“RUA DA MURALHA”. A BOLSA DE APOSTAS. VALE OSCAR?

A Petrobrás consolidou hoje (30/09) os números de sua oferta pública de ações, apontando uma captação de R$ 115,052 bilhões. Após a oferta pública, o capital social da petrolífera aumentou de R$ 85,108 bilhões para R$ 200,16 bilhões, sendo 7,36 bilhões de ações ordinárias e 5,489 bilhões de ações preferenciais. Segundo a companhia, as cifras ainda não consideram a oferta de um lote suplementar de ações (mais 187 milhões de ações ordinárias e/ou preferenciais), cujos detalhes ainda não foram divulgados. Considerando esse lote suplementar, o montante da captação atinge os R$ 120 bilhões originalmente divulgados pela companhia. Ainda conforme o comunicado da estatal divulgado hoje, do total de 4,082 bilhões de ações oferecidas, uma parcela de 470,13 milhões (pouco mais de 10%) foi adquirida por investidores estrangeiros (oferta internacional). De acordo com a empresa, após o fim da captação de recursos, o governo federal ficou com 49% do capital social (ações ordinárias mais preferenciais), contando também 3,9% do Fundo Soberano, 1,7% do BNDES e 11,8% do BNDESPar, braço de investimentos do BNDES. Antes da oferta de ações, a União tinha 39,8% da Petrobrás, sendo que o BNDESPar somava 7,7% e o Fundo Soberano não tinha participação. Esses números também não consideram o lote suplementar de ações. Considerando somente o chamado "capital votante" (a parcela de ações ordinárias, com direito a voto), o governo elevou sua participação de 57,5% para 64,25%. Desse total de R$ 115 bilhões, R$ 67,815 bilhões entraram na forma de títulos da dívida pública. Na última sexta-feira (24), a Bolsa de Valores de São Paulo (BM&F Bovespa) protagonizou uma festa verde amarela, digna de final de Copa do Mundo, com direito a muito papel picado, decoração nas cores da bandeira nacional e o tradicional Brasil-il-il-il-il para o lançamento das ações da empresa (acima). A capitalização da Petrobrás foi suficiente para que a companhia recuperasse a perda de valor de mercado acumulada desde o início do ano na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A estatal brasileira passou a ser a segunda maior petrolífera do mundo, perdendo apenas para a estadunidense Exxon Mobil. Durante a cerimônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vestido de macacão dos petroleiros da empresa, disse que o momento era marcante na história do capitalismo mundial. Em tom de brincadeira, o presidente lembrou a imagem de "comedor de capitalismo" que marca sua trajetória política. Lula também destacou que a venda de ações da estatal não é sinal de um Estado fraco. A capitalização, para Lula, vai evitar que a riqueza se perca e ajudar a erradicar a pobreza no Brasil. A operação realizada na última sexta-feira também transformou a BM&F Bovespa como a segunda maior bolsa de valores do mundo, abaixo apenas de Hong Kong. "Hoje somos 25% maior que as três principais bolsas do mundo: Nova York, Londres e Nasdaq", comemorou o presidente da bolsa paulista, Edemir Pinto. "O valor da nossa bolsa está ligado ao potencial de crescimento do nosso País e de nossas empresas", acrescentou. Ele destacou que a bolsa tem feito um grande esforço para atrair novos investidores para o mercado acionário. Até 2014, a principal meta da BM&F Bovespa é elevar o total de 600 mil acionistas para 5 milhões. A tarefa, segundo ele, deve contar com alguns incentivos que ainda estão em elaboração. Ele explicou que a instituição está trabalhando para reduzir os custos de transação para as pessoas físicas. O foco será a área de custódia de ações. Edemir afirmou, ainda, que a bolsa ampliará a campanha publicitária com Pelé cujo foco é estimular o pequeno investidor a se manter acionista de uma empresa. "A partir do dia 4, a campanha será veiculada no Brasil todo", disse o executivo. Por ora, está restrita às praças de Curitiba (PR), Campinas (SP) e Belo Horizonte (MG). Outra frente de trabalho será incentivar novas empresas a abrir seu capital na bolsa. "De 2004 para cá 150 companhias fizeram o lançamento de ações. Nossa meta é conquistar mais 200 empresas nos próximos anos. E esta é uma meta conservadora", destacou ele, sem estabelecer prazos. Segundo o executivo, se compararmos a quantidade de empresas que negociam suas ações na bolsa brasileira com as demais bolsas mundiais, o País fica muito atrás. "Por isso, temos de fazer um trabalho com as pequenas e médias empresas para que elas possam expandir, crescer e se tornar importantes para o Brasil”, resumiu Edemir Pinto.

O Departamento do Comércio dos EUA informou hoje (30) que o Produto Interno Bruto (PIB) do país no segundo trimestre deste ano foi revisado para cima. Ele passou para 1,7% de expansão anual em comparação com a estimativa anterior de crescimento de 1,6%. Os economistas ouvidos pela Dow Jones esperavam que o cálculo final fosse mantido em 1,6%. Anteontem, a organização "The Conference Board" divulgou que a confiança dos consumidores estadunidenses com a economia dos Estados Unidos caiu em setembro, situando-se na posição mais baixa desde fevereiro. "A queda da confiança em setembro ocorreu devido a condições empresariais e trabalhistas menos favoráveis, e está ligada a uma perspectiva mais pessimista para o curto prazo", disse a diretora do "Conference Board", Lynn Franco, ao apresentar os resultados dessa pesquisa, que ouviu cinco mil famílias estadunidenses. Franco acrescentou que a confiança dos consumidores dos Estados Unidos no sucesso da economia "é muito frágil, e não se espera que as condições melhorem muito no curto prazo nem que o crescimento econômico seja retomado nos próximos meses". A informação veio também com outras más notícias. A renda média nos EUA caiu 3%, assim como as casas de alto padrão baixaram drasticamente de preço. Para reverter o cenário negativo sobre a economia, a autoridade monetária dos Estados Unidos estuda novas medidas caso retomem as compras de títulos de longo prazo do Tesouro. Em vez de anunciar compras gigantescas de títulos com data para terminar, como fizeram em 2009 para forçar o sistema financeiro estadunidense a demonstrar força ao mercado, os dirigentes do Federal Reserve (Fed) estudam um programa em escala menor e sem fim marcado, que eles podem ajustar à medida que a recuperação da economia mostrar fôlego. O Fed ainda não se comprometeu a aumentar a compra de títulos, e seus membros divergem ainda sobre a medida. Após a última reunião, seu comitê de política monetária afirmou que está "preparado" para adotar novas medidas se for necessário. A decisão de comprar ou não mais títulos depende de novos dados sobre crescimento e inflação. Se a economia acelerar, as autoridades podem decidir que não é preciso adotar nenhuma medida. No último dia 23 de setembro, o Departamento de Trabalho registrou um montante de 465 mil pedidos de auxílio-desemprego até a semana do dia 18, o que representa um crescimento de 12 mil solicitações de auxílio federal ao número anterior de 453 mil (dado revisado). Apesar do número variar de semana para semana, a tendência verificada pelo mercado é de queda na geração de empregos. Para alguns integrantes do Fed, retomar as compras será uma decisão importante porque, para eles, comprar títulos — após baixar os juros de curto prazo para praticamente zero - ajudou a evitar uma recessão ainda mais profunda no país. As encomendas de bens duráveis nos EUA, por exemplo, recuaram 1,3% em agosto, para US$ 191,17 bilhões, a maior queda desde agosto de 2009. Os economistas ouvidos pela Dow Jones esperavam retração de 1% das encomendas. "Por um lado, temos o Fed que não diz nada de extraordinário e que reitera que está pronto para agir se for necessário. Por outro lado, também temos o Fed a reconhecer que a tendência macro é negativa", explicou Keith Wirtz, gestor na Fifth Third Asset Management, à Bloomberg, após o Fed ter mantido os juros entre 0 e 0,25% no último dia 21. No mesmo dia as ações da Alcoa recuaram 2%, enquanto os títulos do JPMorgan deslizaram mais de 1%. Na última sexta-feira (24), o presidente do Fed, Ben Bernanke, fez um longo discurso na Universidade de Princeton (Nova Jersey), onde lecionou entre 1985 e 2002. Ele falou sobre as lições aprendidas com a crise financeira e aproveitou para reiterar sua insatisfação com o andamento da recuperação econômica dos EUA. "Embora a maior parte dos mercados financeiros esteja funcionando normalmente agora, um esforço combinado na política monetária ainda não produziu uma recuperação econômica de vigor suficiente para reduzir significativamente o alto nível do desemprego", explicou Bernanke. Em recado claro ao seu colega Paul Krugman, crítico de sua gestão no Fed, o presidente da autoridade monetária dos EUA acusou os “profetas econômicos”: “Quase totalmente os economistas não conseguiram prever a natureza, a época ou a severidade da crise. Os poucos que fizeram alertas antecipados identificaram somente fraquezas isoladas no sistema, nada próximo do conjunto total de complexas ligações e mecanismos que amplificaram os choques iniciais e acabaram resultando numa crise global devastadora". A baixa na cotação do dólar, instrumento de reserva de valor mundial, vem prejudicando o câmbio em todos os países, em especial o comércio exterior do Japão.

A China advertiu hoje (30) os Estados Unidos de que as pressões para uma valorização do yuan prejudicarão as relações comerciais entre os dois países. Ontem, a Câmara de Representantes dos EUA aprovou por ampla maioria o projeto de lei que prevê direitos de importação punitivos contra os produtos chineses nos Estados Unidos, caso a China não valorize significativamente sua moeda. Segundo o Ministério do Comércio chinês, o projeto de lei estadunidense não está de acordo com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Na última segunda-feira (27), a China aceitou a proposta russa de dar início às negociações diretas entre o yuan e o rublo, sem atrelar o comércio exterior dos dois países ao padrão dólar. A informação foi divulgada durante a visita do presidente da Rússia, Dimitry Medvedev a Pequim. "A China apoia a proposta russa para operações de câmbio entre o yuan e o rublo em seus respectivos mercados interbancários de câmbio", declarou o presidente chinês, Hu Jintao, segundo a agência de notícias Xinhua. Em agosto, a China adicionou o ringgit da Malásia à pequena lista de moedas que podem ser negociadas diretamente com o yuan no mercado interbancário, indicando que o país pretende ampliar as negociações com moedas de outras economias emergentes. Cinco moedas são negociadas no mercado interbancário chinês: o dólar estadunidense, o dólar de Hong Kong, o iene, o euro e a libra esterlina. No mesmo dia os líderes chinês e russo assinaram em Pequim (acima) vários documentos de cooperação econômica, entre os quais destacam acordos nos setores energético e nuclear. "A Rússia está preparada para garantir completamente a demanda crescente de gás da China. Esperamos contratos comerciais para meados de 2011", ressaltou o vice-primeiro-ministro russo, Igor Sechin, em declarações divulgadas pela agência russa "Itar-Tass". Medvedev e Hu participaram ainda da cerimônia de inauguração do trecho chinês do Grande Oleoduto Oriental, um canal de 1.030 quilômetros entre a refinaria russa de Skovorodino e a chinesa de Daqing, e que a partir de 1º de janeiro de 2011 transportará o equivalente a 300 mil barris de petróleo diários para o gigante asiático. "A conclusão sem complicações do projeto do oleoduto é um modelo para a cooperação de benefício mútuo entre os dois países e uma referência para a cooperação energética entre China e Rússia", afirmou Jintao. Por outro lado, a estatal chinesa CNPC também assinou há uma semana um acordo com a estatal russa OAO Rosneft para a construção de uma refinaria na cidade litorânea de Tianjin, um projeto com orçamento de US$ 5 bilhões e que será capaz de processar 260 mil barris diários de petróleo quando entrar em funcionamento até o ano 2015. Além disso, os dois países também fecharam um contrato para a construção de mais duas unidades (as número 3 e 4) da usina nuclear de Tianwan, na província chinesa de Jiangsu (leste), próxima a Xangai, a cargo do consórcio russo AtomStroyExport. Outros acordos abrangeram as áreas de energias renováveis, pesca, luta antiterrorista e cooperação financeira, com um convênio de crédito para a exportação entre o Banco Comercial e Industrial da China (ICBC), o maior banco do mundo por capitalização de mercado, e o russo VTB Bank. Hu recebeu Medvedev no Grande Palácio do Povo de Pequim e destacou que a visita do presidente russo, a segunda à China desde que chegou ao poder, é "um grande acontecimento das relações chinês-russas deste ano". Segundo dados do Kremlin, o comércio bilateral com a China se recuperou no primeiro semestre deste ano e atingiu um volume de US$ 25,5 bilhões, 56,3% a mais que na primeira metade do ano passado. "Estamos contentes de ver como o comércio bilateral praticamente se recuperou do impacto da crise financeira global", ressaltou Medvedev. “Chegaremos ao nível de antes da crise", assegurou o dirigente russo, em referência ao ano de 2008, quando o intercâmbio comercial entre os dois países chegou ao número recorde de US$ 55,9 bilhões. O tom destoante da festa ocorreu anteontem. Em plena visita a China, o líder russo demitiu repentinamente, o prefeito de Moscou, Yuri Luzhkov. Ele havia criticado Medvedev ao sugerir que o país precisava de um líder mais forte e decidido - comentário visto como favorável ao primeiro-ministro Vladimir Putin, de quem Luzhkov é muito ligado.

A União Europeia (UE) exigiu hoje (30) que Portugal complemente as medidas adicionais de ajuste com reformas estruturais para fomentar o crescimento econômico e remediar a perda de competitividade que sofreu nos últimos anos. O recado foi passado pelo líder da zona do euro, Jean-Claude Juncker, o comissário de Assuntos Econômicos e Monetários, Olli Rehn, e o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, durante a reunião de ministros das Finanças da zona do euro, em Bruxelas."Pedimos ao Governo (de Portugal) que apoie as medidas com reformas estruturais para reforçar o crescimento", solicitou Rehn, que determinou que o país tem até novembro para apresentar as reformas. Ontem, o BCE emprestou quase € 132 bilhões aos bancos da zona do euro em créditos de três meses e a juro fixo de 1%. A expectativa era de que houvesse uma injeção de € 210 bilhões. Ao todo, 171 entidades participaram do leilão e viram completamente atendidas suas demandas. Este empréstimo do BCE surge na véspera de os bancos terem de liquidar com o BCE € 75 bilhões em empréstimos de 12 meses, € 18 bilhões em empréstimos daqui a seis meses. Na conferência em Bruxelas, o vice-presidente do BCE, o português Vítor Constâncio, admitiu, sem especificar nomes, que alguns estados-membros ainda enfrentam problemas. No entanto, ele insinuou que "talvez os mercados estejam exagerando", referindo-se ao nervosismo patente nos indicadores de risco da dívida soberana. Portugal e Irlanda são hoje os dois países que mais preocupam a autoridade monetária europeia, que exigiu maior “rigor dos líderes da zona do euro em relação às contas públicas”. Ontem, os juros exigidos pelos investidores no mercado internacional para comprar os títulos de dívida portuguesa de 10 anos voltaram a bater um novo recorde, ao atingir os 6,61%. Este valor - o mais elevado até agora - aumentou o risco de Portugal não honrar as suas dívidas, colocando o país no sexto lugar da lista de países com maior risco, atrás da Grécia e da Irlanda. Constâncio tentou acalmar o mercado e afirmou que o clima não é tão "grave" como em maio e garantiu que “Portugal não é a Grécia”. Ele contestou também a declaração do ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, de que está havendo uma “guerra de moedas” no comércio internacional. Para o vice-presidente do BCE, o que há é ma política de “câmbio flutuante”, respondendo sobre a declaração de Mantega, que teve repercussão internacional. O presidente do Banco Central brasileiro, Henrique Meirelles, endureceu o tom defendendo monitoramento "das economias sistematicamente importantes" para evitar que elas acabem empurrando as outras para crises, e exemplificou que a acumulação de reservas pelo Brasil ajuda a estabilidade global. Ontem, enquanto a autoridade monetária européia pedia mais rigor no ajuste fiscal do Velho Continente, inclusive reformas, organizações de trabalhadores em várias partes da Europa começaram uma jornada de greves. Na Grécia, os trabalhadores tentaram invadir o ministério do Trabalho e paralisaram a área de saúde e de transportes que passam por reformas propostas pelo socialista Georgios Papandreu para melhorar a eficiência no setor. O seu colega espanhol, José Luiz Zapatero, também enfrentou uma forte greve geral como protesto contra as medidas de austeridade impostas pelo governo para tentar reduzir o déficit orçamentário e superar a recessão. A paralisação espanhola, convocada pela União Geral dos Trabalhadores (UGT) e Comissões Obreiras (CCOO), bloqueou os grandes mercados e parou vários setores industriais e de serviços de grandes cidades, como Madri, Barcelona, Sevilla e Valência. A Espanha tem o maior contingente de desempregados da Europa: em torno de 20%. Os trabalhadores franceses prometeram novas jornadas de manifestações para os dias 2 e 12 de outubro. No último dia 23, eles saíram às ruas contra a reforma da previdência (acima). Já na segunda-feira (27), o presidente do Banco Central Europeu, o francês Jean-Claude Trichet, advertiu os países da Comunidade Europeia que pode haver novas punições aos líderes que não se comprometerem com o “rigor fiscal”. Ele recebeu o apoio do ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble. Em carta dirigida aos 26 colegas da zona do euro, o ministro da maior economia da Europa avisou aos seus pares que apoia sanções financeiras e políticas mais severas do BCE para quem não se preocupar com as contas públicas e prejudicar as restantes economias do bloco. Apesar de ter havido rugas recentemente entre os líderes da França e da Alemanha durante a reunião da Comunidade Europeia sobre a política de imigração, hoje os discursos estão afinados. No sábado, a chanceler alemã Angela Merkel fez severas críticas aos imigrantes de seu país. Em queda crescente de popularidade, 23% de aceitação segundo a última pesquisa, a primeira-ministra vem se aproximando cada vez mais da direita conservadora. Durante reunião com políticos da União Democrata Cristã (UDC) na cidade de Mainz, Merkel disse que os imigrantes precisam fazer mais para se integrar na sociedade alemã, como aprender a língua e obedecer a "todas" as leis. Os comentários ocorreram após o livro de Thilo Sarrazin, ex-diretor do Banco Central alemão, virar um “best-seller” no país. O livro acusa os imigrantes turcos e árabes de “reduzir o quociente de inteligência da Alemanha e de depender demais do Estado”. Merkel e a maioria dos políticos alemães condenaram Sarrazin logo de início, mas as opiniões expressas no best-seller encontraram a simpatia de boa parte do público e de muitos dos membros dos partidos conservadores que dão suporte ao governo de Merkel. "Qualquer um que quiser viver aqui no nosso país precisa obedecer nossas leis, querer aprender nossa língua e aceitar as regras de nossa sociedade e cada artigo da nossa Constituição", declarou a líder alemã. "Isso significa tudo, direitos iguais para mulheres e todo o resto - esse é o nosso mote e não há tolerância para qualquer outra coisa", acrescentou, num recado claro aos imigrantes muçulmanos.

O emissário estadunidense para o Oriente Médio, George Mitchell, tem reunião agendada hoje (30) com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, em Ramallah, na Cisjordânia. Ele retornou anteontem a Jerusalém para tentar salvar as negociações entre israelenses e palestinos após o fim da moratória de construção de novos assentamentos judaicos nos territórios ocupados. Mitchell já conversou em Israel com o ministro da Defesa, Ehud Barak, e com o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. Na última segunda-feira (27), colonos israelenses iniciaram a construção de novas casas judias em assentamos da Cisjordânia ocupada, pouco tempo depois de ter expirado o acordo que vetava as obras, proibição que tinha ajudado a retomar as conversas de paz no Oriente Médio. Apesar do início das obras, Netanyahu, insistiu para que o colega palestino continue negociando a paz. Ontem, ele criticou o ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, por ele ter dito na ONU que as discussões sobre o processo de paz durariam “décadas”. O chefe da diplomacia israelense também recebeu críticas do Partido Trabalhista. O ministro das Minorias, Avishai Braverman, acusou Lieberman de "subversão" e pediu ao primeiro-ministro israelense que o chanceler seja afastado do cargo. "Seu discurso alucinado foi bem planejado, com o objetivo de acirrar os ânimos e sabotar o processo de paz", afirmou Braverman. No mesmo dia da visita do enviado estadunidense a Israel, Abbas estava em Paris em busca de apoio político do presidente da França, Nicolas Sarkozy. O líder francês lamentou a decisão de Israel e afirmou a Abbas que sempre manteve "a mesma posição" sobre o fim da moratória. Ele destacou a importância do fim da colonização e que a posição de seu país nesse sentido foi expressa numa declaração que fez no Parlamento israelense em junho de 2008. Em entrevista à rádio Europe 1, em Paris, o líder palestino disse que Israel deve impor uma nova moratória nas construções em assentamentos na Cisjordânia durante todo o período em que estiverem ocorrendo as negociações de paz entre palestinos e israelenses. "Nós exigimos uma moratória para o tempo que durarem as negociações, porque, enquanto houver negociações, há esperança", declarou. Abbas encontrou uma Paris repleta de forças de segurança. No mesmo dia da visita, uma ameaça de bomba evacuou novamente a Torre Eiffel, a segunda em menos de duas semanas. Ao mesmo tempo o canal de televisão britânico "Sky News" informou que agências internacionais de inteligência teriam interceptado um plano terrorista, supostamente ligado à Al-Qaeda, que pretendia lançar ataques simultâneos em grandes cidades do Reino Unido, da França e da Alemanha. O jornalista Tim Marshall, citando fontes anônimas dos serviços secretos, afirmou que o plano estava num estágio avançado, mas não iminente, e que os terroristas estavam sendo acompanhados pela inteligência ocidental “há algum tempo”. O plano seria lançar ataques com metralhadoras e granadas, com alvos civis, semelhantes aos ataques realizados em Mumbai (Índia) em novembro de 2008. Na ocasião, os extremistas invadiram a principal estação de trens de Mumbai, um conhecido restaurante, dois hotéis de luxo e o Centro Cultural judeu. O suposto ataque terrorista foi descoberto após a prisão de um alemão de origem afegã que frequentava uma mesquita em Hamburgo, na Alemanha. Na semana passada, o ministro do Interior francês, Brice Hortefeux, afirmou que a "ameaça terrorista" na França é "real". Enquanto isso, as autoridades israelenses detiveram dois britânicos que viajavam num barco que tentava romper o bloqueio marítimo à faixa de Gaza, informou a organização "Judeus pela Justiça para os Palestinos". A mobilização tem atraído principalmente os hebreus que foram perseguidos pelo Holocausto nazista na Europa que querem agora pôr fim ao cerco à Gaza. A tensão também aumenta na região. Na última sexta-feira (24), Forças da Marinha israelense mataram o pescador palestino Mohammed Mansur Baker, de 20 anos. Segundo testemunhas na costa de Gaza, os navios da Marinha israelense abriram fogo contra vários barcos de pescadores que navegavam perto da praia de Al Sudaneya, no norte do território palestino. Muitas das embarcações foram danificadas pelos disparos. "Os soldados israelenses atiraram em seu peito e ele morreu a caminho do hospital", disse uma testemunha. Uma porta-voz militar de Israel declarou, no entanto, que um barco palestino saiu da área marítima designada para a pesca. “Unidades da Marinha dispararam para o ar para alertá-los e, quando o barco se negou a retroceder e retornar à zona designada, dispararam contra ele", alegou a militar israelense. No mesmo dia, um bebê palestino morreu ao inalar gás lacrimogêneo lançado pela polícia israelense para conter os protestos que se registraram em Jerusalém Oriental.

Os capitalistas Tico e Teco voltaram a conversar sobre o mundo contemporâneo, acompanhados pela diarista Aparecida e pela filha Bytes, no dia 30 de setembro, Dia da Bíblia.

Tico: No dia de hoje surgiu o primeiro livro impresso: A Bíblia de Gutenberg. Há 558 anos.

Teco: A Bíblia é o livro sagrado para os cristãos. Ela se divide basicamente em três partes. A primeira é o Antigo Testamento, a Torá para os judeus, onde está contido a Gênese, a “origem”: Adão e Eva, a representação do homem e da mulher, comem o fruto da Árvore da Vida mesmo com a advertência do Criador de que provariam da morte. A transgressão da “alma imoral”, o “pecado original”. A segunda se refere ao Evangelho, que quer dizer “Boa Notícia” em grego, no qual o Filho do homem ensina o caminho para a “vida eterna”. “No fim dos tempos quem crer em Mim não provará da morte e quem já tiver morrido viverá. EU SOU a Ressurreição e a Vida”. O fim do livro é o Apocalipse, que quer dizer “Revelação do segredo” em grego. Nele está a confirmação da promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo de que os eleitos conhecerão a eternidade na Terra. A prova ocular da história será Nova Jerusalém onde não haverá mais nem dor, nem sofrimento, nem morte. “EU SOU o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. O primeiro e o derradeiro. Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que tenham direito à Árvore da Vida, e possam entrar na cidade pelas portas”, disse o Senhor a João, o “discípulo amado”, no exílio do apóstolo na Ilha de Patsmo, na Grécia.

Bytes: No dia de hoje, as duas nações da península coreana, a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, realizam uma reunião para discutir a paz na fronteira desmilitarizada. Será o primeiro encontro militar entre as duas partes em dois anos. Pyongyang informou que, no entanto, que não abrirá mão do seu programa nuclear porque ele representa a “dissuasão” para projetos imperialistas. Teerã é só o “remake”, a recriação.

Tico: A Ásia terá paz?

Teco: Pequim assumiu a sua liderança regional. Tóquio foi obrigado a soltar o capitão do navio pesqueiro. Declarou o porta-voz do Grande Palácio do Povo: "O governo chinês enviará um avião charter para trazer o capitão do barco pesqueiro chinês ilegalmente detido pelo Japão". Apesar de espernear, Tóquio teve que engolir em seco o seu tamanho, econômico e militar. A China libertou três japoneses acusados de espionagem como “gesto de boa vontade”. Mas nem todos que o Japão queria. Tudo vai depender, no entanto, dos Estados Unidos porque sempre há a “interferência” do Império diante dos “interesses estratégicos” de seu projeto civilizatório.

Bytes: O meu colega lá da facû disse uma coisa certa ao ver os membros do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte batendo palmas, uniformemente, como se fossem todos "soldadinhos de chumbo": "Mesmo que o Lula queira, o nosso ´líder supremo´ nunca será Kim Jong-il,nem o Brasil a Coreia do Norte. Aqui é o país da alma imoral".

Tico: O que você achou da indicação do filme “Lula, o filho do Brasil” (acima) para ser o representante brasileiro na corrida do Oscar?

Teco: O filme não é “O segredo dos seus olhos”, obra-prima do cinema argentino. A Academia tem premiado os filmes estrangeiros com uma nova linguagem, o que faz sentido. Com certeza, ele receberia o Oscar se o filme fosse sobre o presidente deles. Hollywood adora uma história sobre os vencedores. Mas também não critico a decisão da Academia daqui porque tivemos filmes com excelentes bilheterias, mas sem expressão como obra-prima. Talvez o filme do Jabour que não assisti. Mas gostaria de ver a Glória Pires sendo indicada como melhor atriz, assim como foi com a Fernanda Montenegro. A nossa Meryl Streep já fale o ingresso. Acho que o maior valor do filme é mostrar a trajetória do Brasil através do Lula para que o mundo entenda o destino manifesto da maior nação sul-americana.

Tico: Como você está vendo o caminho do presidente da Rússia?

Teco: Medvedev tem passado a imagem de ser mais ocidental, enquanto Putin seria o mais oriental. Dizem que a demissão do prefeito de Moscou, cuja mulher fica cada vez mais bilionária com as obras públicas, foi para atingir o influente primeiro-ministro. Mas temos que ter cuidado com a imprensa russa porque lá não é privada, mas dos interesses políticos dos oligarcas que vivem na órbita do Estado. As informações na Internet são “filtradas” como na China. E eles sempre brigaram muito, mesmo durante a União Soviética. Não podemos esquecer das chamadas “mortes suspeitas”. O poder é sexy e Freud o nosso cientista contemporâneo. Medvedev tem se mostrado crítico em relação ao Estado forte. Em junho, ele deu uma bronca nos parlamentares da Duma, através do Twitter, pedindo para que os deputados “trabalhem”. O que é uma tarefa quase impossível. Também já demitiu vários servidores públicos por corrupção, chegando a declarar que este é o grande problema da Rússia. Ele vem pedindo também investimento dos empresários russos nos setores estratégicos do país. Já Putin considera que o problema é o Império Americano, a quem já insinuou que o projeto americano é neonazista, além de defende um Estado forte. Ele pede que os russos tenham o “nariz em pé”, como o Lula pediu aos trabalhadores na inauguração da indústria química do etanol da Brasken. Já Medvedev fica entre a cruz e caveirinha na política externa. Recentemente, suspendeu a venda de armamento para o Irã, o que gerou críticas de Teerã de que Moscou sofrerá consequências pelo alinhamento com os Estados Unidos. E também reclama dos EUA de que prometem projetos em conjunto, mas que não cumprem as promessas. É um tema muito interessante que só o tempo dirá qual será o futuro da Rússia.

Tico: Se a comunidade internacional nunca aceitou a anexação da Cisjordânia ao território israelense, após a Guerra dos Seis Dias, por que a ONU não vota sanções contra Israel pela ocupação militar da região?

Teco: Reli, recentemente, o livro “O Príncipe”, de Maquiavel. É uma obra contemporânea apesar de ter sido escrita há 500 anos.

Tico: Haverá paz no Médio Oriente?

Teco: Está difícil. Os iraquianos estão enlouquecidos depois que descobriram que o governo decidiu compensar cidadãos estadunidenses que foram vítimas de Saddam Hussein em centenas de milhões de dólares. Nas ruas de Bagdá a insatisfação é gerada porque eles argumentam que a invasão dos Estados Unidos trouxe muitos danos ao país sem que Washington indenizasse a população. Ao mesmo tempo, a declaração do presidente dos EUA, Barack Obama, de que as tropas estadunidenses ficarão no Afeganistão "até que o trabalho esteja feito", decepcionou porque contraria as declarações anteriores que previam a retirada das tropas de Cabul no próximo ano.

Tico: Você se emocionou com as palavras do líder afegão, Hamid Karzai (acima), que chorou em público ao falar sobre a situação da violência no país e a necessidade de se atingir a paz "com mais rapidez?”

Teco: Para quem tem família, como não se emocionar? Ver um pai apelando: "Eu não quero que meu filho Mirwais seja um estrangeiro, não quero isso. Eu quero que Mirwais seja afegão". Logo ele, que passou muitos anos no exílio no Paquistão durante a luta contra a ocupação soviética nos anos 80 e depois contra o regime do Talibã. É triste ver também a falta de perspectiva como líder de um povo. Ele se mostrou preocupado com o fato de que uma "geração inteira" possa deixar o país e perder a identidade afegã.

Bytes: O que mais me emocionou como filha foi ver a declaração de um pai pedindo um país estabilizado para o seu filho Mirwais: “Quero que frequente a escola aqui, juro por Deus, estou inquieto. Meus amigos, tenho tanto medo, Deus é testemunha, que Mirwais se veja obrigado a abandonar o país”.

Tico: Como reagiu o cidadão estadunidense após a divulgação do vídeo pela rede de TV ABC que mostra civis afegãos sendo usados como peça de diversão para os soldados dos Estados Unidos?

Teco: Parece tema para jogo de videogame. Todos acusam o sargento Calvin Gibbs, chefe de sua unidade, de plantar corpos de civis como terroristas para aumentar o número de baixas nos relatórios para agradar o comando. E dizem que isso foi feito também no Iraque. Não foi diferente durante a ocupação japonesa na Ásia quando muitas asiáticas foram transformadas em “escravas sexuais”. É a lógica de guerra. Só que um dia é da caça e a outra do caçador. Que o diga Pequim.

Tico: A Europa abrirá mão do “bem-estar social?”

Teco: Repito as palavras ontem do sindicalista inglês Bob Crow sobre a jornada de greves no Velho Continente: "É uma plataforma para lançar uma resistência pan-europeia contra o pior ataque aos trabalhadores europeus desde o fim da Segunda Guerra. Trabalhadores em toda a Europa enfrentam as mesmas ameaças". Já um dos líderes sindicais espanhóis, Ignacio Fernandez Toxo, deixou claro que a meta não é derrubar o governo. Elementar, meu caro Watson.

Tico: Portugal será a nova Grécia?

Teco: Os juros são maiores. A única coisa que podemos afirmar é que nossos colonizadores vão espernear. E muito. O governo divulgou ontem cortes de gasto e aumento de impostos para conter a crise. O presidente socialista, José Sócrates, anunciou a redução de benefício a famílias com filhos. Os funcionários públicos serão os maiores atingidos.

Bytes: Ontem encontrei novamente o grupo de neonazistas só que na esquina da Barata Ribeiro com a Miguel Lemos. Havia um português na tribo comemorando a jornada de greves. Ele disse: “Os portugueses estão conscientes de que só o nacional-socialismo pode impedir o massacre do capitalismo contra os trabalhadores”. Mas não estamos sozinhos na Europa. Os irlandeses também já entenderam tudo o que Hitler explicou sobre a movimentação nas Bolsas e na concessão de empréstimos. Agora eles querem ganhar em cima de Portugal e da Irlanda. Mas os trabalhadores irlandeses puseram uma betoneira para bloquear o trânsito para chamar a atenção da opinião pública de que enquanto arrocham o salário dos trabalhadores, eles dão dinheiro para os banqueiros. Um outro, brasileiro, disse, comemorando: “Hoje temos o Ahmadinejad que mostra que o 11 de setembro foi uma farsa dos americanos com os sionistas. Hitler não está morto. Ele continua vivo no coração das próximas gerações falando as “verdades do mundo”. E disse o nosso fuhrer: “Eu estou convencido de que se não exterminar agora com os judeus, eles destruirão o mundo”. O terceiro disparou: “Só precisamos evitar que a guerrilheira e seu companheiro Dirceu cheguem ao poder. Temos que exterminar agora com os comunistas para que eles não enganem os trabalhadores. Nós somos o povo que fala a verdade”. E foram todos embora da lanchonete com a cruz de ferro penduradas em suas vestimentas. Me lembrei de um vídeo de Hitler em que dizia ao povo: “Dedicarei a minha vida a vocês, trabalhadores alemães, para que não sejam espoliados pelo capitalismo internacional”. E gritava: “Heil Hitler!”("Salve Hitler!"). E a “massa” respondia: “Heil Hitler!”("Salve Hitler!"). Os anos 30 estão de volta, mas o tempo não para. Não para não. Não para! Viva!

Após as eleições de domingo que renovaram as 165 cadeiras da Assembleia Nacional venezuelana, o campo antichavista começa a especular sobre um nome capaz de enfrentar o presidente venezuelano na eleição presidencial de 2012. Segundo alguns analistas, a oposição obteve, em termos estatísticos, o mesmo número de votos das forças que apoiam Hugo Chávez - apesar de ter eleito apenas 65 deputados. O governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles Radonski, um dos líderes da opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD), foi um dos primeiros a sair a público para defender a realização de primárias para a escolha do candidato que enfrentará Chávez. Das urnas de domingo, emergiram alguns possíveis candidatos entre os deputados eleitos, mas alguns governadores - incluindo o próprio Capriles e o líder do poderoso Estado de Zulia, Pablo Pérez - também se credenciaram como dirigentes políticos importantes. "O perfil ideal desse desafiante de Chávez é o de um político jovem, desvinculado dos governos anteriores ao atual e capaz de oferecer soluções para questões que o chavismo deixou em aberto, como o crescimento econômico insuficiente, a desconfiança dos investidores internacionais, a crise energética e a criminalidade crescente", disse o diretor do Instituto Liberal Rodrigo Pando. Uma das estrelas da campanha para a Assembleia foi a fundadora da ONG Súmate, María Corina Machado, tachada pela população venezuelana como a “gata da política” por causa de sua beleza. Mas a ambição de Machado encontra a oposição do grupo chavista. "A eleição acabou, já não nos podem acusar de agir com motivação eleitoral e é hora de investigar quem está por trás da campanha de algumas madames", anunciou, na edição da última segunda-feira à noite (27), o ãncora Mario Silva, estrela do programa “La Hojilla” (“A Navalha”), da emissora estatal Venezolana de Televisión. Durante a campanha para a Assembleia Nacional, o presidente Chávez percorreu vários estados do país em caravanas que foram seguidas por milhares de simpatizantes (acima), convertendo a eleição parlamentar, uma vez mais, num plebiscito sobre sua futura candidatura à reeleição, em 2012, e sobre o projeto de construção do chamado "socialismo do século 21". "Imagine se um esquálido (opositor) voltasse a governar em Miraflores (sede do governo)? Tomariam de volta tudo o que a revolução deu para vocês, coisa que não é nenhum favor do governo e sim um direito do povo, de viver com dignidade. Por isso, enquanto Chávez for presidente, continuarei trabalhando sem descanso com os deputados da revolução", afirmou o presidente venezuelano. Na semana passada, Chávez pediu a seus simpatizantes "uma vitória por nocaute" para defender o "socialismo bolivariano". "Não menos de dois terços (do Parlamento), esse é o calibre da vitória", conclamou durante um comício de campanha, o que acabou não ocorrendo no pleito. No comício de encerramento da campanha, no último dia 23 de setembro, o líder venezuelano disse que nas eleições de domingo seriam as credenciais para o pleito presidencial, ao qual já afirmou que vai se candidatar "se Deus lhe der vida e saúde". “Estou começando a esquentar para 2012, compadre. Aproveito esta campanha que termina hoje para esquentar os motores para 2012”, disse Chávez num comício no Estado de Lara, oeste do país. No sábado (25), as autoridades venezuelanas ordenaram o fechamento temporário da fronteira com a Colômbia por 24 horas, por causa da eleição. O resultado, ninguém tem dois terços na Assembleia Nacional venezuelana, foi comemorado pelos dois lados.

Tico: No dia de hoje os franceses, divididos, dissolveram a Assembleia Nacional Constituinte. Há 219 anos.

Teco: No dia de hoje, a França levantou sanções econômicas contra a Alemanha após Berlim ter perdido a Primeira Guerra Mundial. Há 89 anos.

Tico: No dia de hoje o presidente Getúlio Vargas, com o auxílio do ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra, seu futuro sucessor no cargo, divulgou o Plano Cohen, um suposto complô comunista para tomar o poder no Brasil. “Os conspiradores planejam uma nova insurreição armada, semelhante à Intentona de 1935, que foi rapidamente sufocada pelo governo Vargas. A incursão comunista prevê a eliminação de chefes militares, a agitação de operários e estudantes, a liberdade de presos políticos, o incêndio de casas e prédios, além de saques e depredações. Por esta razão, o governo decidiu adotar o Estado de Sítio para preservar a democracia em nosso País. Segundo o documento apreendido, os alvos principais seriam os Ministros de Estado, o presidente do Supremo Tribunal, e os presidentes da Câmara e do Senado. O seqüestro de dirigentes políticos e militares, que deveriam ser executados no mesmo dia, serviria para colocar em cheque as autoridades em caso de fracasso parcial do levante comunista”, leu o chefe do Estado-Maior do Exército brasileiro, general Góes Monteiro, no programa radiofônico “Hora do Brasil” (atual “Voz do Brasil”), o documento escrito pelo capitão integralista Olímpio Mourão Filho, na época membro do Serviço Secreto do governo. No dia seguinte ao pronunciamento do general Góes Monteiro, Vargas solicitou ao Congresso Nacional a decretação do Estado de Guerra. Com os poderes constitucionais outorgados pelo Legislativo, Getúlio cancelou as eleições, deu início a uma intensa perseguição aos comunistas e também a opositores políticos, como o governador gaúcho Flores da Cunha. Começava no Brasil a Ditadura Vargas com a instituição do Estado Novo e de uma nova Constituição. Após a redemocratização, em 1946, Góis Monteiro revelaria que o Plano Cohen, em alusão ao líder comunista que governou a Hungria por menos de 6 meses, foi armado para que Getúlio pudesse usar como argumento para o golpe de Estado. Há 73 anos.

Teco: No dia de hoje a TV Excelsior decidia pela falência depois de ter sido perseguida pelo regime militar. Seu proprietário, Mário Wallace Simonsen, dono também da PanAir do Brasil, não suportou as pressões da ditadura militar que confiscou para o Estado os aviões e até os aeroportos pertencentes à companhia aérea, e fechou também a emissora de televisão. A Excelsior entrou no ar no dia de 9 de julho de 1960, centrada no jornalismo. Mais tarde entrou no ramo de telenovelas e séries famosas, como a “Deusa Vencida”, “Redenção”, “A Pequena Órfã”, “25499 Ocupado”, revelando nomes famosos na TV como Regina Duarte, Francisco Cuoco, Tarcísio Meira e Glória Menezes. A TV Excelsior do Rio foi também responsável por vários programas de esportes como: “Telecatch Vulcan”, com Ted Boy Marino, Verdugo e Mongol; “Dois no Ring” e jogos de futebol transmitidos do Maracanã em vídeo tape no próprio caminhão da emissora. No humor se destacaram o “Show Times Square”, com Daniel Filho, e “Gira o Mundo Gira” com Chico Anysio. No dia seguinte à decretação da falência, por volta das 18h40m, o jornalista Ferreira Neto invadiu o estúdio, que estava transmitindo um programa humorístico (“Adélia e Suas Trapalhadas”), e anunciou aos telespectadores que o governo decretara o fim da Excelsior. Naquele momento, na central técnica da Excelsior, estavam alguns técnicos do DENTEL, que tiraram a emissora do ar naquele momento. A Rede Excelsior acabava ali. Há 40 anos.

Bytes: No dia de hoje a Rede Globo transmite o último debate entre os candidatos a Presidente da República em 2010. Isso, é claro, se não houver o segundo turno. Na bolsa de apostas quem levará a eleição deste ano? A Dilma, o Serra ou a Marina? “The winner is......”

Aparecida: Eu aposto mesmo é na Geisy Arruda na “Fazenda3”, pois é a “gata borralheira”. O meu filho disse que o programa está bombando no Twitter.

Bytes: O meu amigo lá da facû mandou um Twitter hoje falando a verdade: “Os animais da fazenda são muito mais vivos do que a coruja, o tucano e a periquita juntos na telinha”.

Tico: O presidente Rafael Correa acusou hoje setores da oposição ligados ao ex-presidente Lucio Gutierrez de tentar derrubá-lo com um golpe de Estado. Os militares e policiais tomaram quarteis, o aeroporto internacional de Quito e o Congresso em protestos contra uma reforma aprovada pela Assembleia Nacional que retira benefícios das forças de segurança. "É uma tentativa de golpe de Estado da oposição e são certos grupos infiltrados nas Forças Armadas e na Polícia que sempre estiveram lá, basicamente grupos da Sociedade Patriótica", disse Correa referindo-se ao partido de Gutierrez.

Teco: A América do Sul continua instável, mas o continente irá para onde o Brasil vai: rumo à democracia plena.

Aparecida: Aliás, Bytes, você foi assistir ao filme com o Michael Douglas?

Bytes: Fui ontem quando me deparei com o grupo neonazista. Ao assistir ao filme “Wall Street, onde o dinheiro nunca dorme” (acima), entendi a razão de Hitler afirmar que o nacional-socialismo dominará o mundo. Entendi também porque as ações da Petrobrás caíram tanto nos últimos meses e como a estatal brasileira é ameaçadora. Me choquei com a cena em que um grupo leva o outro investidor ao suicídio depois de enfrentar boatos plantados na imprensa. Esperava mais, mesmo assim é um grande filme, principalmente por causa das frases. E a maior delas é:que diz: a bolha significa evolução. Explicou, assim, o sucesso do Brasil porque nunca, em nenhuma fase da história, um país teve o reconhecimento de mérito tão rápido. A crise demonstrou que o Brasil é o mais preparado para enfrentar as turbulências do mercado. O preconceito foi vencido pela competência em apagar incêndios. Nada diferente do que os brasileiros têm que fazer todos os dias.

Tico: Como os capitalistas brasileiros e contemporâneos vão vencer os nacional-socialistas que dominarão o mundo?

Teco: A curvatura tempo-espaço é devido à “massa”, como bem explicou o físico Einstein, patriarca da ciência contemporânea. Na Bolsa de Valores ela se manifesta no chamado “efeito manada”. Mas nós não somos massa, mas capitalistas. Por isso, não estamos sujeitos à visão da “imprensa velha”. Afirmamos desde 2000 que a bolha iria explodir trazendo estragos para a economia mundial. Assim como já deixamos claro que as ações da Petrobrás são um excelente negócio e também afirmamos qual será a trajetória do dólar. A carteira de nossos investimentos não sofre e nem ficará de “mãos vazias”. Não por Revelação, mas por ciência. Assim como deixamos claro que o preço do barril do petróleo irá disparar. A autoridade monetária dos Estados Unidos reclamou recentemente de que os “profetas econômicos” não sabem dizer o “quando”. É impossível prever porque o Império manipula as nações, mas nunca conseguirá manipular os “ventos do capitalismo”. E só os capitalistas entendem para onde está indo a direção do vento. Por acaso, somos brasileiros. E também contemporâneos.

Tico: Por que a elite financeira brasileira fez tudo o que pode para “melar” a capitalização da Petrobrás?

Teco: O medo do Brasil se tornar a “Grande Venezuela” da América do Sul. O que é a Venezuela? Antes havia a direita nacional-socialista governando para os ricos. Hoje há uma esquerda nacional-socialista governando para os pobres. O que há em comum entre os dois sistemas? A permanência da “ineficiência” do Estado e da falta de capacidade empreendedora dos venezuelanos. É um país que depende até hoje da Colômbia para suprir o seu mercado interno. Então há o medo de que o Brasil conheça a “servidão coletiva” da Venezuela simplesmente porque depende da PDVSA para que o país sobreviva e se sinta “rico”. O Brasil não viverá sob o satélite da Petrobrás porque já há uma elite forte e jovem a combater a ameaça da servidão coletiva. Até mesmo a estatal brasileira já tem outra cultura, que se iniciou no governo Fernando Henrique Cardoso, mais eficiente do que o tempo em que os petroleiros eram chamados de “moscovitas” porque a política era do “paletó na cadeira”. Qual é a ameaça da Venezuela? Não a vitória do Chávez, mas o aumento da extrema-direita, principalmente entre os jovens, como ocorreu na Europa, para enfrentar a deliquência, a falta de formação de capital.

Tico: Por que o Lula não fala sobre isso?

Teco: O Lula é um autêntico nacional-socialista. Ele ama os que estão na mesma “frequência”. Só que os nacional-socialistas “não aceitam” o espaço-tempo que cria a matéria, a ciência contemporânea, Por isso, encontram sempre um culpado: os “traidores da pátria”. Podem ser os ricos, os pobres, os integralistas, os comunistas, os judeus ou os negros. São “fundamentalistas”. Já os capitalistas têm visão de “longo prazo”. Mas não se preocupe. O Brasil não seguirá o caminho do nacional-socialismo europeu, como a França, mas o dos “iluministas americanos”.

Bytes: Ontem, a União Europeia (UE) decidiu abrir um processo legal contra a França caso a política de expulsão de ciganos do país não seja revista dentro de 15 dias. Na sexta-feira, durante os protestos dos trabalhadores, a líder socialista Ségolène Royal disse que a reação do governo às manifestações contra a reforma lembra o rei "Luís XVI, que fechava as cortinas de seu palácio para não ouvir o povo". O meu professor nacional-socialista, confiante na perspectiva de “sangue derramado” em Paris, já não anda nem mais de muleta. Deve ser o efeito do “orgasmo múltiplo”.

Tico: O que você achou da declaração de Oliver Stone à revista “Época” de que o dinheiro é ainda sexy?

Teco: Freud explica. E como explica. Viva a ciência contemporânea! Viva!

Bytes: E Marx disse que o dinheiro se transformaria no Senhor, tornando o capitalista servo dele. Já nós, jovens capitalistas, dizemos: “o dinheiro hoje está se transformando em apenas um bytes”. Viva! Como crer no Estado que acredita que o dinheiro compra tudo? Viva!

Tico: Como você explica aos investidores de sua carteira qual será o futuro do Brasil?

Teco: Agora será enterrada a direita nacional-socialista, que envelheceu muito rápida. Depois, a esquerda nacional-socialista. A direita sempre foi muito mais perigosa que a esquerda, porque a primeira mente enquanto a segunda é apenas repleta de “meninos aloprados”. Além disso, o governo Lula foi a evolução que precisavamos para não deixar que seus capitalistas perdessem o seu “capital”. O Brasil não seguirá o caminho do nacional-socialismo europeu, como a Suécia, mas o dos iluministas americanos. A construção da “verdadeira comunidade”.

Bytes: O meu seguidor no Twitter que mora em Estocolmo me disse para não me escandalizar se souber da intensa perseguição da nação escandinava aos imigrantes. Segundo ele, após a polícia sueca deter um suspeito e evacuar um avião procedente do Canadá e com destino ao Paquistão, por causa de uma ameaça de bomba, os suecos estão preocupados com a imigração islâmica. Há um núcleo anti-islã, no Democratas da Suécia, liderado pelo nacional-socialista Jimmie Akesson. O secretário do Partido, Björn Söder, disse que uma revolução islâmica, nos moldes daquela que varreu o Irã em 1979, pode acontecer na Suécia. Os líderes da extrema-direita acusam ainda os imigrantes muçulmanos de estupros em grupo, cujas vítimas são jovens suecas na faixa de 13 anos. Eu respondi para o Luciano: “Os que se escandalizarão vão ser os escribas e fariseus, cegos e hipócritas. A Suécia faz parte do mundo”.

Aparecida: E quem imaginaria que o Brasil salvaria o capitalismo mundial?

Tico: O que você acha do presidente Lula?

Teco: O Lula é o trabalhador brasileiro ainda em processo de “formação de capital”.

Tico: O que você achou da negativa da Dilma de que tenha declarado que nem Nosso Senhor Jesus Cristo a venceria?

Teco: É boato de fim de campanha. A declaração tem mais a cara do Lula. Elementar, meu caro Watson.

Aparecida: A gente estava conversando lá no morro. Se o Lula tivesse vencido a eleição em 1989, o Brasil teria conhecido a “desgraça”. Deus sabe o que faz.

Bytes: Na Última Ceia os apóstolos pediram ao Mestre que deixasse o último mandamento antes de ser levado ao holocausto, como um cordeiro ao abate. Respondeu Nosso Senhor Jesus Cristo: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”. E foi se preparar no monte das Oliveiras para provar da morte em Jerusalém. E morte de cruz. Mas, antes, disse aos seus discípulos: “Não existe maior amor neste mundo do que quem dá a vida pelos seus amigos”.

Tico: Se o Brasil resolveu o problema de sua dívida, se o comércio varejista comemora as vendas, assim como a classe trabalhadora está chegando aos níveis de emprego dos países desenvolvidos, por que a imprensa velha massifica, e massifica, e massifica o sentimento de insatisfação no povo brasileiro?

Teco: Porque o Brasil entrará para a história como a nação que abrigou os “pobres de espírito” do mundo que haveria de ser bem-aventurada. Ora, se os pobres de espírito só conseguem enxergar a sua “desgraça” ou o seu “superlativo”, Roberto Campos é contemporâneo ao afirmar: “A pobreza é um estado de espírito”. Mas o Brasil não seguirá o caminho do nacional-socialismo europeu, como a Itália, mas o dos iluministas americanos. A “nova comunidade”.

Tico: Depois da ameaça de Roma se tornar comunista nos anos 70, o Berlusconi deve estar rindo de “orelha a orelha” após a demonstração de confiança que recebeu do Parlamento italiano?

Teco: A situação política na Itália está pegando “fogo”. Ainda não como no tempo de César Nero. Umberto Bossi, líder do influente partido populista Liga do Norte e principal aliado do primeiro-ministro, provocou polêmica ao chamar os romanos de “porcos”. Para o prefeito de Roma, Gianni Alemanno, Bossi ultrapassou os limites, pois "além de insultar a Roma contemporânea, insultou a do passado". "Vou escrever hoje mesmo ao presidente do Conselho, Silvio Berlusconi", reagiu o prefeito romano. Muitos analistas afirmam que o líder italiano preferia as eleições para aumentar a bancada de apoio. Mas o voto de confiança ocorreu no dia em que o primeiro-ministro completava 74 anos. Feliz aniversário Berlusconi! Vida longa ao imperador!

Aparecida: Bytes, o novo filme do Oliver Stone ganhará o Oscar?

Bytes: A Chiara passou na sexta-feira pelo edifício-sede da Bovespa, na rua XV de novembro, e disse que a Bolsa de Valores de São Paulo estava muito bonita. Quem sabe o Oliver Stone não filma no Brasil. Depois de “Poder e cobiça” e “Onde o dinheiro nunca dorme”, ele não produza o Wall Street 3: “XV de novembro”. Ou em tradução literal para o português: “Rua da Muralha: XV de novembro”. Poderia estrear no feriado da República de 2015 para marcar o fim do império no Brasil, varrendo da história os seus imperadores. E twittei em seguida para a Chiara: “Liberdade, nem que seja tardia. Será uma vitória por nocaute”.

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