Jornalista falou sobre o jornalismo e sobre política no Roda Viva. Assista na íntegra!
O Roda Viva do dia 6 de agosto recebeu o jornalista Janio de Freitas. No programa, ele falou sobre a situação atual da imprensa brasileira. Hoje colunista e membro do conselho editorial da Folha de S. Paulo, Janio tem uma trajetória intensa no jornalismo. Passou pelas redações da revista Manchete, Jornal do Brasil, Última Hora e Correio da Manhã, e tem prêmios como o Esso e o Internacional Rei da Espanha.
Janio foi responsável por uma série de medidas inovadoras na forma de se fazer jornalismo, no entanto diz: “eu tenho até provocado queixas familiares por causa disso”. Em sua passagem pelo Jornal do Brasil, em meados doa anos 60, fez parte da equipe de renovação do formato e conteúdo do veículo. Para ele, a grande inovação “foi criar um jornal brasileiro, com identidade brasileira. Uma ideia frustrada”. Todos passaram a copiar o JB. A sua saída ele justifica da seguinte forma: “Foi muita pressão, muita dificuldade. Um êxito traz uma série de problemas”.
Hoje, Janio faz críticas à imprensa. “O jornalismo brasileiro está sendo feito de forma primária, amadora e infantil”. Uma de suas críticas é da interferência da internet na forma de se fazer um jornal. Para ele, são duas coisas absolutamente diferentes e não podem ser concorrentes. "Os jornais impressos imitam a internet e vice-versa. O jornal tomou a internet como concorrência, e a internet passou a ver os jornais como modelo. O jornal tem que descobrir uma maneira de ser, de viver à sua maneira”.
Sobre o diploma de jornalista, Janio diz que ajuda, mas não é essencial na carreira de um jornalista. “A faculdade não tem como ensinar o exercício de jornalista, ela prepara para começar a ter uma vivência”. Ele defende que a especialização do profissional tem que ser a prática na redação. “O olhar crítico é absolutamente fundamental para formar um jornalista”, completa.
O colunista diz que vem perdendo leitores ao longo dos anos e o motivo seria divulgar informações que não agradam a muitos. “Eu sei que vai haver uma repercussão, mas eu não resisto”. Janio, na esfera política, conta com fontes exclusivas. “Os circunstantes dos políticos são excelentes informantes. Falam para se vangloriar. Era exatamente o que eu queria para obter informação”.
Entre os presidentes, Itamar elogiou Itamar Franco. “A integridade do Itamar sempre me atraiu. Era muito sincero”. Janio comparou ainda Dilma com o ex-presidente. “A Dilma me lembra o Itamar. Tem respeito maior pelas suas convicções, e levar isso para a Presidência da República é muito bom”.
Apresentado pelo também jornalista Mario Sergio Conti, o Roda Viva contou, nesta edição, com os seguintes entrevistadores: Matinas Suzuki (jornalista e diretor-executivo da Companhia das Letras), Mário Magalhães (jornalista e escritor), Margerete Vieira Pedro (professora de jornalismo da Universidade Metodista), Maria Cristina Fernandes (editora de política do jornal Valor Econômico), Ricardo Noblat (colunista do jornal O Globo e titular do Blog do Noblat). O programa também teve a participação do cartunista Paulo Caruso.
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