Premiado escritor fala da busca pelo prazer em diversos meios

 

Rubem Alves discute a busca pelo prazer em novo livro

da Livraria da Folha

Premiado escritor fala da busca pelo prazer em diversos meios

Uma das grandes buscas da humanidade é pelo prazer. Ele pode ser conquistado de diferentes formas.

Comida, bebida, música, sexo, drogas, religião, ou o que mais o seu gosto puder proporcionar.

O escritor Rubem Alves aborda a tema em seu novo livro, "Variações Sobre o Prazer".

Ele utiliza as produções de poetas, compositores, pintores, filósofos e tantos outros para refletir sobre a vida e a busca pelo prazer.

Santo Agostinho, Marx, Nietzsche e outros personagens reais ou fictícios são citados como pessoas que viveram desfrutando do que acreditavam.

A própria Criação seria uma manifestação do desejo de Deus contemplar coisas belas.

Além de simples literatura, o autor sugere que se veja o livro como parte da teologia, filosofia, economia e culinária. Com esta diversidade, ele mostra como o prazer pode ter origens diversas, tanto da dor quanto da alegria.

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Comentário de Marco Antônio Nogueira em 26 maio 2011 às 9:37

 

Caro

CONTI-BOSSO,

 

Ideia excelente essa sua

de trazer pra cá o

grande RUBEM ALVES,

sem dúvida um de nossos

maiores filósofos, teólogos,

escritores de nossa História.

Lembro-me de uma crônica

dele sobre o preconceito a

LULA (na campanha de sua primeira,

ou segunda candidatura à

Presidência), onde cita o preconceito

de norte-americanos que preferiram

mudar para o Brasil (Americana e

Santa Bárbara do Oeste), a conviver

com os negros, após a abolicão

da escravatura nos USA.

Você tem este texto?

Se sim, pediria divulgá-lo aqui.

 

Abraço,

 

Marco Nogueira

Comentário de Oswaldo Conti-Bosso em 27 maio 2011 às 4:10

Caro Marco,

 

O artigo que conheço é um texto preconcetuoso contra um certo candidato a presidente,  Rubem Alves só revela no final as comparações dos preconceitos, que não se trata de Lula mas sim de Abraham Lincoln. Não conseguir achar nos arquivos da FOLHA SP, mas creio que seja de 2002 ou antes.

 

A que ponto chegamos?
Por Rubem Alves*
“Vejam só a que ponto chegamos. Agora ele está querendo ser presidente. Não se enxerga? A começar pelos ancestrais, que não são coisa que se recomende. Há fortes boatos de descender de uma mulher de costumes frouxos e suscetível a amores proibidos. O pai, ao que parece,não conseguiu se fixar em emprego algum e alguns chegam mesmo a descrevê-lo como tendo alma de vagabundo. É certo que não seria nunca escolhido como operário padrão.E que dizer do lugar onde nasceu? Estado dos mais atrasados, sotaque típico, crescido em meio à rudeza dos que não se refinaram para as lides públicas. Podem imaginar o seu comportamento num banquete? Seria vergonhoso, cotovelos sobre a mesa, empurrando a comida com o dedão, falando de boca cheia. Seria um vexame nacional. Acresce o fato de não haver nem mesmo terminado o curso primário, sua educação formal se restrigindo a ler, escrever e fazer as quatro operações. Como trabalhador braçal, excelente. Na verdade, ali é o seu lugar. Como acontece com as pessoas que trabalham muito com o corpo e pouco com a cabeça, seu corpo se desenvolveu de forma invejável.Testemunhas oculares relatam mesmo que, em certa ocasião,não vacilou em se valer dos seus músculos para dobrar um grupo de adversários.
Mas, o que assusta mesmo, é o seu radicalismo em relação às questões do trabalho, especialmente no campo. Pois não é da iniciativa e do capital dos patrões que vêm a riqueza do país? E agora este matuto quer colocar o carro na frente dos bois. Se sua política agrária for colocada em prática é certo que vamos ter uma convulsão social no País. O nosso sistema de produção vai se desmantelar, com imprevisíveis conseqüências sociais. No final, parece que os empregados tomarão conta de tudo e ao patrões não resta outra alternativa que deixar o País. “Love it or leave it”.

Podem guardar seus sorrisos e sua raiva porque isto que escrevi não é sobre quem vocês estão pensando. É sobre Abraham Lincoln. E o que eu disse sobre sua vida pode ser encontrado na Enciclopédia Britânica, para quem quiser conferir. Imaginei como é que a conversa rolaria nas rodinhas das UDRs, KKK’s da época, ante a insólita possibilidade de que um ex-lenhador sem curso primário viesse a ser o presidente do país. Como se sabe, Lincoln foi eleito, os escravos libertados, houve uma enorme convulsão social, pois os donos de escravos se recusaram a aceitar a liberdade dos negros e aqueles que não se ajustaram cumpriram sua promessa: emigraram. Para onde? Muitos para o Brasil. E foi assim que nasceram as cidades de Santa Bárbara do Oeste e Americana. Por que o Brasil? Porque, se não podiam ter escravos lá, poderiam continuar a ter escravos aqui. Nunca imaginei que esta seria uma boa razão para se optar pelo Brasil: para se continuar a ter escravos.
Mas os tempos mudaram. Mudaram? Parece que ainda hoje o mesmo horror existe ante a possibilidade de que um operário venha a ser presidente do País. E as conversas que rolam por aqui não devem ser muito diferentes das que rolaram por lá. Parece que a história está cheia de situações parecidas – e é só por isto que podemos aprender dela.
Quem sabe a memória do ex-lenhador que se candidatou a presidente dos Estados Unidos possa nos ajudar a colocar em perspectiva este fato insólito de um operário que se candidata à Presidência do Brasil.

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