o que Faoro disse a Mino.

. Mino admite que por mais tempo teve esperança no Governo Lula.

. Talvez, porque não tivesse mais a oportunidade de conversar com Faoro …
Comentário de Oswaldo Conti-Bosso em 6 fevereiro 2009 às 3:30
Comentário meu no Blog do arkx,

Caro arkx,

Venho acompanhando seus recentes argumentos e criticas ao Lula no Grupo Mídia no debate sobre a Carta do Mino.

A minha primeira percepção sobre o Mino estar entregando os pontos veio em dezembo, quando Mino escreveu:
Mino Carta: Que diria Raymundo Faoro?
(19/12/2008 18:15:27)

Ao ler o texto, ascendeu a luz e criei um post no blog:

Raymundo Faoro: Entenda a História e os Encilhamentos do Brasil e d...

Certa altura disse:
Li e reli o texto do Mino Carta, sobre Faoro e o novo livro, A Democracia Traída, que ainda não li, mas me veio a dúvida, estaria ele (pareceu-me) jogando a toalha?
Lembrou-me a frase de Frei Beto do primeiro governo, "Lula não governa", mas Mino é sútil, indaga:

E que diria hoje, quando o bastião do Estado de Direito atende pelo nome de Gilmar Mendes? Ou quando o Banco Central do senhor Meirelles mantém os juros na estratosfera enquanto os Estados Unidos praticamente os zeram? Ou quando a maioria dos brasileiros apóia incondicionalmente o presidente Lula, mas quem manda ainda é a minoria branca? Ou quando já sabemos que em 2010 não será eleito outro torneiro mecânico? Etc. etc. e etc.
Mino, o profeta-mensageiro, cita Faoro:

Creio que o profeta-mensageiro registraria o resultado de suas mensagens. Em 1998 dizia: “O eventual governo Lula não será revolucionário, a idéia da revolução já está banida da cabeça dele”. E em maio de 2002, ao acreditar na possibilidade da vitória de Lula: “O PT poderia mudar a orientação histórica do País, que é um país de exploração, o pobre é cada vez mais pobre. Lula significaria a vitória de uma camada contra a outra. Governar, porém, contra as pessoas que no Brasil estão por cima é quase temerário. Por outro lado, se Lula for eleito e contemporizar (...) passará a ser um governante como os outros. Essa mudança é o passo mais difícil de ser dado”.

De qualquer forma, a fórmula americana já está pronta para sair as ruas em 2010, o candidato da elite, ou a Dilma-poste do Lula....


A segunda, um mês depois no site do PHA, que também linkei o post do Faoro acima:

Faoro sobre Lula, em 2003:
não vai dar em nada
19/janeiro/2009 16:16

Por que Lula foi ao Rio ver Faoro ?

. Num post sobre a decisão do Supremo Presidente Gilmar Dantas – segundo Ricardo Noblat – de não homenagear Evandro Lins e Silva, Hermes de Lima e Victor Nunes Leal, relatei que o presidente que tem medo, logo depois de eleito pela primeira vez, visitou ilustres moradores do Rio: Celso Furtado, Maria da Conceição Tavares e Evandro.

. Fiquei com a pulga atrás da orelha e, neste fim de semana, num jantar em torno de um badejo e uma massa à botarga, Mino Carta me corrigiu: Lula esteve com Raymundo Faoro, também.

. No post original, eu me perguntava, para que Lula tinha feito essas visitas ?

. O que teria levado na bagagem, depois de conversar com Maria da Conceição, Furtado e Evandro ?

. O que Lula levou na bagagem se perdeu pelo caminho.

. Faoro, porém, já doente, reteve muitas coisas dos primeiros tempos do Governo Lula.

. Faoro morreu em maio de 2003.

. Em fevereiro – conta Mino no prefácio do livro “A Democracia Traída”, organizado por Maurício Dias –, com dois meses de Governo Lula, Faoro “manifestava algumas dúvidas quanto aos primeiros passos do novo governo”.

. Agora, neste fim de semana, no jantar, Mino me disse mais: em abril – com quatro meses de Governo Lula e um mês antes de Faoro morrer – já no hospital, Faoro era ainda mais cético: não espere nada desse Governo - seria, em suma, o que Faoro disse a Mino.

. Mino admite que por mais tempo teve esperança no Governo Lula.

. Talvez, porque não tivesse mais a oportunidade de conversar com Faoro …

Portanto esse atitude do Mino não foi de toda surpresa para mim, os sinais foram dados, e mais de um.

Agora vou ao ponto que queria chegar, poderia ter colocado esse comententário no pessoal da Mídia, mas aquilo para mim virou um panelinha e ação entre amigos. É só dar uma olhada nos debates, sempre as mesmas figurinhas carimbada, quase todos, se não todos, tem uma centena de resposta do time da panelinha de mei duzia, quando alguém faz um comentário divergente, leva esculacho e a tropa dos amigos vem atrás para reforçar, mesmo o Weden que é um jornalista que tem talento e aparenta ser equilibado, volta e meia se perde na moderação, talvez para aparar as arestas com os "amiguinhos da panela". Uma piada, em plena comunidade do blog do Nassif, vivendo e aprendendo. Desejo-lhe boa sorte.
Sds,

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