RETORNO

 

Vou-me embora pra Guajará

Não quero ficar mais aqui

Só lá poderei descansar

É a terra onde nasci.

Quero sentar-me, à tardinha

Nos bancos de uma pracinha

Conversar amenidades de outono

Ver pores-do-sol refulgentes

A brilhar

Nas águas mansas do rio.

Quero ouvir a passarinhada

No seu gorjeio crepuscular

E a sinfonia ruidosa, infindável

Das cigarras cantadeiras.

Quero ver risonhas crianças

Correndo pra lá e pra cá

E os cachorros vadios

A dormitar, sonolentos

Embaixo das acácias floridas.

Lá longe a mata fechada

Que lembra um mar verde-azulado

Ver a lua, enorme, surgir por trás

Prateando, aos poucos, esse imenso mar.

Sentir o frescor da suave brisa

Que sopra das bandas do Mamoré.

Sorver as delícias

Da água de coco do pé

Do sorvete de cupuaçu

Ou do suco de açaí.

Vou-me embora pra Guajará

Só assim, poderei encontrar

A sombra da paz derradeira

Na cidade onde nasci.

 

Rio/2011

 

 

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