UM BOÊMIO DIFERENTE E ADMIRÁVEL COMPOSITOR

 

 

Poeta maravilhoso de versos como:

A deusa da minha rua

Tem os olhos onde a lua

Costumam me embriagar

Nos seus olhos eu suponho

Que o sol num bonito sonho

Vai claridade buscar

 

 

 

Sinto muita saudade, me vem aquela tristeza ao lembrar o admirável companheiro que foi Jorge Faraj, cuja boemia consistia em acompanhar os verdadeiros boêmios pela madrugada afora, só tomando café e fumando.

 

 

Raramente comia e quando fazia era escolhendo o prato pelo preço. Não interessava o que ia comer e sim o que ia pagar. Escolhia sempre a refeição mais barata do cardápio. Talvez (quem sabe?) isso até tenha contribuído para o estado de fraqueza de que foi tomado, em seguida a tuberculose, e depois, o fim.

 

 

Morreu quando ainda poderia ter feito muitas e muitas coisas bonitas como o verso da  canção que citei acima, para somar ao rico e maravilhoso repertório que legou à música popular de nossa terra.

 

 

Curiosamente chego a ficar intrigado com o manto de silêncio que envolve a memória deste notável compositor. É incrível, decorridos anos de seu falecimento, jamais vi qualquer referência, mesmo de passagem, à pessoa de Jorge Faraj, criatura que tanto dignificou o nosso cancioneiro. Paira incompreensível injustiça, ante a qual não devo calar.

 

 

 

 

 

Deusa da minha rua” (Jorge Faraj / Newton Teixeira) # Sílvio Caldas.

 

 

 

 

 

 

Fonte:

 

 

 

 

 

- 54 Anos de Música Popular Brasileira - O que fiz, o que vi -, de Pedro Caetano; prefácio de José Ramos Tinhorão. - Rio de Janeiro: Ed. Pallas - 2ª edição ilustrada e aumentada, 1988.

 

 

 

 

 


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