Roberto Silva - 90 Anos do "Príncipe do Samba"


O carioquíssimo Roberto Silva nasceu no dia 9 de abril de 1920, há exatos 90 anos, em Copacabana, no morro do Cantagalo, e inserido na mais competitiva geração da música popular brasileira.

Em depoimento ao programa Ensaio da TV Cultura fala, com emoção, do apego ao morro do Cantagalo, sua primeira moradia.

“Ah! Eu tenho uma lembrança muito grande daquele lugar. Durante muito tempo na época do meu aniversário, eu sempre subia aquele morro, sem que ninguém visse. Eu já era muito conhecido. Então eu ia ao lugar exato onde foi feito meu barraquinho, onde eu morava. [...] Eu ficava ali durante umas duas horas, no horário que eu tinha nascido, às 9 horas da manhã. Coisa Incrível!!Ninguém tem coragem de falar isso. Então eu ficava ali fazendo minhas orações, pedindo a Deus por mim, pelos meus pais e pelos meus irmãos, revendo aquela pobreza ali e me lembrando que fui um homem privilegiado, que Deus me ajudou muito [...]. Aí eu ia embora pra casa.



Já aos 18 anos tentou a sorte no programa “Canta Moçada”, da Rádio Guanabara. Depois passou pela Mauá, no conhecido programa “Trabalhadores Cantando”, até que foi levado para a famosa Rádio Nacional, pelas mãos dos compositores Evaldo Rui e Haroldo Barbosa. Lá repartiu com Ciro Monteiro as preferências, como herdeiros de Vassourinha e Luís Barbosa, na forma de cantar sincopando o samba, fazendo a divisão rítmica com muita ginga.

Foi o locutor oficial da Rádio Tupi, do Rio, Carlos Frias, que o batizou como o “Príncipe do Samba”.



“Desde a idade de 8, 10 anos eu já tinha inclinação para a música, já vinha mesmo do berço. Eu gostava muito de ouvir Pixinguinha e Benedito Lacerda, aquelas primeiras músicas que eles gravaram em, 28 e 29”.


Intérprete dos grandes compositores das décadas de 40 e 50, a exemplo dos mestres Wilson Batista, Raul Marques, Ataulfo Alves, João de Barro, Geraldo Pereira, Norberto Martins Haroldo Lobo, Noel Rosa, Nelson Cavaquinho, Raimundo Olavo, Lupicínio Rodrigues, Benedito Lacerda, Roberto Silva é, reconhecidamente, dono de uma das melhores vozes do samba.

O primeiro LP de sua carreira marca o início, na década de 50, de uma série antológica “Descendo o Morro” (totalizando dez elepês) que varou até a década de 1970.



Lenda viva da história do samba que sempre se manteve à margem dos modismos, preferindo eternizar seus sucessos, Roberto Silva merece todas as homenagens possíveis no dia de hoje – 9 de abril de 2010, data em que completa 90 anos de excelentes serviços prestados ao samba e a MPB.



Encerro parafraseando Alberto Helena Júnior:



“Ouvi-lo é o mesmo que abrir um baú de relíquias e surpreender-se como frescor e a riqueza tão variada que dele exalam”.


VAMOS EXPERIMENTAR?

“Degraus da Vida”, de Nelson Cavaquinho / César Brasil / Antônio Braga, com Roberto Silva. Discos Odeon, 1961.



 

“Falsa Baiana”, de Geraldo Pereira, com Roberto Silva e Roberta Sá.


“Se acaso você chegasse”, de Lupicínio Rodrigues / Felisberto Martins, na interpretação de Roberto Silva.



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Fonte:
- História do Samba. Fascículos publicados pela Editora Globo, 1998.
- A Música Brasileira desse Século por seus Autores e Intérpretes. São Paulo SESC, 2000.

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Comentário de lucianohortencio em 23 julho 2012 às 20:01

lucianohortencio esteve aqui e atribuiu nota máxima ao Post. Pra não perder o costume, deu uma "marretadinha" básica em duas fotos.

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