LILIAN MILENA
Da Redação - ADV
O Estado de São Paulo lança o Programa de Sanidade em Agricultura Familiar (Prosaf) com o objetivo de incentivar práticas tecnológicas nas áreas de sanidade animal e vegetal visando a redução de impactos negativos ao meio ambiente – a ação também deverá contribuir para a troca de conhecimento entre pequenos agricultores e grupos de pesquisa.
São Paulo possui atualmente cerca de 150.200 propriedades rurais familiares que representam 68,9% dos estabelecimentos rurais do estado. Juntas, essas áreas respondem por mais de 4,25 milhões de hectares, ou 24,5% do território voltado para agricultura e pecuária.
Segundo o coordenador do programa e também diretor geral do Instituto Biológico (IB), Antonio Batista Filho, o Prosaf irá beneficiar a região do Pólo Leste Paulista, composta por mais de 30 municípios incluindo Monte Alegre do Sul, onde o projeto é lançado.
“Parte dos recursos virão do Tesouro do Estado por meio do Programa Risco Sanitário Zero, e também de agências de fomento e fundações privadas”, explica. Os investimentos foram divididos em dois blocos: um montante inicial para eventos, na ordem de R$ 52 mil; e outro de aproximadamente R$ 400 mil reais, aplicado a pesquisas.
Batista Filho conta que a primeira parte do recurso possibilitará a realização de 22 eventos agendados para o período de abril a novembro deste ano, incentivando encontros para a troca e transferência de conhecimento entre agricultores familiares e institutos estaduais. A segunda parte do montante (R$ 400 mil) será alocada para a pesquisa de produção e criação das diversas culturas realizadas nos municípios – já existem 47 projetos iniciais aguardando o recurso.
“As pesquisas ocorrem conforme a necessidade de cada região. Temos campos experimentais na maior parte dos municípios porque cada um deles tem uma vocação própria que deve ser respeitada. Por exemplo, em Amparo se destaca a produção de chuchu, então desenvolveremos métodos nesse município para um controle de pragas mais eficiente para essa cultura”, completa.
Investimento estratégico
Não é qualquer propriedade que se enquadra no conceito de agricultura familiar. O Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), determina que terras com menos de 100 hectares (que englobam categorias das chamadas agriculturas de subsistência, pequena produção ou campesinato), e que ainda têm a direção dos trabalhadores, sendo o trabalho familiar superior ao trabalho contratado, são conceitos que enquadram propriedades de agricultura familiar.
O presidente da Associação Paulista de Municípios (APM), que responde pelos produtores das cidades beneficiadas pelo Prosaf, Marcos Monti, declarou que a expectativa quanto ao programa é positiva dada a importância da agricultura familiar para a geração de emprego, renda e arrecadação dos municípios.
“A medida [Prosaf] é boa no sentido de prevenir doenças tanto na questão de produção animal como vegetal, mesmo porque muitos municípios têm trabalhos acentuados na agricultura familiar”, completa.
Dados nacionais revelam que a produção das famílias respondem por mais de 60% do amendoim, batata, cebola, feijão, mandioca, tomate, suíno e outros alimentos que chegam a mesa do brasileiro. O diretor do IB, Batista Filho, também acrescenta que a maior parte do cacau, café e leite são produzidos também por meio da agricultura familiar.
“O governo [do estado] investiu em dois anos cerca de R$ 30 milhões protegendo os rebanhos contra a febre aftosa, mas é a primeira vez que um projeto é focado diretamente nas propriedades de agricultura familiar, onde na verdade existe a maior carência de informação”, diz.
Batista Filho coloca ainda que a falta de sanidade na produção de um país é a razão dos principais entraves relacionados a regulação do comércio internacional. “Os países usam bastante a questão da sanidade para justificar suas barreiras comerciais. Por isso é importante investir recursos para melhorar a qualidade de gestão nos rebanhos e plantações”.
Assim, já que os grandes produtores têm condições financeiras para alcançar tecnologias e inovações voltadas para a qualidade do que comercializam, restaria ao Estado a obrigação de facilitar a difusão e produção de conhecimento entre os pequenos produtores, responsáveis pela plantação e criação de alimentos que atendem sobretudo ao mercado interno.
Tags: agricultura, familiar, programa, prosaf, sanidade
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