O BAIXO DA FURADA


Um dia um companheiro de longos ‘papos’ do antigo Café Nice, quando falávamos de artistas precoces, me disse que tinha um sobrinho que apesar de muito garoto, estava mostrando muito jeito no violão e se revelando um ótimo cantor. Disse que embora fosse praticamente um menino, cantando parecia um homem feito. Voz grave, bonita, já fazia sucesso entre os colegas do bairro e mais uma porção de coisas. Falava com tanto entusiasmo que fiquei com vontade de ouvir o menino e pedi que na primeira oportunidade o trouxesse para conhecê-lo.


Não demorou nada e lá estava o titio me apresentando o sobrinho. Era realmente um garoto, com sua farda de ginásio, violão a tiracolo e fala grossa como o tio me havia dito. Curioso por ouvi-lo, sugeri que deixássemos o borborinho do Nice procurando um local mais tranqüilo. No momento estavam ao meu lado, Ciro Monteiro, Joel e Gaúcho, Aracy de Almeida e, parece-me que também, o Carlos Galhardo. Depois de apresentar-lhes o garoto, convivei-os para ouvi-lo comigo. Deixamos o Nice, atravessamos a Avenida e paramos na Nilo Peçanha à porta de um edifício, onde encontramos o silêncio desejado.


O garoto pegou o violão e com todo desembaraço começou a audição e todos nós ouvimos com atenção e simpatia, quando a certa altura, a Aracy, impaciente, me falou: Não vejo nada nesse garoto, não. Com essa voz grossa que parece um galo rouco, não acredito. E sem dá a mínima, atravessou a Avenida e voltou pro Nice.


Mas quebrou a cara, porque o garoto de voz grossa que parecia um galo rouco, conforme ela disse, nada mais era do que o Lúcio Alves, que fez uma das mais belas carreiras na música brasileira e até hoje está aí com o mais elevado conceito no meio artístico, como cantor, músico, arranjador, chefe de conjunto, diretor de rádio, televisão, e alcançando as maiores glórias que um artista poderia almejar.

 


 

 

 

Fonte:

 

 

 

 

 

- 54 Anos de Música Popular Brasileira - O que fiz, o que vi -, de Pedro Caetano; prefácio de José Ramos Tinhorão. - Rio de Janeiro: Ed. Pallas - 2ª edição ilustrada e aumentada, 1988.

 

 

 

 

 

Relatos de Pedro Caetano (I)

 

Exibições: 115

Comentário de Marise em 9 outubro 2011 às 15:16

Lucio Alves é demais.

Comentário de Marise em 9 outubro 2011 às 15:17
Comentário de Marise em 9 outubro 2011 às 15:20
Comentário de Marise em 9 outubro 2011 às 15:23
Comentário de Laura Macedo em 9 outubro 2011 às 15:44

Querida amiga Marise,

É sempre um prazer imenso quando você interage nas minhas postagens com seus comentários/vídeos excelentes. Amei ouvi a voz rouca do Lúcio Alves que a Aracy de Almeida, num primeiro momento, não acreditou :))

Tenho muito carinho por você e sou agradecida por nossa amizade :))

Agora, também, bateu aquela saudade das duas "velhadetes" que tanto amamos.

Beijos.

 

Comentário de Marise em 9 outubro 2011 às 17:33

Oi Laurinha que bom que gostas. Eu também tenho carinho por ti e muita vontade de te conhecer pessoalmente. As nossa queridas "velhadetes" eu já conheço e adoro as duas.

E, tem o Oscar por quem tenho também um grande carinho. O gente boa , que dá orgulho de ser amiga.

beijão

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