Nelson Sargento



SALVE O COMPOSITOR POPULAR!


Meu último post do ano é em homenagem e em solidariedade ao músico popular brasileiro. No dia 9 de dezembro último, sambistas da velha guarda participaram de uma audiência pública na Comissão de Educação e Cultura do Senado para solicitar a elaboração e votação de um projeto-lei, em 2010, que garanta aposentadoria especial e seguro-desemprego para a categoria. Os bambas Nelson Sargento, Noca da Portela, Wilson Moreira, Délcio Carvalho, Agenor de Oliveira, Paulo Debétio, Osvaldinho da Cuíca e as cantoras Ademilde Fonseca e Adelaide Chiozzo estiveram presentes ao encontro com os senadores. Também participaram alguns músicos de Brasília.
“Na prática, a proposta compensaria as dificuldades enfrentadas pelos sambistas e compositores pelo fato de não terem a atividade regulamentada pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Isso faz com que a maior parte trabalhe sem carteira assinada, o que compromete a aposentadoria ao longo da carreira.

Dos nove sambistas presentes na discussão, boa parte conta com uma aposentadoria, após cinqüenta anos de atividade, inferior a R$ 1.100. Eles argumentam que a aposentadoria especial e o seguro desemprego será uma forma imediata de compensar perdas, principalmente para aqueles com mais de cinquenta anos de atividade.

... O compositor Wilson Moreira foi um dos que protestaram contra a falta de rigor de televisões e rádios no pagamento dos direitos autorais. Segundo ele, os veículos insistem em reproduzir as obras dos compositores e deixar de pagar o direito previsto em lei”.

A cobertura completa da reunião por Thomaz Pires pode ser lida no link abaixo:

http://congressoemfoco.ig.com.br/noticia.asp?cod_canal=1&cod_pu...

O Correio Brasiliense, em matéria do jornalista Irlan Rocha Lima, também noticiou o movimento dos músicos e a celebração ocorrida no Clube do Choro de Brasília na noite que antecedeu o encontro com os congressistas:

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/12/08/dive...

Contudo, foi espantoso constatarmos algumas reações contrárias às reivindicações dos artistas entre comentaristas do Blog do Nassif e do Congresso em Foco. Pessoas que possuem uma caixa registradora no cérebro que as impede de discernir PREÇO de VALOR e que as faz enxergar a Cultura e os bens imateriais como aspectos secundários e dispensáveis da vida de uma nação. Pessoas que interpretam a extensão de direitos e benefícios aos compositores populares como “fazer caridade com o chapéu alheio”, no caso o bolso do contribuinte. Pessoas que consideram a arte e a música um não-trabalho, destituído, portanto, dos meios e recompensas que fazem parte da dignidade e do reconhecimento profissionais. Pessoas que acreditam que os artistas “não dão contribuição em prol do país para colherem benefícios previdenciários”.

Sobre essa mentalidade estreita e utilitarista , vale a pena ler, ou reler, o texto do Paulo Leminski chamado “Inutensílio” publicado no Portal em 03/11/2009. Nele o poeta declara:

Coisas inúteis (ou in-úteis) são a própria finalidade da vida.
Vivemos num mundo contra a vida. A verdadeira vida, que é feita de júbilo, liberdade e fulgor animal.
Cem mil anos-luz além da utilidade, que a mística imigrante do trabalho cultiva em nós, flores perversas no jardim do diabo, nome que damos a todas as forças que nos afastam da nossa felicidade, enquanto eu ou enquanto tribo.
A poesia é o princípio do prazer no uso da linguagem. E os poderes deste mundo não suportam o prazer. A sociedade industrial centrada no trabalho servo-mecânico, dos EUA à URSS, compra por salário o potencial erótico das pessoas, em troca de performances produtivas, numericamente calculáveis.
A função da poesia é a função do prazer na vida humana
.


A da música e a de todas as outras artes também, acrescento eu.

Por isso torno a repetir: se os poetas são as antenas da raça, como disse o Ezra Pound, os músicos, compositores e cantores são os ouvidos, a voz e as asas invisíveis que elevam nossa alma ao mundo dos sonhos, da beleza, do afeto e da criação. Um país que ignora ou abandona seus artistas evidencia uma degeneração séria no seu estágio civilizatório. Não devemos permitir que isso aconteça. O povo brasileiro ama os seus músicos, ama o samba, o carnaval, os inúmeros ritmos e festas. Nada disso existiria sem o compositor popular. Todo apoio às reivindicações dos músicos e à sua luta por melhores condições de trabalho, dignidade e valorização.





Festa Imodesta (Caetano Veloso) # Chico e Caetano


Aqui fotos tiradas pela minha amiga Maria Tereza Souza na noite memorável que reuniu estes talentos maravilhosos em confraternização no Clube do Choro de Brasília.

Ademilde Fonseca

Delcio Carvalho

Noca da Portela


Adelaide Chiozzo

Wilson Moreira

Oswaldinho da Cuíca

Agenor de Oliveira

Paulo Debétio

e o anfitrião da noite, Reco do Bandolim, presidente do Clube do Choro de Brasília.



Um haicai para terminar o ano...

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Comentário de Laura Macedo em 23 dezembro 2009 às 23:45
Cafu, minha amiga, que noitada no Clube do Choro de Brasília!!!
Fiquei babando.....
Arrasou no último post do ano. Uma belezura!
Assino embaixo, apoiando nossos talentosos artistas.
Grata por compartilhar conosco tão apurado bom gosto musical.
Beijos Saudosos.
Comentário de Cafu em 24 dezembro 2009 às 8:31
Noite inesquecível com essa constelação brilhando e o público emocionado e delirando.
Tintim! Saúde! Longa vida, respeito e dignidade ao nosso compositor popular.
Beijos e até a volta.

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