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 Banho tomado,razoavelmente bem vestido,pronto para ir à Lapa e fazer a matéria sugerida pelo Pelegreni.Ele deixara comigo um dos seus celulares de última geração para fotografar e gravar bons depoimentos .Pelegreni,dono do Brasília News,-diário- e A Luta -semanário -tinha grana para bancar o diletantismo do jornalismo alternativo.Herdara dos pais,juntamente com a irmã,oito imóveis na Asa sul.Com a precoce morte de sua irmã,Verônica,que ingeriu 15 comprimidos de ecstase após o Botafogo levar um gol aos 48 minutos do segundo e perder o título estadual no RJ,Pelegrini ficou com todos os imóveis.O velório de Verônica foi comovente,todos cantaram o hino do Botafogo,mas o fato é que o clube da estrela solitária mata qualquer um,leva qualquer um ao suicídio.

 Bom,antes de descer o telefone do quarto tocou,era o cara da recepção anunciando que um senhor Luís estava me aguardando na recepção do hotel." Olha,meu chapa não conheço nenhum Luís ."  O cara da recepção me disse : " É o senhor Luís Perdigão." Áh,sim,era o meu grande amigo Perdigão,amigo da velha Tijuca.Eu sempre me esquecia do seu prenome.Eu o avisara que estaria no Rio e hospedado naquele hotel no centro do Rio,bem no coração da Cinelândia.

 Nos abraçamos efusivamente e coisa e tal e rumamos para a Lapa.Ao chegarmos as pessoas ,de todas as tribos,já estavam se amontoando nos bares e quiosques.Havia música de todos os ritmos do samba ao o forró do forró ao rock ,do rock até ao axé muisic e do axé até ao chatíssimo  sertanejo universitário ou coisa parecida.Gravei alguns depoimentos,tirei fotos dos bares com suas tribos de malucos e coisa e tal e o Perdigão não parava de falar sobre Cuba,sobre a perseguição da mídia contra o socialismo cubano e coisa e tal.Eu já estava quase lhe dando uma porrada nas fuças,mas não dei.Afinal,era meu amigo desde os 15 anos.

 Matéria pronta para os dois dias.Peguei até mesmo a programação do dia seguinte(sábado) de alguns bares mais famosos e frequentados,sábado eu queria era farra.Cansando e com uma puta vontade de beber resolvi que iríamos parar em frente a uma barraca defronte ao famoso bar Capela,lá a muvuca era menor,dava para conversar e relaxar.

 Perdigão,meus caros,era chocólotra e fodido;professor de história das redes estadual e municipal,só continuava na Tijuca porque seus irmãos não quiseram vender o amplo apartamento dos pais na Tijuca,passando para o seu nome.

Sentamos em uma mesa de plástico vagabunda e suja,pedi cerva,ele pediu coca-cola e sacou uma enorme barra de chocolate preto amargo.Ele tagarelava sobre Cuba,eu nem o ouvia mais,só falava hãn,hãn e olhava para as mulheres que passavam ,todas gostosas.Na segunda barra de chocolate Perdigão cessou o falatório apologético sobre os feitos da revolução cubana e ficou fitando uma morena estonteante,que também o fitava.Só que sou profissa e saco de longe os travecos,a bela morena era um traveco e o Perdigão crente que era uma bela mulher.Dei força." Vai lá,Perdigão,vai em cima dela, ! Porra tu vai comer mais uma barra de chocolate e ficar só encarando a morena,vai logo,seu merda."

 Perdigão,todo empertigado,foi em direção do traveco,começaram a conversar,trocaram beijos e se foram de mãos dadas rumo para algum hotel fuleiro para treparem.Ufa,me livrei do Perdigão e fiquei bebendo cerva e ouvindo reagge.Lá pelas tantas,completamente bêbado,resolvi bater em retirada e comecei a andar à procura de um táxi.

 " Hei,hei,cara,hei ". Era o Perdigão,no meio do formigueiro de gente,tentando se desvencilhar e me alcançar. " Porra,quebrei a cara,que merda ! " " O quê houve,Perdigão ? " Porra,não era mulher,era traveco,quando tirei a calcinha dele me deparei com um pequeno volume,saí correndo,paguei a conta,me fodi." Comecei a rir e disse-lhe:" Já estava lá mesmo,por que não comeu o cuzinho dele ?"

 Perdigão,colérico,foi dizendo que eu era um pervertido e quem come traveco é gay também e ele não era gay.São as contradições de um comunista.

 Nos despedimos e regressei para o hotel.

 Na manhã seguinte,após o café,redigi a matéria no Lep,selecionei as melhores fotos e salvei.Matéria pronta,teria o sábado livre ,sábado calorento pedia praia e eu não via o mar há anos.

 Coloquei uma bermuda e uma calção por baixo,uma camiseta e separei apenas cinquenta reais e levei meu celular medíocre. Desci,entrei na estação Cinelândia e fiquei esperando o metrô rumo à Ipanema,estava eufórico e embriagado porque bebera 6 latinhas de cerva do frigobar do meu quarto.

 Meus fiéis leitores,terei que parar esta quarta parte porque o dinheiro está curto hoje para pagar a lan house,nesta semana só vendi um plano de saúde.Prometo que postarei a última parte amanhã ou na segunda.

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