Reestruturação de gestão e financiamento é base para inovação industrial, diz estudo

LILIAN MILENA
Da Redação - ADV


A estrutura real econômica revela que a taxa de desenvolvimento de um país está relacionada com a inovação de sua indústria, capaz de manter produtos na linha de frente do mercado interno e externo.

No trabalho "Condicionamento da dinâmica da inovação no Brasil", pesquisadores das universidades federais do Rio de Janeiro e de Pernambuco, destacam que para que ações de Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I) ocorram em âmbito nacional é necessário estabelecer princípios voltados para mudanças na gestão das instituições, além da definição de um padrão de financiamento articulado para o desenvolvimento de curto, médio e longo prazo.

No caso da mobilização de recursos, os pesquisadores enfatizam que não há como estabelecer estratégias de inovação da indústria sem “os três pilares básicos do processo”, que são: o Estado, o capital privado nacional, e o capital privado estrangeiro.

Assim, o Brasil poderá reverter sua atual exclusão em setores estratégicos da economia a partir da mudança no Padrão de Financiamento e no comprometimento dos agentes envolvidos. Para tanto, os pesquisadores determinam seis pontos que devem ser considerados:

Primeiro, o Estado deve definir um projeto nacional priorizando a formação de setores dinâmicos, e, ao mesmo tempo, criando instrumentos para viabilizá-los.

“Evidentemente, é importante ter políticas gerais como a Industrial, a Tecnológica e a de Comércio Exterior, mas dar clareza e estabilidade aos mecanismos de implementação é fundamental para garantir sua eficácia”, completam.

Em segundo lugar, o país precisa estabelecer bases para a formação de recursos humanos, o que, segundo os pesquisadores, é um dos pontos críticos da produção brasileira. A nova convergência tecnológica rebaixa as empresas nacionais frente às concorrentes por falta de capacitação de mão-de-obra.

No trabalho, os pesquisadores fazem referência ao Programa de Recursos Humanos na Área Estratégica (RHAE), estabelecido nas décadas de 80 e 90, sobretudo, nas áreas ligadas à tecnologia da informação. À volta de uma ação semelhante seria função do Estado e determinante para a qualificação da mão-de-obra nacional.

Em terceiro lugar, o estudo prevê o investimento em estruturas específicas para os setores estratégicos já pré-determinados. “É fundamental desenvolver sistemas que permitam dar agilidade e segurança no uso das informações e do conhecimento”, dizem os pesquisadores.

A quarta medida a ser tomada para o desenvolvimento da C,T&I da indústria tem a ver com a mobilização do capital nacional. O investimento direto de recursos do Estado seria a forma mais prática de aumentar a participação nas decisões de setores estratégicos consolidando, acima de tudo, o interesse do país sobre a produção.

Em quinto lugar, o estudo destaca a necessidade de sistemas organizativos e associativos para garantir a competitividade dos setores estratégicos. Assim, se aumentariam as chances de ampliar a dimensão das médias empresas brasileiras.

Por fim, é primordial que a política de investimento para C,T&I sobre a produção do país, conte com o emprego de capital externo. “A dimensão do mercado brasileiro, ampliado pelo Mercosul, permite tal atitude. Nessa direção, é importante limitar ao máximo a disputa entre as entidades federativas, o que nos enfraquece, além de criar mecanismos que efetivamente permitam a transferência de tecnologia e a criação de empresas espelho de controle de capital nacional”, defendem no estudo.

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