SATED RIO EM AÇÃO 2014 Homenagem PLÍNIO MARCOS

Presidente SATED RJ  

JORGE COUTINHO 

http://www.satedrj.org.br/

SATED RIO EM AÇÃO 2014

Homenagem PLÍNIO MARCOS

Por Waleria de Carvalho /  Fotos de Lêda Bastos

O SATED RIO EM AÇÃO 2014 fechou com chave de ouro a segunda semana do Ciclo de Leituras Dramatizadas realizado este mês. No dia 17 de abril, foi encenado o texto O Abajur Lilás, numa grande homenagem ao autor Plínio Marcos. No elenco, Ana Zettel, Gaby de Saboya, Rollo Roquenrolo, Marcello Panazio, Ana Felipe, Nadja Lúcia Bandeira Passos, todos sob a direção de Delcio Marinho Gonçalves. O texto que aborda a difícil vida das moças de vida fácil num prostíbulo  chamou a atenção da plateia, que teve a presença dos presidentes do SATED/RJ, Jorge Coutinho, e do SATED/SP, Ligia de Paula, e de vários diretores do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado do Rio de Janeiro

para o diretor Delcio Marinho, o Ciclo de Leituras é uma possibilidade de estudo para os artistas. ''Um texto clássico como Abajur Lilás cria a possibilidade para os nossos associados conhecerem a obra, estudarem e debaterem com o público. Foi um enorme sucesso. Preciso agradecer a Jorge Coutinho, Presidente SATED RJ, que oferece essa oportunidade para todos e a presença de Ligia de Paula, Presidente SATED SP'', disse Delcio, reafirmando a importância de Plinio Marcos na dramaturgia brasileira

http://www.satedrj.org.br/noticias/248-abajur-lilas-aborda-a-difici...

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Comentário de Delcio Marinho em 20 abril 2014 às 6:13

" O ator começa a ficar soberano de seu talento quando ganha consciência de que entra no palco para servir, e não para ser servido "

“ Não faço teatro para o povo, mas faço teatro em favor do povo. Faço teatro para incomodar os que estão sossegados. Só para isso faço teatro.”

" Minhas peças são atuais porque o país não evoluiu "  Plínio Marcos


" o Teatro Resiste: quando a Ditadura proíbe a peça ABAJUR LILÁS, do ex-estivador e dramaturgo comunista PLÍNIO MARCOS, Todos os Teatros da cidade de São Paulo Fecham suas Portas, em Sinal de Protesto " 

" obra toda emana igualmente um canto de piedade e amor de Plínio pelos deserdados, marginalizados, espezinhados "


no ABAJUR LILÁS está um momento de plena maturidade de PLÌNIO MARCOS. A peça apresenta uma conjugação equilibrada de qualidades na dialogação, na elaboração da trama, no desenho dos caracteres, na estrutura da ação. Obra poderosa, concebida como um crescendo de violência desfechado em lances implacáveis, O Abajur Lilás se destaca como realização particularmente bem-acabada na dramaturgia brasileira. O texto foi construído dentro do realismo que se transformou, ao longo dos anos, em marca registrada do autor.


As personagens se tornam tanto mais ferozes quanto mais inevitável fica a constatação do desespero de sua visão. Mais do que qualquer outra peça de Plínio, emana de O Abajur uma carga irresistível de emoção. O embate entre as prostitutas, o homossexual cafetão e seu guarda-costas começa na ironia e assume proporções avassaladoras que incluem a tortura e o assassinato. As personagens agem compulsivamente e a obsessão de sobrevivência ou desafio que as anima confere-lhes a estatura de mitos. Mitos modernos, esquálidos, asquerosos. E da obra toda emana igualmente um canto de piedade e amor de Plínio pelos deserdados, marginalizados, espezinhados

De todas as peças que analisaram a situação brasileira pós-1964, O Abajur Lilás, se distingue certamente como a mais incisiva, dura e violenta. Plínio Marcos fundiu nela, mais do que em outras obras-primas, como Navalha na Carne e Dois Perdidos Numa Noite Suja, talento e ira. A estrutura do Poder ilegítimo está desmontada, para revelar, com meridiana clareza, seu ríctus sinistro.


O grande achado de Plínio foi ter criado uma história que se basta em si mesma, autêntica na sua crueza. Têm uma verdade inconfundível as relações entre Giro, proletário homossexual do prostíbulo, seu truculento auxiliar Oswaldo, e as prostitutas Dilma, Célia e Leninha. Embora cada personagem exerça uma função específica na trama, acompanhando de perto modelos sociais mais amplos, não se sente que Plínio tenha feito exercício de laboratório. O microcosmo de Abajur Lilás tem validade própria, impondo-se pela correta psicologia e observação humana, a que a linguagem adequada empresta o justo tom realista.


Na sede de poder, que garante a segurança econômica, Giro tenta explorar ao máximo as três prostitutas. Por meio delas, Plínio mostra algumas formas de comportamento em face do mando. Dilma é acomodada, porque tem um filho para criar e teme as represálias. Leninha pensa obter vantagens, pelo espírito conciliador, mas faz na verdade o jogo de Giro e chega à delação. Célia é a revoltada irracional, que explode loucamente o desejo de vingança, sem pensar em meios e conseqüências. Oswaldo serve aparentemente a Giro, mas, ressentido com a própria impotência, se entrega ao prazer sádico de torturar as prostitutas.


O quadro está completo, as forças se desencadearem, Abajur Lilás existe como vigoroso documento humano, sem falsificações de nenhuma espécie. Plínio não sucumbiu ao lugar-comum de pintar uma prostituta boazinha, vítima da sociedade. Na áspera luta pela sobrevivência, elas se trucidam tanto quanto desejam ver-se livres do explorador. O texto contém a amarga realidade dos seres que se agitam na imanência, distantes de uma vida transcendente. Agudo diagnóstico de um dramaturgo que se intitula “ repórter de um tempo mau ”

Comentário de Delcio Marinho em 20 abril 2014 às 6:14

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